Corpo de vítima de feminicídio é desenterrado e sofre necrofilia em MS

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O que já era um crime bárbaro se transformou em uma sequência de horror. Vera Lúcia da Silva, 41 anos, morta a tiros pelo ex-companheiro no último domingo (12) na frente da filha de 9 anos, teve o corpo desenterrado do cemitério de Eldorado e foi alvo de necrofilia. O caso, que já era investigado como o 10º feminicídio do ano em Mato Grosso do Sul, agora passa a ser tratado também como violação de sepultura e vilipêndio a cadáver.

O crime contra o corpo aconteceu entre a noite de terça-feira (14) e a madrugada desta quarta-feira (15), conforme confirmado pela Polícia Civil. Nas primeiras horas da manhã, equipes de perícia se deslocaram até o cemitério da cidade, localizada a aproximadamente 444 quilômetros de Campo Grande, na microrregião de Iguatemi.

Segundo informações repassadas pelas autoridades ao portal municipal Dourados News, o cadáver apresentava sinais claros de necrofilia. Até o momento, nenhum suspeito foi preso, e o caso segue sob investigação.

Relembre o feminicídio

Vera Lúcia da Silva mantinha um relacionamento de 13 anos com Valdecir Caetano dos Santos, 56, comerciante local que não aceitava o fim da união. No último domingo (12), ela chegava em sua residência na companhia da filha de 9 anos quando o ex-companheiro apareceu no local.

“O autor não morava mais com ela, veio ao encontro e efetuou dois disparos que a atingiram e causaram sua morte. Ato contínuo, ele tirou a própria vida com um tiro na cabeça… tudo isso presenciado pela criança”, relatou o delegado titular de Eldorado, Robilson Albertoni.

Ainda segundo o delegado, após o término do relacionamento, foram registradas ocorrências de violência doméstica, “sendo inclusive requisitadas e estavam em vigor algumas medidas protetivas em favor da vítima”.

Feminicídios em MS: números alarmantes

O assassinato de Vera Lúcia representa o 10º feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul neste ano de 2026. A marca foi alcançada um mês antes em comparação a 2025, quando a 10ª vítima, Simone da Silva, de 25 anos, foi morta a tiros na frente dos filhos em abril.

Os casos de 2026 no Estado:

  • 16 de janeiro – Josefa dos Santos (44 anos), morta a tiros pelo marido na aldeia Damakue, em Bela Vista. Ele tirou a própria vida em seguida.

  • 24 de janeiro – Rosana Candia Ohara (62 anos), assassinada a pauladas pelo marido em Corumbá.

  • 22 de fevereiro – Nilza de Almeida Lima (50 anos), morta a facadas em Coxim. O principal suspeito é o próprio filho, de 22 anos.

  • 25 de fevereiro – Beatriz Benevides da Silva (18 anos), assassinada em Três Lagoas pelo namorado, que confessou o crime.

  • 3 de março (morte em 6 de março) – Liliane de Souza Bonfim Duarte (52 anos), agredida com golpes de marreta pelo marido em Três Lagoas. Internada, não resistiu.

  • 6 de março – Leise Aparecida Cruz (40 anos), encontrada morta em Anastácio. O marido inicialmente falou em suicídio, mas confessou ter asfixiado a mulher.

  • 8 de março – Ereni Benites (44 anos), morta carbonizada pelo ex-companheiro no Dia Internacional da Mulher.

  • Data não informada – Fátima Aparecida da Silva (58 anos), encontrada morta em Selvíria. O sobrinho confessou ter matado a tia com golpes de panela e maquita.

  • Data não informada – Marlene de Brito Rodrigues (59 anos), subtenente, encontrada morta fardada na sala de casa com tiro no pescoço. O namorado, Gilberto Jarson (50 anos), é o autor.

  • 12 de abril – Vera Lúcia da Silva (41 anos), morta pelo ex-companheiro em Eldorado na frente da filha. Corpo foi desenterrado e sofreu necrofilia dias depois.

Investigações em andamento

A Polícia Civil segue apurando os responsáveis pela violação ao túmulo e pelo vilipêndio ao cadáver de Vera Lúcia. Até o fechamento desta matéria, ninguém havia sido preso. As autoridades reforçam o alerta para a escalada da violência contra a mulher no Estado e a necessidade de políticas públicas mais eficazes, especialmente para quem já possui medidas protetivas em vigor.

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Edição 277