PF deflagra segunda fase da operação que investiga fraude de R$ 17 bi no Banco Master

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A Polícia Federal deu início, na manhã desta quarta-feira (14), à segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de crimes financeiros de grande porte envolvendo o Banco Master e seu controlador, o empresário Daniel Vorcaro. Os mandados, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), estão sendo cumpridos nos estados de São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

Ao todo, são 42 mandados de busca e apreensão, além de medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que ultrapassam R$ 5,7 bilhões. A operação tem como objetivo, segundo as autoridades, interromper a atuação de uma suposta organização criminosa e recuperar ativos desviados.

As investigações apuram a prática dos crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.

Esta é uma nova etapa de uma investigação que já havia levado à decretação da falência do Banco Master em novembro do ano passado. A primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro, apurava a concessão de créditos falsos, em um esquema que pode ter movimentado até R$ 17 bilhões em títulos forjados.

O Banco Master chegou a ser alvo de uma proposta de compra pelo BRB (Banco de Brasília) no valor de R$ 2 bilhões em março de 2025, mas a negociação foi rejeitada pelo Banco Central (BC). A liquidação da instituição foi decretada meses depois.

Em declarações à imprensa na terça-feira (13), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o caso do Banco Master “inspira muito cuidado” e que o país pode estar diante da maior fraude bancária de sua história.

“Temos que tomar todas as cautelas devidas, com as formalidades, garantindo todo o espaço para a defesa se explicar, mas, ao mesmo tempo, sendo bastante firmes em relação àquilo que tem que ser defendido, que é o interesse público”, disse Haddad.

O ministro manifestou apoio público e total confiança no trabalho conduzido pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e sua equipe. “Estou absolutamente seguro com o trabalho que o Galípolo e a equipe fizeram. É um trabalho muito robusto”, afirmou.

Haddad também revelou que tratou do assunto com o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo. De acordo com o ministro, uma reunião realizada na segunda-feira (12) entre Galípolo, Vital do Rêgo e o relator do caso no TCU, Jhonatan de Jesus, indicou uma convergência de entendimento sobre os procedimentos do BC.

Ao comentar o impacto da falência, Haddad destacou o papel do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que deverá honrar os depósitos elegíveis de correntistas, limitados a R$ 250 mil por pessoa física. Ele lembrou que o fundo é sustentado por todo o sistema financeiro, incluindo bancos públicos.

“A investigação completa do caso será fundamental para esclarecer responsabilidades e evitar que episódios semelhantes voltem a ocorrer”, finalizou o ministro, reforçando a necessidade de rigor técnico e transparência no processo.

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Edição 269