Empresa de MS com dívida milionária era elo do PCC em esquema de combustíveis, revela operação

Investigação mostrou que Copape, de Campo Grande, devia R$ 563 mi e operava com fintechs para lavar dinheiro da facção. Estado tem 8 alvos em Iguatemi e Dourados

 

Uma das maiores devedoras do fisco federal em Mato Grosso do Sul, a formuladora de combustíveis Copape, sediada em Campo Grande, é um dos principais alvos da Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (28) por uma força-tarefa coordenada pelo Ministério Público de São Paulo. A empresa deve R$ 563,5 milhões em tributos federais, conforme dados da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), e é apontada como peça fundamental em um esquema de lavagem de dinheiro e fraudes que beneficia o crime organizado, incluindo o PCC (Primeiro Comando da Capital).

A operação, considerada a maior já realizada contra a estrutura financeira da facção, tem participação da Polícia Federal, Receita Federal e Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). Em Mato Grosso do Sul, os mandados de busca e apreensão são cumpridos em Iguatemi (7 alvos) e Dourados (1 alvo), contra empresas do núcleo operacional da cadeia de combustíveis.

Conforme investigação, a Copape é um elo com fintechs sediadas em São Paulo, como o BK Bank, que movimentou R$ 17,7 bilhões de forma suspeita. A Receita Federal estima que o esquema criminoso tenha sonegado R$ 1,4 bilhão em tributos federais e R$ 7,6 bilhões em estaduais. Só em MS, a Copape – ligada à distribuidora Aster – sonegou quase metade dos tributos federais.

A Aster, que teve suas atividades suspensas pela ANP (Agência Nacional do Petróleo) em 2024, foi a principal cliente do BK Bank, recebendo R$ 2,22 bilhões das movimentações suspeitas. Formalmente pertencente ao empresário Roberto Augusto Leme da Silva (conhecido como Beto Louco), a empresa seria, na verdade, controlada por Mohamed Hussein Mourad, que também estaria ligado à Copape. O grupo era dirigido por um testa de ferro, Renato Steinle de Camargo.

Segundo as autoridades, o esquema incluía adulteração de combustíveis – com metanol importado desviado para fabricação de gasolina fraudulenta – e achaque a donos de postos independentes para venderem seus pontos sob ameaça de morte.

Além da Copape, outra grande devedora em MS é a Vetor Comércio de Combustíveis Ltda., de Iguatemi, que deve R$ 1,72 bilhão ao fisco federal. Não há confirmação de que a empresa seja alvo desta operação, mas ela já é investigada pela Receita Federal.

A Operação Carbono Oculto cumpre mais de 350 mandados em todo o país. De acordo com a Receita, os recursos desviados eram lavados por fintechs e usados para aquisição de bens como caminhões, imóveis de luxo em Trancoso (BA) e fazendas em São Paulo.

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Edição 257