Na noite de quinta-feira (30), ocorreu a audiência pública com o tema: Dependência química e reflexos na família e na sociedade, proposta pelo vereador Dr. Issam Fares Júnior, com apoio dos demais vereadores.

Na ocasião foram convidados membros da igreja Peniel, do programa de recuperação do Desafio Jovem Peniel, que lotaram o Plenário da Câmara.

Participaram ainda da reunião, as vereadoras Evalda Reis, Sirlene dos Santos Pereira e Sayuri Baez, e também, o assessor da 1ª Vara Criminal, Rogério Santos (representando o juiz Dr. Rodrigo Pedrini Marcos), o  promotor de justiça, Luciano Lara e o psicólogo Sidney Ferreira.

“A dependência química é algo que, infelizmente, acomete a nossa sociedade de uma forma bastante avassaladora, ligado ao narcotráfico e contrabando de diversas coisas. E, quando temos um familiar envolvido, além do dependente, toda família adoece. Muitas famílias padecem com isso. Por isso, a necessidade dessa discussão”, pontuou o vereador Dr. Issam, ao fazer a abertura da audiência.

O presidente da Câmara, Dr. Cassiano Maia, não pode comparecer, mas fez questão de encaminhar um vídeo. Na gravação, ele ressaltou que se trata de um assunto que merece ter muita atenção. Destacando um olhar especial, com os jovens, como forma de inclusive, resgatar famílias. Ele ainda falou da importância do programa Desafio Jovem Peniel e de se copilar ideias, elencando principais problemas e encontrar soluções, durante a audiência.

Na sequência foi apresentado um vídeo sobre o programa, onde foram mostrados o local onde são realizadas as ações e o depoimento do pastor Wellington Antunes.

A audiência teve início com a palestra do promotor de justiça Luciano Lara, que está à frente da 9ª Promotoria de Justiça. Ele apresentou dados referentes a crimes registrados, no município, cujos os autores, em sua grande maioria, tem envolvimento com o álcool e a droga. “Toda a sociedade padece, devido a exploração do tráfico de drogas e a doença, que é a dependência”

Quanto ao álcool, ele citou ainda que é uma droga social, se referindo ainda que se trata de “droga de entrada”, danosa, tão presente nas famílias e na sociedade.

A proposta de descriminalização da droga, no Brasil, também foi mencionada pelo promotor, bem como, que desde 2009, se proibiu a internação contra a vontade do usuário e que o tratamento passou a ser previsto nas unidades de saúde, lembrando ainda do trabalho feito pela Peniel.

“Poucos trabalhos são feitos no Brasil, como o que tem feito a igreja Peniel”, frisou.

Por fim, ele parabenizou a Câmara, pela iniciativa do debate e sugeriu que os representantes do Legislativo, façam emendas, disponibilizem recursos, para investimento em ações de combate ao álcool e as drogas.

A enfermeira, com formação em psicanálise clínica, Juliana Dias Reis Pessalacia, responsável pelo programa famílias fortes, em Campo Grande e Três Lagoas, também palestrou. Ela falou da relação da dependência química e reflexos na família e sociedade.

Juliana fez um breve histórico sobre o uso de substâncias, desde a antiguidade, bem como, uso de determinados termos e conceitos, frisando, sobretudo, que a dependência química deve ser vista como uma doença. E, neste sentido, é extremamente importante a elaboração de políticas públicas tanto para o tratamento, quanto para prevenção.

Outro ponto, destacado foi o contexto familiar (importância de fortalecimento), aliciamento de menores pelo tráfego e a divulgação do programa famílias fortes.

O psicólogo Sidney Ferreira falou da reativação do Conselho Municipal Antidroga, que atua em três frentes: prevenção, repressão e tratamento. Ele destacou o tratamento oferecido pelos CAPS e que seria necessário também unidades de saúde similares, para atendimento de crianças. “Mas, é uma luta nossa trabalhar com o tratamento de nossas crianças”.

A lei 11.343, que trata de medidas de prevenção, foi um dos focos da apresentação do psicólogo.

Ao final, houve o relato de Luciana Cardoso do Nascimento Silva, hoje professora e mestranda, em Educação, da UFMS, que passou por tratamento no programa de recuperação Desafio Jovem Peniel. Ela falou do contato inicial com as drogas e dos percalços, devido ao consumo, incluindo a perda dos filhos (recolhidos pela justiça).

Encerrando, foi a vez do pastor Wellington Antunes. Ele ressaltou as primeiras ações para tratamentos de dependentes químicos, citando as comunidades terapêuticas, num breve histórico, visando contextualizar a questão da legislação, referente às drogas: deixou de ser uma questão de polícia para ser uma questão de saúde. Hoje, existem 2 mil comunidades terapêuticas, no Brasil, atendendo cerca de 40 mil pessoas.

Ainda durante a audiência pública, a vereadora Sayuri Baez parabenizou o pastor Wellington e voluntários pelo trabalho realizado, há tantos anos e de tamanha importância para o município.

A vereadora Evalda Reis também fez questão de destacar a importância de trabalhos sociais e aproveitou para informar que formalizou um ofício, junto a administração municipal, para que os membros da igreja possam participar do conselho municipal referente as questões das drogas.

Sirlene dos Santos Pereira também felicitou os membros da igreja. “Vocês são vencedores, nunca desistam. Nós temos que unir nossas forças, para lutar, pois o programa tem que continuar, conte comigo”, frisou a parlamentar.

O propositor da audiência, vereador Dr. Issam Fares Júnior, falou da seriedade do tratamento para dependentes de droga e álcool, enaltecendo, os 45 anos de atuação do programa da igreja Peniel. “Nós, vereadores aqui presentes, mais o presidente da Câmara, estamos comprometidos em correr atrás de emendas para ajudar o programa Desafio Peniel e ajudar na entrada de vocês no Conselho Municipal”.

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