Três Lagoas se consolida como polo de empregos formais, mas informalidade ainda é desafio

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Dados do Ministério do Trabalho mostram saldo positivo de 330 vagas com carteira assinada, enquanto especialistas alertam para a necessidade de políticas de formalização

Thais Dias

Reconhecida como a capital nacional da celulose, Três Lagoas vem se consolidando como um dos principais motores econômicos de Mato Grosso do Sul, com um mercado de trabalho em constante expansão. Dados recentes do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) revelam que, nos primeiros meses de 2025, o município registrou um saldo positivo de 330 vagas formais, reforçando sua posição entre as cidades com maior geração de empregos no estado.

No geral, Mato Grosso do Sul fechou o último mês com 41.338 admissões contra 33.005 desligamentos, um crescimento líquido de 8.333 postos de trabalho com carteira assinada. Entre os municípios com melhor desempenho, a capital Campo Grande lidera com 2.600 novas vagas, seguida por Inocência, que registrou 535 oportunidades a mais, impulsionada pela instalação da fábrica de celulose da Arauco.

Três Lagoas aparece como um dos destaques, sustentando sua vocação industrial e logística. O município, que já abriga gigantes como a Suzano e a Eldorado Brasil Celulose, tem atraído novos investimentos, gerando empregos diretos e indiretos.

A Casa do Trabalhador de Três Lagoas tem sido um termômetro desse movimento. De acordo com o órgão municipal, mais de 200 vagas são disponibilizadas diariamente, variando entre indústria, comércio, serviços e construção civil.

Entretanto, o dinamismo do mercado também significa alta rotatividade. Muitos trabalhadores são contratados para projetos temporários ou terceirizados, o que exige políticas de requalificação para garantir recolocação rápida.

Apesar do crescimento no emprego formal, um contingente significativo de trabalhadores ainda está à margem da legislação trabalhista. Dados do IBGE estimam que cerca de 30% da força de trabalho em Três Lagoas atue na informalidade, especialmente em setores como:

Construção civil (pedreiros, serventes e pintores autônomos), comércio ambulante (feiras e vendas informais), serviços domésticos (diaristas sem registro).

“O emprego sem carteira é uma realidade em cidades que crescem rápido, mas onde nem todos conseguem se inserir no mercado formal. Muitos trabalhadores acabam aceitando condições precárias por falta de opção”, analisa o economista João Ribeiro, professor da UFMS.

Para reduzir a informalidade, especialistas sugerem a criação de programas de formalização com redução de burocracia e incentivos fiscais para microempreendedores, fiscalização mais ativa contra empresas que descumprem as leis trabalhistas, capacitação profissional para que trabalhadores informais possam acessar melhores oportunidades.

Com a expectativa de novos investimentos industriais e a ampliação da malha logística, Três Lagoas deve continuar gerando empregos. Projetos em discussão, como a expansão de fábricas de papel e a chegada de novas distribuidoras, podem abrir mais vagas ainda este ano.

Por outro lado, o desafio será garantir que esse crescimento seja sustentável e inclusivo. “Precisamos transformar empregos temporários em carreiras estáveis e trazer os informais para a economia regulamentada”, conclui Ribeiro.

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