A Operação Carbono Oculto revela o suposto elo entre o mundo glamouroso da música sertaneja e o crime organizado, mirando o produtor Ivan Miyazato, acusado de lavar dinheiro para a facção
Nesta quinta-feira (28), uma das maiores operações policiais já realizadas no país contra a estrutura financeira do Primeiro Comando da Capital (PCC) atingiu um nome conhecido da música sertaneja nacional. O produtor musical campo-grandense Ivan Carlos Miyazato, responsável por trabalhos de sucesso com artistas como Luan Santana, Gusttavo Lima e Matheus & Kauan, é um dos investigados pela Operação Carbono Oculto, deflagrada em Goiás e outros nove estados.
A operação, considerada a maior ofensiva contra o esquema financeiro da facção, investiga crimes como adulteração de combustíveis, fraudes fiscais, lavagem de dinheiro e manipulação de preços. Estima-se que o esquema tenha causado um prejuízo de R$ 7,6 bilhões aos cofres públicos.
De acordo com informações do portal Mais Goiás, mandados de busca e apreensão foram cumpridos contra Ivan Miyazato em Senador Canedo (GO), onde empresas do setor de combustíveis suspeitas de integrar o esquema estão sediadas.
As investigações do Ministério Público de Goiás (MPGO), por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), apontam que Miyazato teria vínculos empresariais com Jonas Silva Corrêa, condenado a 39 anos de prisão por tráfico de drogas e associação criminosa, mas que atualmente está em liberdade por decisão judicial.
A polícia apura se os dois são sócios nas empresas Miyazato Music Produções S/A e Hiperhit Produções S/A, e se essas empresas teriam sido utilizadas como fachada para operaciones financeiras de lavagem de dinheiro proveniente do esquema fraudulento ligado à facção.
A megaoperação contou com a coordenação do MPGO, com apoio do Ministério Público de São Paulo, do Ministério Público Federal, da Receita Federal e da Polícia Militar. Foram expedidos mais de 350 mandados judiciais em todo o país.
A DEFESA
Em nota publicada nas redes sociais, a defesa de Ivan Miyazato afirmou que já tinha conhecimento da investigação e destacou que não há provas que vinculem o produtor a esquemas de facção criminosa.
O texto ressalta que Miyazato é “reconhecido por sua lisura e honestidade no mercado artístico” e que a empresa Miyazato Music “é composta por sócios com direitos e deveres legais, cujas receitas têm origem em serviços lícitos”. A defesa informou ainda que o produtor está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários.
TRAJETÓRIA NA MÚSICA
Nascido em Campo Grande, Ivan Miyazato é considerado um dos principais produtores da música sertaneja do país. Sua carreira começou em 1994 como baixista da banda Guri, ao lado de Michel Teló e Teófilo Teló. No fim dos anos 1990, integrou o grupo Santo Chão.
Seu nome ganhou projeção nacional a partir da produção do álbum “Tô de Cara” (2008), de Luan Santana, que foi um marco na carreira do cantor. De lá para cá, Miyazato se tornou um dos produtores mais requisitados do gênero, trabalhando com grandes artistas como Gusttavo Lima, Lauana Prado, Israel & Rodolffo, Zé Neto & Cristiano e Luiza & Maurílio.
Seu trabalho de excelência foi reconhecido internacionalmente em 2020, quando foi creditado pelo Grammy Latino como produtor do Melhor Álbum de Música Sertaneja.
A investigação agora coloca sob os holofotes a sua trajetória empresarial, em um caso que ainda está em fase de apuração.