Justiça aceita denúncia e torna réus deputado Neno Razuk e mais 19 por esquema armado do jogo do bicho em MS

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A Justiça de Mato Grosso do Sul aceitou a denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e tornou réus 20 pessoas acusadas de integrar uma organização criminosa armada voltada à exploração do jogo do bicho. O caso é alvo da 4ª fase da Operação Successione, deflagrada em dezembro do ano passado.

Entre os denunciados estão figuras de notoriedade política: o deputado estadual Roberto Razuk Filho, conhecido como Neno Razuk, seu pai, Roberto Razuk, e dois irmãos, Rafael Godoy Razuk e Jorge Razuk Neto. A família é apontada pelo Ministério Público Estadual (MPE) como a responsável pelo comando central do grupo criminoso, com base na cidade de Dourados.

A decisão, proferida pela 4ª Vara Criminal de Campo Grande, considerou que a denúncia atende a todos os requisitos legais e descreve fatos relacionados à disputa pelo controle das atividades ilegais na capital e no interior do estado.

De acordo com a acusação, o esquema atuava com estrutura corporativa, incluindo divisão de tarefas e rígido controle financeiro. As investigações apontam o uso de empresas de fachada para ocultar as atividades ilegais e a tentativa de interferência em licitações públicas.

A denúncia descreve ainda a utilização de violência e a corrupção de agentes públicos para assegurar a operação e expandir o território. Foram citados, por exemplo, três casos de roubo praticados contra operadores de um grupo rival em outubro de 2023, em Campo Grande.

Os investigados respondem formalmente pelos crimes de organização criminosa, exploração do jogo do bicho, lavagem de dinheiro e corrupção ativa.

As provas colhidas pelo Gaeco incluem dados de interceptações telemáticas que, segundo o MPE, revelam a estrutura interna do esquema e a movimentação financeira ilícita. Documentos financeiros demonstram a compra de bens móveis e imóveis em nome de terceiros para ocultar a origem dos recursos.

Durante as fases da operação, foram apreendidas mais de 700 máquinas de apostas ilegais, armas de fogo, munições e mais de R$ 270 mil em dinheiro.

Com a abertura da ação penal, os acusados serão oficialmente citados e terão prazo de dez dias para apresentar sua defesa. A decisão judicial também determinou a anexação das medidas cautelares de busca e apreensão e de sigilo telemático ao processo principal, para que sirvam de prova na fase de instrução.

O advogado João Arnar, que defende os quatro membros da família Razuk, informou que seus clientes ainda não foram citados e, portanto, não tiveram acesso ao conteúdo integral da denúncia. “Tão logo que forem citados, tomarão conhecimento da acusação, farão os exames e apresentarão a defesa. Daí irão se pronunciar”, afirmou o defensor.

A aceitação da denúncia marca o início da fase judicial do caso, que agora segue para a citação dos réus e a apresentação das contestações, caminhando para eventual julgamento.

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Edição 269