• A Câmara Municipal de Fátima do Sul salvou o mandato do vereador Diego Cândido Batista, o Diego Carcará (PSD), preso em janeiro deste ano por derrubar um bebê de um ano e oito meses e agredir a esposa e a enteada de 12 anos. Na cidade de 19,1 mil habitantes, acusado de bater em mulher tem apoio da classe política, mais um escárnio para entrar para a anedota política sul-mato-grossense, que já conta com presos por corrupção até condenados por tráfico internacional de drogas.

    Em votação secreta, dos 11 vereadores de Fátima do Sul, apenas um votou pela cassação do corretor de imóveis Diego Carcará. Com isso, todos os vereadores da cidade passam a ser coniventes com o político preso por agredir uma criança e a esposa e ainda derrubar o filho bebê.

    Os vereadores são: José Michel Gomes, Emerson Cleber Mendes (presidente) e Ezequiel Ferreira da Silva, do PDT; Wagner Roberto Ponsiano, José Francisco Fernandes Costa e Nelson Ferreira Pisano, do PSD; Fabinho da Culturama e Laurindo Barba, do DEM (atual União Brasil); Nelsinho Construtor e Silvana Vasconcelos, do MDB.

    Conforme o boletim da Polícia Militar, Diego Carcará foi preso no dia 19 de janeiro deste ano após derrubar o filho de um ano e oito meses e a agredir a esposa de 31 anos e a enteada de 12 anos. Ele estava bêbado no momento da agressão, conforme relato da mulher à Polícia Civil.

    O vereador de 33 anos ficou preso por 19 dias, sendo 15 dentro do Presídio Estadual de Dourados. O pedido de cassação foi protocolado pelos vereadores Nelsinho Construtor e Silvana Vasconcelos. Um dos dois aproveitou que a votação era secreta e mudou de lado para salvar o réu por violência doméstica.

    O caso de Fátima de Sul é um exemplo dos valores de parte da sociedade e da classe política brasileira. O deputado estadual de São Paulo, Arthur do Val, o Mamãe Falei (sem partido), foi cassado por unanimidade e ficará inelegível por oito anos por ter feitos declarações ofensivas contra as mulheres ucranianas, vítimas da guerra da Rússia.

    Por pouco, os vereadores de Campo Grande não abriram processo por quebra decoro contra os vereadores Camila Jara (PT) e Tiago Vargas (PSD) por terem dançado no plenário do legislativo.

    O Estado coleciona casos, como o do deputado estadual Gerson Claro (PP), que foi eleito após ser preso pelo Gaeco na Operação Antivírus, que denunciou um esquema de desvio milionário no Detran. O prefeito de Aral Moreira, Alexandrino Arévalo (PSDB), foi reeleito mesmo tendo sido condenado por tráfico internacional de drogas.

    E há caso de vereadora denunciada por roubo de gado, por tráfico de drogas… Enquanto em países civilizados, políticos renunciam por uma simples mentira, em Mato Grosso do Sul, nem a condenação por crimes gravíssimos desabona a estatura dos políticos.

     

    Fonte: O Jacaré

    Deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *