A tão aguardada ligação física entre Brasil e Paraguai pela Ponte Internacional sobre o Rio Paraguai, que integra a Rota Bioceânica, está a poucos metros de se tornar realidade. Após a retomada dos trabalhos no dia 7 de janeiro, a obra avançou 12 metros em dez dias, restando apenas 128 metros para que as duas frentes de trabalho, vindas de Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta (PY), se encontrem.
A junção das duas metades do vão central de 350 metros está prevista para ocorrer ainda no fim de maio, marcando um marco simbólico e estrutural da conexão. Após esse feito, terá início a etapa final de acabamento, que inclui a construção de calçadas, implantação de pistas, iluminação viária e ornamental, pavimentação e sinalização.
Considerada uma peça fundamental do ambicioso projeto, a ponte terá 1,3 quilômetro de extensão e 21 metros de largura, elevando-se a 35 metros acima do rio. O trecho estaiado, de 632 metros, será sustentado por imponentes torres de 130 metros de altura.
O investimento na ponte, de US$ 100 milhões, é totalmente financiado pela Itaipu Binacional, do lado paraguaio. A execução está a cargo do Consórcio Pybra, formado pelas empresas Tecnoedil, Paulitec e Cidades Ltda.
A expectativa é que a etapa de acabamento da ponte seja concluída em agosto. Já as obras do acesso do lado paraguaio devem estar totalmente finalizadas em novembro.
No lado brasileiro, as obras da alça de acesso, essencial para conectar a ponte à BR-267, seguem em paralelo. Este trecho de 13,1 km, orçado em aproximadamente R$ 574 milhões, tem previsão de conclusão apenas em 2028. Isso significa que, mesmo com a ponte pronta no primeiro semestre de 2026, o corredor completo só estará liberado para o tráfego público após a finalização dessas vias de acesso.
A Rota Bioceânica será um corredor rodoviário de 2.396 quilômetros, ligando o Oceano Atlântico ao Pacífico através dos portos chilenos de Antofagasta e Iquique. A promessa é reduzir em até 17 dias o tempo de transporte de cargas brasileiras para a Ásia, comparado à rota pelo Porto de Santos.
O projeto é visto como um transformador logístico e econômico, com potencial para movimentar cerca de US$ 1,5 bilhão por ano em exportações de commodities como carnes, açúcar, farelo de soja e couros.
A ponte sobre o Rio Paraguai integra um amplo investimento do governo paraguaio, que soma US$ 1,1 bilhão no trecho total de 580 km em seu território, incluindo pavimentação de rodovias e outros segmentos críticos para a consolidação deste novo eixo de integração sul-americana.











