A juíza Eucélia Moreira Cassal, da 3ª Vara Criminal de Campo Grande, aceitou a denúncia e o ex-prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad (PSD), virou réu por assédio sexual e crimes contra a dignidade sexual de sete mulheres. Ele também teve outra derrota, porque a magistrada rejeitou queixa-crime por calúnia e injúria feita por uma das supostas vítimas.

Marquinhos começou a enfrentar uma saraivada de denúncias após deixar a prefeitura e oficializar a intenção para disputar o cargo de governador do Estado. Ele chegou a liderar as pesquisas, mas terminou a disputa em 6º lugar. Foi um tombo para quem vinha de uma carreira construída por vitórias, como vereador, deputado estadual e prefeito da Capital por dois mandatos.

A tese do ex-prefeito, de que era vítima de um complô armado pelos tucanos para prejudica-lo na disputa, não prosperou. Primeiro, ele foi indiciado pelos crimes pela delegada Maíra Pacheco Machado, da Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher de Campo Grande.

Em seguida, o ex-prefeito foi denunciado pelos crimes de assédio sexual e tentativa de estupro pelo Ministério Público Estadual. A denúncia foi protocolada pelo promotor Alexandre Pinto Capiberibe Saldanha, que incluiu o empresário André Luiz dos Santos, o André Patrola, por favorecimento à prostituição contra três mulheres.

A magistrada acatou a denúncia feita pelo MPE contra Marquinhos Trad, conforme o Midiamax e o Campo Grande News. A primeira vítima é uma mulher que teria sido assediada ao ir ao gabinete do prefeito para pedir a transferência de secretaria. Marquinhos é acusado de tentar beijá-la e assedia-la pelo WhatsApp.

O mesmo ocorreu com a segunda vítima, uma líder comunitária, que teria ido pedir pavimentação asfáltica. Ele a teria beijado de forma “melada, pegajosa e libidinosa”, conforme o relato do promotor.

A terceira teria sido vítima de exploração sexual e teria conseguido ser nomeada para receber pelo Proinc sem trabalhar em troca de relações sexuais com Marquinhos no Paço Municipal, conforme a denúncia. Ela foi vítima de André Patrola.

A quarta vítima teria apontado atos libidinosos no gabinete do prefeito ao tentar emprego. A tentativa de relação sexual ocorreu no banheiro do gabinete. A quinta vítima também iniciou o contato em busca de emprego e teve, conforme o promotor, cinco encontros sexuais com o ex-prefeito. Ele pagou de R$ 500 a R$ 700 por cada encontro.

A sexta mulher também relatou ter mantidos encontros no gabinete. A sétima vítima teria sido assediada em maio deste ano durante a pré-campanha eleitoral do Governo do Estado.

Conforme o Midiamax, a juíza também determinou, no despacho de 16 de dezembro do ano passado, a quebra do sigilo de dados telemáticos do celular do ex-prefeito. A medida pode reunir provas contra Marquinhos e complica-lo ainda mais na defesa perante o Poder Judiciário.

Ao Campo Grande News, a advogada Rejane Flores, afirmou que vai esperar ser notificada para apresentar a defesa no prazo estabelecido pela juíza. A próxima fase será marcar a audiência de instrução e julgamento do ex-prefeito.

Já a rejeição da queixa-crime está publicada na edição do Diário Oficial da Justiça desta terça-feira (10). “Portanto, diante da ilegitimidade da parte ativa para propor a presente demanda, rejeito a queixa-crime, com fundamento nos artigos 24 e 395, inciso II, do Código de Processo Penal”, concluiu a magistrada, no trecho publicado.

Marquinhos é o segundo prefeito da Capital a ter, digamos, transtornos com a polícia. O primeiro foi Gilmar Antunes Olarte (sem partido), também evangélico, que foi preso e acabou condenado a oito anos e quatro meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Antes considerada um trampolim para quem deseja ser governador de Mato Grosso do Sul, a prefeitura da Capital vem se notabilizando, nos últimos anos, em parada obrigatória para quem deseja ter problemas com a polícia ou Justiça.

Alcides Bernal (PP) foi condenado por improbidade administrativa e Nelsinho Trad (PSD) foi alvo de uma série de denúncias por corrupção, improbidade administrativa e teve os bens bloqueados em várias denúncias.

Fonte: O Jacaré

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