Senadores e deputados de MS apoiam CPMI para investigar caso Banco Master

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Dois senadores e quatro deputados federais por Mato Grosso do Sul aderiram, na última segunda-feira (29), à mobilização no Congresso Nacional pela criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o caso envolvendo o Banco Master. A iniciativa, que também inclui um novo pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, ganhou força nas últimas horas e já conta com mais de 160 assinaturas de deputados, aproximando-se da meta de 171 necessárias para sua apresentação formal, além das 27 dos senadores.

Os parlamentares sul-mato-grossenses que assinaram os requerimentos são os senadores Tereza Cristina (PP) e Nelsinho Trad (PSD), e os deputados federais Rodolfo Nogueira (PL), Marcos Pollon (PL), Dr. Luiz Ovando (PP) e Beto Pereira (PSDB).

Em entrevista, o senador Nelsinho Trad afirmou que o pedido surge diante de um escândalo político e financeiro que precisa ser esclarecido. “Uma situação que, no mínimo, precisa ser devidamente esclarecida”, disse, referindo-se às denúncias que envolvem, entre outros, o ministro Alexandre de Moraes.

A senadora Tereza Cristina declarou que, mesmo em recesso, permanece atenta às graves acusações. “É dever do Senado acompanhar e fiscalizar. O Legislativo não pode se omitir. Já assinei o pedido de CPMI para investigar o caso, pois reforço que ninguém, nos Três Poderes, está acima da lei”, afirmou.

Os deputados federais foram incisivos em suas declarações. Em suas redes sociais, Rodolfo Nogueira fez duras críticas ao governo. “O Brasil voltou à normalidade, sim, voltou. À normalidade da corrupção, dos escândalos, dos cofres públicos sangrando”. Ele defendeu a CPMI como instrumento essencial para “garantir transparência e responsabilização” diante de um escândalo que, em suas palavras, “envolve todo mundo: políticos, Supremo Tribunal Federal, bancos, poder econômico”.

O deputado Marcos Pollon, que participou de uma reunião de emergência da bancada de oposição, foi enfático ao comparar o caso. “Esse é o maior escândalo que poderia se acometer sobre uma nação, pois os seus protagonistas são membros da mais alta corte”. Pollon, que já havia protocolado um pedido de impeachment contra Moraes em agosto, relacionou as denúncias a um ataque à segurança jurídica. “O direito e as garantias fundamentais vêm sendo solapados pelo Supremo. Usurparam as competências dos outros poderes… Risco real de perdermos a credibilidade”.

Ele confirmou que a oposição protocolou um novo pedido de impeachment contra o ministro, que já conta com mais de 170 assinaturas de parlamentares.

O deputado Dr. Luiz Ovando, que também assinou ambos os pedidos, justificou seu apoio. “Assinei sim o pedido de impeachment de Moraes e apoio a CPMI do Banco Master porque o Brasil não pode normalizar abusos de poder”. Ele ressaltou que a ação não é por vingança, mas um ato de “coragem cívica” e compromisso com a democracia. “Quando um ministro concentra poderes, ignora garantias legais… o Parlamento tem o dever de reagir”.

Já o deputado Beto Pereira focou na necessidade de restaurar a confiança no sistema. “Precisamos investigar esse fato que coloca em jogo a credibilidade das instituições financeiras do Brasil. Precisamos investigar para restaurar a confiança”, concluiu.

A movimentação parlamentar ocorre em meio às investigações sobre o Banco Master, liquidado pelo Banco Central, e às denúnças publicadas pela imprensa sobre supostos conflitos de interesses envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa. As acusações incluem emissão fraudulenta de títulos de crédito pelo banco, causando prejuízos a investidores.

A CPMI, caso instalada, terá o poder de convocar autoridades, quebrar sigilos e produzir um relatório com possíveis indicações de crime. O andamento dos requerimentos deve ser um dos primeiros temas de impacto no Congresso Nacional com o fim do recesso parlamentar.

 

(*) com informações de Correio do Estado

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Edição 272