A Polícia Civil de Campo Grande concluiu que o furto seguido de incêndio que destruiu uma loja de bicicletas no Jardim Monumento, no dia 4 de janeiro, foi um crime encomendado, planejado para simular uma ocorrência e fraudar a seguradora. O inquérito, conduzido pela Delegacia Especializada em Repressão a Roubos e Furtos (DERF), aponta o proprietário do estabelecimento, de 34 anos, como mandante da ação. O empresário, no entanto, nega veementemente as acusações.
A investigação começou como um furto comum, já que algumas bicicletas desapareceram antes do fogo ser ateado no local. O caso ganhou novos rumos quando a polícia recebeu uma pista de que um homem de 32 anos estaria vendendo duas das bicicletas “furtadas” no bairro Jardim Rouxinois. As mercadorias foram recuperadas e o suspeito, preso por receptação.
Cadeia de confissões aponta para o dono da loja
A partir dessa prisão, as diligências levaram os investigadores a outras duas pessoas, de 42 e 47 anos, no Campo Alto. Eles confessaram ter participado do furto e do incêndio, mas afirmaram ter agido sob encomenda. Segundo seus depoimentos, um intermediário os contratou a pedido do proprietário da bicicletaria.
Confrontado, o suposto intermediário confirmou a versão à polícia. Ele detalhou que o plano era simular o crime para que o seguro fosse acionado, e o valor indenizatório seria dividido entre todos os envolvidos. O homem admitiu ainda ter “terceirizado” a execução, recrutando outros três indivíduos para o trabalho. Como prova, apresentou conversas em seu celular que, segundo os investigadores, mostram contato com o dono da loja antes e depois do ocorrido.
Proprietário alega conspiração e dívida pessoal
Intimado a prestar esclarecimentos, o empresário de 34 anos negou qualquer participação. Em depoimento, afirmou não saber detalhes da cobertura do seguro e disse não ter mantido conversas com os suspeitos. Para a polícia, sua defesa foi de que as acusações foram inventadas para prejudicá-lo, alegando que um dos homens envolvidos possuía uma dívida pessoal com ele.
Inquérito segue para o Ministério Público
Com as contradições nos depoimentos e as evidências colhidas – incluindo os registros de comunicação –, a Polícia Civil considerou encerradas as investigações e encaminhou o inquérito à Procuradoria de Justiça. Caberá agora ao Ministério Público analisar as responsabilidades de cada um dos cinco envolvidos identificados e decidir sobre o oferecimento de denúncia e os crimes a serem imputados, que podem incluir incêndio, furto, formação de quadrilha e tentativa de estelionato (fraude ao seguro).
A loja, que ficava localizada na região do Jardim Monumento, segue interditada e destruída. O caso aguarda a manifestação do MP para as próximas etapas judiciais.











