Servidores do Detran-MS fazem paralisação de 24 horas e ameaçam greve geral a partir de segunda-feira

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Os servidores do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS) realizaram ontem uma paralisação de 24 horas para reclamar da falta de concurso público e da defasagem salarial. A manifestação afetou principalmente os exames práticos para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), mas a situação pode se agravar a partir da próxima semana, já que a categoria vai votar em assembleia se deflagrará uma greve geral. O movimento acontece a seis meses das eleições estaduais.

De acordo com o Sindicato dos Servidores do Detran-MS (Sindetran-MS), metade dos servidores não compareceu ao trabalho ontem em protesto contra demandas não atendidas pelo governo do Estado. A paralisação fez parte de um estado de greve aprovado na semana passada pelos servidores em votação unânime, funcionando como um alerta para o que pode acontecer caso não haja avanço nas negociações.

Os servidores elencaram sete motivos para a paralisação e para uma possível greve por tempo indeterminado: reestruturação da carreira; reconhecimento da carreira como segurança viária; reconhecimento de todos os servidores como agentes de trânsito; valorização salarial; oito promoções atrasadas; direito pelo tempo de serviço perdido durante a pandemia; e realização de concurso público. Segundo o sindicato, a categoria não tem um concurso público há mais de dez anos, o que, na avaliação dos servidores, tem gerado sobrecarga de trabalho e contribuído para a terceirização de algumas atividades.

“A decisão foi tomada diante da ausência de avanços nas negociações com o governo do Estado e do acúmulo de demandas não atendidas ao longo dos últimos anos, como defasagem salarial, sobrecarga de trabalho, falta de estrutura e ausência de concurso público”, afirmou Bruno Alves, presidente da Federação Nacional dos Servidores de Detrans e Agentes de Trânsito Estaduais, Municipais e do Distrito Federal (Fetran) e também do Sindetran-MS, em nota.

O Detran-MS informou que a paralisação afetou principalmente os exames práticos para obtenção da CNH, sendo necessário remarcar mais de 400 exames em todo o Estado. Em nota, o órgão disse que todas as agências permanecem abertas e com atendimento ao público, mas reconheceu que, com a adesão de parte dos servidores efetivos à paralisação, cerca de 440 exames práticos tiveram que ser reagendados, garantindo que medidas estão sendo tomadas para minimizar eventuais prejuízos à população.

Como o governo do Estado decretou ponto facultativo para hoje, as agências do Detran-MS já não funcionariam neste dia. Dessa forma, a decisão sobre a continuidade do movimento ficará para segunda-feira, quando os servidores vão se reunir em assembleia pela manhã para deliberar sobre a deflagração de uma greve por tempo indeterminado. Caso a greve seja aprovada, a expectativa do sindicato é que o número de adesões seja muito maior do que o registrado na paralisação de ontem.

“Não por escolha, mas por necessidade. Por dignidade. Por respeito. O movimento busca dar visibilidade à realidade enfrentada pelos servidores, pais e mães de família, agentes de trânsito e profissionais que atuam diretamente na segurança viária, sob condições inadequadas e com impactos à saúde física e mental”, afirmou Bruno Alves na semana passada, ao justificar o estado de greve.

Um dos pontos de tensão entre os servidores e a administração do Detran-MS é a digitalização dos serviços do órgão. Enquanto a diretoria vê o processo com entusiasmo e o considera uma referência nacional, os servidores reclamam que a digitalização vem sendo feita sem a segurança necessária, o que, segundo eles, teria facilitado fraudes e o uso indevido do nome do Detran-MS. Servidores também relatam falhas frequentes nos sistemas. Em nota sobre a paralisação, o Detran-MS destacou que os canais digitais estão à disposição da população, mencionando o portal de serviços www.meudetran.ms.gov.br, o aplicativo Meu Detran MS e a assistente virtual Glória, pelo WhatsApp (67) 3368-0500.

 

(*) com informações do Correio do Estado

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Edição 276