A família de Eliza Samudio, vítima de um dos crimes mais notórios do país, se viu forçada a reviver uma dor histórica. Um passaporte em nome da modelo, assassinada em 2010 pelo ex-goleiro Bruno Fernandes, foi encontrado em Portugal na última sexta-feira (2) e entregue ao Consulado-Geral do Brasil em Lisboa. A origem do documento e como ele foi parar no país europeu permanecem um mistério.
Em contato com o g1 MS, Maria do Carmo, madrinha do filho de Eliza e representante legal de Sônia Moura, mãe da modelo, expressou profundo desalento. Para a família, a ampla divulgação da notícia é vista como uma “crueldade” e um “fatoide lamentável em cima da dor de dois seres humanos”. Ela foi enfática ao afirmar que não há qualquer dúvida sobre o destino trágico de Eliza, cuja certidão de óbito foi expedida pela Justiça de Minas Gerais em 2013, mesmo com o corpo nunca tendo sido localizado.
“Tudo isso não passa de um factoide lamentável em cima da dor de dois seres humanos. Não há qualquer dúvida de que Eliza está morta”, declarou Maria do Carmo, referindo-se a si mesma e ao neto, Bruninho, hoje com 15 anos.
Apesar do abalo, a família demonstrou interesse em ter acesso ao passaporte, desde que sua autenticidade seja comprovada. O Consulado-Geral em Lisboa informou que fez uma consulta oficial ao Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, para definir os trâmites do documento, mas ainda aguarda um posicionamento.
O caso Eliza Samudio chocou o Brasil há 15 anos. A modelo, então com 25 anos e mãe de um bebê recém-nascido fruto do relacionamento com Bruno, desapareceu em 2010. As investigações concluíram que ela foi sequestrada no Rio de Janeiro e levada para um sítio do ex-goleiro em Esmeraldas (MG), onde foi mantida em cárcere privado.
Segundo a denúncia, Eliza foi posteriormente asfixiada pelo ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como “Bola”, a mando de Bruno, que teria ordenado o sumiço do corpo. O bebê foi encontrado mais tarde com desconhecidos em Ribeirão das Neves.
Em 2013, Bruno Fernandes foi condenado a 22 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver. Após cumprir parte da pena, o ex-atleta foi para o regime semiaberto em 2018 e obteve liberdade condicional










