Uma força-tarefa do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, composta pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), cumpre nesta terça-feira a Operação Spotless, autorizada pelo Tribunal de Justiça do Estado (TJ/MS). A ação, que mira 59 endereços, a sede da Prefeitura Municipal de Terenos, secretarias, residências e empresas de servidores e empresários na cidade e em Campo Grande.
O prefeito de Terenos, Eduardo Henrique Budke (PSDB), foi preso em sua residência. O secretário municipal de Administração, Maicon Bezerra Nonato, também é alvo dos mandados, mas sua prisão não havia sido confirmada até a publicação desta matéria.
A operação é uma continuação da Operação Vellutus, deflagrada em 2024, que investigou um sofisticado esquema de fraudes em licitações de obras públicas no município. A decisão que autorizou a nova fase foi assinada pelo desembargador Jairo Roberto de Quadros.
Como funcionava o esquema
De acordo com as investigações, o grupo criminoso operava em dois núcleos distintos, mas interligados:
Núcleo Político-Administrativo: Liderado pelo então secretário municipal de Obras, Isaac Cardoso Bisneto, e pelo servidor Valdecir Batista Alves. Este núcleo era responsável por direcionar editais de licitação e simular concorrência para garantir que as empresas aliadas vencessem os certames.
Núcleo Empresarial: Composto por pelo menos 20 empreiteiras e construtoras, cujos responsáveis são citados na operação. Eles se beneficiavam dos contratos fraudados, que desviavam recursos públicos. As investigações apontaram ainda a criação de empresas-fantasma, sem estrutura ou experiência, apenas para servir de fachada às ilegalidades.
A investigação, que incluiu interceptações telefônicas, encontrou diálogos que evidenciam o conluio. Em uma das conversas, o ex-secretário Isaac Bisneto questiona o empresário Genilton da Silva Moreira (preso preventivamente em março) sobre quais concorrentes participariam de uma licitação, sugerindo um acerto prévio. Em outro momento, um dos envolvidos chega a afirmar que o resultado de um novo certame já estaria definido antes mesmo de sua publicação.
Alvos da Operação
A lista de alvos inclui 32 pessoas físicas e 20 empresas do setor de construção e engenharia. Entre os nomes citados nos mandados, além do prefeito, do secretário e do ex-secretário, estão empresários como:
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Arnaldo Santiago (Arnaldo Santiago Ltda.)
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Genilton da Silva Moreira (Base Construtora e Logística)
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Hander Luiz Correa Grote Chaves (HG Empreiteira & Negócios Ltda.)
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Sandro José Bortoloto (Angico Construtora e Prestadora de Serviços Ltda.)
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Nadia Mendoça Lopes (Lopes Construtora e Empreiteira Ltda.)
A operação busca apreender documentos, computadores e quaisquer outros elementos que possam corroborar as investigações sobre desvios de recursos públicos, fraudes licitatórias e formação de organização criminosa.









