Em MS, um novo MEI é aberto a cada 5 minutos; formalização dispara 16% no ano

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Nos 12 meses de 2025, Mato Grosso do Sul testemunhou a abertura de 51.651 novos registros de Microempreendedores Individuais (MEIs), consolidando uma média impressionante de mais de 204 novos negócios por dia útil (considerando os 253 dias úteis do ano) ou 4.304 por mês. Os números, divulgados pela Receita Federal e compilados pelo Sebrae-MS, revelam um vigoroso movimento de formalização no estado.

O total de MEIs ativos – somando novas aberturas, registros antigos e descontando os fechamentos – saltou de 147.706 em 2024 para 171.478 em 2025, um crescimento expressivo de 16% em um ano. Atualmente, quase 70% dos CNPJs ativos no país são de MEIs, conforme aponta o economista Renato Gomes.

“Podemos atrelar esse aumento elevado ao custo que a contratação pela modalidade CLT impõe ao orçamento das empresas. Por essa razão, o MEI se torna uma alternativa de contratação mais barata”, detalha Gomes.

O economista Eduardo Matos aprofunda a análise, destacando um fenômeno conhecido como “pejotização”. “Em primeiro lugar, nós devemos considerar os motivos dessa prática, que é como chamamos quando as empresas contratam seu corpo de recursos humanos por contratos de MEI. Com isso, uma série de direitos trabalhistas não são pagos, como o recolhimento obrigatório do INSS, FGTS e, em caso de demissão, não há multa rescisória”, explicou.

Segundo Matos, essa dinâmica reduz significativamente os custos de contratação e demissão para as empresas, incentivando o registro como MEI, mas muitas vezes em uma relação de dependência laboral.

Com uma população de mais de 98,5 mil habitantes, Ponta Porã emerge como o município com o maior crescimento no número de MEIs entre as principais cidades sul-mato-grossenses (Campo Grande, Dourados, Três Lagoas e Corumbá). O aumento de formalizações no período de 2021 a 2025 alcançou 32,48%.

Dentro do município, setores específicos se destacam:

  • Serviços de beleza: Cabeleireiros, manicures e pedicures passaram de 266 negócios em 2021 para 340 em 2025.

  • Entregadores (malote não-Correios): Esta foi a atividade de crescimento mais explosivo, com um salto de 473% nos últimos cinco anos (de 15 para 86 empreendedores).

  • Consulta médica ambulatorial: Atividade ligada a modalidades mais acessíveis que planos de saúde tradicionais, cresceu 109% (de 73 para 125 negócios).

Este cenário é impulsionado por um ambiente de investimentos. A cidade é beneficiária do projeto Desenvolvimento na Faixa de Fronteira, do Mercosul, com US$ 9,6 milhões (cerca de R$ 51,6 milhões) direcionados a obras logísticas e de controle fronteiriço. Há também o programa Avança Ponta Porã, com previsão de R$ 300 milhões em investimentos estatais. Do lado paraguaio, em Pedro Juan Caballero, são mais US$ 220 milhões injetados desde 2019.

“Constata-se que a cooperação financeira, principalmente em municípios fronteiriços, permitiu resultados em termos de impacto positivo para o desenvolvimento econômico regional”, analisam pesquisadores do Instituto Avançado de Ensino Superior e Desenvolvimento Humano (Insted).

Entre as principais economias do estado:

  • Dourados aparece em segundo lugar em crescimento no período (29,9%).

  • Três Lagoas, na região da celulose, registrou crescimento médio anual de 4,52% e 24,46% no período de cinco anos.

  • Campo Grande, a capital, manteve crescimento consistente, mas menos destacado (22,7% no período).

  • Corumbá teve o menor índice de crescimento médio anual (2,90%) e foi a única a registrar uma leve queda (inferior a 1%) entre 2023 e 2024, recuperando-se com um crescimento de 8,92% entre 2024 e 2025.

Nivaldo Domingos da Rocha, presidente da Junta Comercial de MS (Jucems), atribui parte do crescimento às melhorias na burocracia. “Com o apoio da Semadesc e do Sebrae, estamos oferecendo ferramentas digitais cada vez mais ágeis e transparentes, o que facilita a abertura de negócios e estimula o empreendedorismo em todo o Estado”, afirmou.

Os dados pintam um retrato de um Mato Grosso do Sul em franca ebulição empreendedora, impulsionado por fatores econômicos estruturais, investimentos regionais e uma dinâmica de mercado que favorece a formalização individual, ainda que sob a perspectiva crítica da precarização das relações de trabalho em alguns casos.

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Edição 271