Onça-pintada ataca cachorro e fere dono no Pantanal; grupo descarta ‘ataque’ e classifica caso como incidente

Reprodução/Divulgação

Autoridades reforçam orientações para evitar atrair animais silvestres após caso em Corumbá; prática de ceva ilegal ainda preocupa ambientalistas

 

Thais Dias

Um novo encontro entre humanos e onças-pintadas no Pantanal de Mato Grosso do Sul reacendeu o debate sobre a convivência entre a fauna silvestre e a população local. Na noite de quarta-feira (6), Valdinei da Silva Pereira foi surpreendido por uma onça-pintada enquanto voltava para casa próximo ao Mirante da Capivara. O felino teria mirado seu cachorro, que foi levado pelo animal, enquanto Valdinei sofreu ferimentos e precisou ser socorrido.*

Em coletiva realizada na quinta-feira (7), no Ibama de Corumbá, o Grupo Técnico Onça Urbana Corumbá-Ladário esclareceu que o episódio foi um “incidente”, e não um ataque direto ao humano. Estiveram presentes representantes da Polícia Militar Ambiental (PMA), Fundação de Meio Ambiente do Pantanal, Jaguarte, Ibama e Instituto Homem Pantaneiro (IHP).

De acordo com Diego Viana, pesquisador da Jaguarte, a onça agiu por instinto, visando o cachorro como presa fácil. “O animal é irracional. Para ele, foi uma oportunidade: se tem um cachorro com gasto energético menor, não precisa correr atrás de macaco”, explicou.

Valdinei teve lesões na testa, olho direito e nariz, além de dores no tórax. Seu cão não resistiu. O caso lembra o ataque fatal a Jorge Ávalo, ocorrido em abril, quando uma onça o matou às margens do Rio Miranda. Na ocasião, a onça “Irapuã” foi removida da região.

Orientações para evitar novos incidentes

Desde março, moradores têm sido alertados sobre guardar animais domésticos e manter o lixo recolhido, evitando atrair onças. Fabiane Souza, analista do Ibama, reforçou que cães soltos à noite são alvos fáceis, funcionando como uma “ceva indireta”.

O grupo também destacou o uso de repelentes luminosos e monitoramento por câmeras para afugentar os felinos. No entanto, antes de qualquer captura, é necessário estudo comportamental para identificar padrões de movimento.

A ceva – uso de iscas para atrair onças – é proibida no MS desde 2015, mas ainda ocorre em pesqueiros turísticos. Ambientalistas alertam que a prática aproxima os animais de áreas habitadas, aumentando os riscos. Um Projeto de Lei (139/2023) da deputada Gleice Jane (PT) propõe multas de até R$ 78,9 mil para quem realizar ceva.

Enquanto as autoridades reforçam medidas preventivas, o caso de Valdinei serve de alerta: a convivência entre humanos e onças no Pantanal exige cuidado redobrado, especialmente à noite.

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