Boom de investimentos em MS contrasta com queda bilionária no faturamento de celulose e minério

Antigos-7_Linha-13-768x416

O avanço da indústria da celulose e da mineração segue acelerado em Mato Grosso do Sul, impulsionado pela expansão das plantações de eucalipto e pela construção de novas fábricas no Estado. Porém, mesmo diante do crescimento da produção e das exportações, dois dos setores mais fortes da economia sul-mato-grossense vivem um cenário de alerta: os preços internacionais despencaram e reduziram drasticamente os lucros das gigantes do setor.

Os impactos atingem diretamente os grupos controlados pelas famílias Batista e Feffer, que aparecem entre as mais ricas do Brasil. A família Batista, dona da Eldorado Celulose e da mineradora LHG Mining, ocupa a terceira posição no ranking nacional de fortunas, enquanto a família Feffer, controladora da Suzano, aparece logo atrás entre os grandes bilionários do País.

Mesmo com o volume de exportações praticamente estável, o setor da celulose perdeu força no faturamento. Nos quatro primeiros meses de 2026, Mato Grosso do Sul exportou 2,21 milhões de toneladas de celulose — praticamente o mesmo volume registrado no mesmo período de 2025.

O problema está no valor pago pela commodity no mercado internacional. O faturamento caiu de US$ 1,124 bilhão para US$ 941 milhões, uma redução de aproximadamente US$ 183 milhões, o equivalente a quase R$ 900 milhões.

Segundo dados da Carta de Conjuntura das Vendas Externas, elaborada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, o preço médio da tonelada caiu de US$ 506 para US$ 426 no período analisado.

A retração não é recente. O setor acumula cerca de 18 meses consecutivos de queda nos preços internacionais. Em todo o ano de 2025, as fábricas instaladas em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo deixaram de faturar aproximadamente R$ 4,5 bilhões na comparação com o ano anterior.

Apesar disso, a produção continua crescendo. Em 2025, o volume exportado avançou 48%, enquanto o faturamento em dólar subiu apenas 17%, evidenciando a forte desvalorização da commodity no mercado global.

China desacelera consumo e preocupa setor

A principal justificativa para a crise nos preços da celulose é o desequilíbrio entre oferta e demanda. Em novembro do ano passado, a Suzano, considerada a maior produtora de celulose do mundo, chegou a alertar para um possível colapso global do setor.

Segundo a empresa, o excesso de oferta somado à redução do consumo, especialmente na China, tornou os preços internacionais insustentáveis. A saída apontada pelas companhias seria uma redução da produção mundial.

Mesmo assim, as indústrias instaladas em Mato Grosso do Sul seguem operando normalmente e ainda mantêm resultados positivos.

Na mineração, o cenário é ainda mais crítico. O preço médio da tonelada do minério de ferro exportado pelo Estado caiu cerca de 60% em apenas um ano.

No primeiro quadrimestre de 2025, o valor médio da tonelada exportada era de US$ 50. Em 2026, despencou para apenas US$ 20.

Ainda assim, as exportações cresceram significativamente. O volume saltou de 1,94 milhão para mais de 3 milhões de toneladas, alta próxima de 58%.

Mesmo exportando mais, o faturamento caiu fortemente: passou de US$ 97,4 milhões para US$ 62,8 milhões, redução superior a 35%.

Grande parte dessas operações ocorre na região de Corumbá, onde atua a mineradora dos irmãos Joesley e Wesley Batista.

De acordo com levantamento da revista Forbes, as famílias que controlam os principais negócios da celulose e mineração no Estado acumulam fortunas bilionárias.

Confira o ranking das famílias mais ricas do Brasil:

  • Família Moreira Salles — R$ 128 bilhões
  • Família Marinho — R$ 51 bilhões
  • Família Batista — R$ 50 bilhões
  • Família Feffer — R$ 19 bilhões
  • Família Setubal — R$ 9,95 bilhões

Enquanto os investimentos continuam avançando em Mato Grosso do Sul, especialistas observam com atenção o comportamento do mercado internacional, já que a continuidade da queda nos preços pode impactar diretamente a arrecadação, empregos e novos investimentos no Estado.

Compartilhe nas Redes Sociais

Banca Digital

Edição 277