• União entre Polícia Civil, Ministério Público, Judiciário e Conselho Tutelar garante combate intenso na cidade.

     

    Com 16 casos de estupro de vulneráveis apenas esse ano, Água Clara vive um novo momento em sua história, e o intenso combate aos crimes sexuais se tornou realidade no município por conta da união entre os poderes em prol de uma mesma causa, inibir esse tipo de conduta na cidade.

    De acordo com o delegado da Polícia Civil Dr. Felipe Rossato, essa mudança no município pode ter como uma de suas causas a inauguração da Sala Lilás e o atendimento especializado e humanizado das vítimas.

    “Hoje temos a Sala Lilás aqui, e a delegacia oferece um atendimento humanizado para essa vítima. O atendimento é prioritário e especializado, até a forma de colher o depoimento é diferente. Precisamos entender que a vítima de violência doméstica e sexual não tem para onde ir, e oferecer um lugar de acolhimento e um atendimento de qualidade muda até a forma como a população vê o trabalho. As pessoas confiam cada vez mais na polícia e se sentem seguras para denunciar”, afirmou o delegado.

    A Sala Lilás foi inaugurada em Água Clara em 29 de novembro de 2021, ela é idealizada para oferecer um atendimento diferenciado e qualificado às mulheres em situação de violência. Além de atender mulheres, também é equipada para o atendimento de crianças e adolescentes, no local existem brinquedos, o ambiente é acolhedor e o atendimento é sempre prioritário.

    Outro ponto importante destacado pelo delegado em entrevista à reportagem do Expressão MS foi a união entre os poderes no município na luta contra os crimes sexuais. Ele relatou que tanto a Polícia Civil, quanto o Ministério Público, o Judiciário e os órgãos municipais como o Conselho Tutelar estão alinhados nesse combate, o que deixa o trabalho muito mais eficiente, como comprovam os dados da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública). De acordo com o órgão, o número de crimes registrados nos primeiros seis meses deste ano – 16 casos até o momento – já ultrapassa o número de casos registrados em todo ano de 2021, um total de 12 casos.

    Casos recentes

    A Polícia Civil, por intermédio da Delegacia de Polícia de Água Clara, prendeu um homem suspeito de ter estuprado uma criança de apenas cinco anos na madrugada desta sexta-feira (8). Ele é acusado de abusar e estuprar uma criança de 5 anos de idade, que dormia com outra irmã de 3 anos. O acusado aproveitou a ausência da mãe e do padrasto e invadiu a casa e o quarto das crianças e abusou da menina mais velha.

    A criança, chorando, confirmou que o homem havia mexido em suas partes íntimas, beijado seu rosto e também mostrado o pênis a ela. Com as informações a Polícia Civil prendeu o suspeito que está a disposição da justiça.

    Outro caso registrado no início desse mês de julho é o de uma mãe que flagrou um professor de música trancado no banheiro da escola com sua filha de 9 anos. No início foi dito que estavam limpando o banheiro, mas depois a criança confessou para a mãe que o professor havia tido contado com ela em suas partes íntimas, o que foi confirmado por exames posteriores. O professor foi preso e também está a disposição da justiça.

    Operação Acalento e a luta nacional aos crimes contra crianças e adolescentes

    A 1ª etapa da operação foi deflagrada em julho de 2021, comandada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), a operação incluiu a Polícia Civil dos 26 estados e do Distrito Federal com o objetivo de combater crimes de violência contra crianças e adolescentes no país.

    A operação foi inédita e aconteceu em 1.047 municípios. De acordo com o MJSP, essa primeira etapa contou com a participação de cerca de 6.400 agentes da Polícia Civil em todo país.

    Apenas em Mato Grosso do Sul na 1ª etapa da operação, 76 pessoas foram presas em flagrante, também foram cumpridos 60 mandados de prisão e emitidas 31 medidas protetivas.

    Já a 2ª etapa da operação foi deflagrada no dia 13 de junho e segue vigente até o dia 13 deste mês.

    Até o momento, a Polícia Civil do estado, já realizou durante a operação 14 prisões por crimes de abuso sexual contra crianças e adolescentes.

    Confira abaixo a lista:

    • 3 em Ponta Porã
    • 2 em Dourados
    • 1 em Nova Alvorada do Sul
    • 3 em Campo Grande
    • 1 em Jardim
    • 1 em Aquidauana
    • 3 em Água Clara

    A situação no Brasil

    Dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em março deste ano mostram que o país registrou cerca de 153 estupros de vulnerável por dia no ano passado.

    Segundo a análise de dados da ONG a maioria dos casos de estupro de vulnerável acontece dentro de casa, envolvendo crianças e adolescentes, e em geral, o autor do crime é uma pessoa da família ou próxima à família.

    Os dados ainda mostram mais um índice alarmante, o Mato Grosso do Sul ficou entre os 4 estados com maior índice, acima da média nacional e com números acima de 100 para cada 100 mil habitantes.

    Água Clara tem números preocupantes em relação a essa estatística, pois enquanto o número de casos vem caindo a nível nacional, o município já registrou nos primeiros seis meses de 2022 mais casos que todo o ano de 2021. Em relação a prisões, só nesta última fase da Operação Acalento, o município registrou o mesmo número de prisões de cidades como Ponta Porã e Campo Grande, com população muito maior.

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