Bebê de 1 mês internada com múltiplas fraturas nas costelas em Campo Grande; pais prestam esclarecimentos

santacasa

Uma bebê de apenas um mês de vida foi internada na Santa Casa de Campo Grande com múltiplas fraturas nas costelas, em um caso que mobilizou a Polícia Militar, a assistência social do hospital e as autoridades policiais na tarde desta segunda-feira (6). Os pais da criança, uma menina nascida em 23 de novembro de 2025, foram conduzidos à delegacia para prestar esclarecimentos. O boletim de ocorrência foi registrado pelos crimes de lesão corporal culposa (sem intenção de machucar) e omissão de socorro.

A Polícia Militar foi acionada após um alerta formal da assistência social do hospital, que notou a gravidade das lesões e suspeitou de maus-tratos. A criança estava sob cuidados médicos na ala pediátrica. De acordo com o relatório da assistente social da Santa Casa, os exames de imagem detectaram um quadro grave: fraturas do 2º ao 8º arco costal do lado direito e do 2º ao 7º do lado esquerdo, além de um pequeno a moderado derrame pleural (acúmulo de líquido) no lado direito do tórax.

Em depoimento, os pais apresentaram uma versão dos fatos. A mãe relatou à polícia que as lesões teriam acontecido no domingo, 4 de janeiro, quando o pai da bebê tentou fazer uma massagem torácica para aliviar supostas cólicas e gases. Segundo ela, o genitor teria aplicado uma “força excessiva sem perceber”.

O casal admitiu que não procurou atendimento médico imediato após o ocorrido. A justificativa apresentada foi dupla: a criança não apresentava sinais aparentes de dor intensa e a família alegou falta de recursos financeiros. A mãe afirmou que só levou a filha à UPA do Leblon após receber seu salário. De lá, devido à complexidade dos ferimentos, a bebê foi transferida para a Santa Casa, onde os exames revelaram a extensão das fraturas.

O pai, identificado como Elias, confirmou o relato. Disse à polícia que realizou a massagem com a intenção de ajudar a filha, mas reconheceu que usou força exagerada porque estava “nervoso com o choro da criança”. Ele também afirmou ter ligado para o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) no dia do ocorrido, mas não conseguiu comprovar a ligação, pois não apresentou nenhum registro da chamada às autoridades.

No momento da chegada da PM ao hospital, o pai não estava no local. Ele havia saído com a justificativa de buscar roupas para a bebê e só retornou à Santa Casa após ser contatado insistentemente pela assistência social.

A bisavó da criança foi chamada ao hospital para acompanhar a internação da neta enquanto os pais eram levados para a delegacia. A mãe foi liberada após ser ouvida preliminarmente pelo delegado responsável. O Conselho Tutelar foi acionado tanto pela Polícia Militar quanto pela equipe de assistência social do hospital, mas, conforme o registro policial, não compareceu. O boletim de ocorrência relata que uma conselheira, contactada via Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (CIOPS), teria se recusado a ir até o local.

O caso segue sob investigação da polícia civil para apurar todas as circunstâncias e a veracidade das versões apresentadas. A condição de saúde da bebê permanece sob cuidados médicos.

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Edição 269