Concessão da Rota da Celulose em MS é oficializada; mais de 870 km de rodovias passam à gestão privada

BR-262-Foto-Saul-Schramm-3-scaled

O governo de Mato Grosso do Sul e o consórcio liderado pela XP Investimentos realizam nesta semana a assinatura formal do termo de transferência dos ativos da Rota da Celulose, marcando o início efetivo da maior concessão rodoviária do estado. A partir de agora, a iniciativa privada assume a responsabilidade por 870,3 quilômetros de rodovias estratégicas que cortam a região leste, coração do agronegócio e da indústria de celulose.

O evento de formalização está marcado para terça-feira (28 de janeiro), conforme anunciado pelo governador Eduardo Riedel (PP). O consórcio, que operará sob o nome “Caminhos da Celulose”, será controlado pela XP e administrará os seguintes trechos:

  • BR-262: entre Campo Grande e Três Lagoas

  • MS-040: entre Campo Grande e Santa Rita do Pardo

  • MS-338: entre Santa Rita do Pardo e Bataguassu

  • BR-267: entre Bataguassu e Nova Alvorada do Sul

O contrato de 30 anos prevê um investimento total superior a R$ 10 bilhões. O pacote de obras inclui a duplicação de 115 km de rodovias, a implantação de 245 km de terceiras faixas, a construção de 38 km de contornos urbanos e 12 km de vias marginais. Além disso, estão previstas 22 passagens de fauna e o alargamento de 20 pontes.

Um dos pontos principais do contrato é a condição para o início da cobrança de pedágio: a concessionária primeiro deverá cumprir uma série de melhorias urgentes nas estradas. Só depois de atendidos os padrões contratuais é que o sistema de cobrança será implantado.

As exigências iniciais incluem:

  • Padronização e regularidade do pavimento

  • Sinalização horizontal e vertical completa e dentro das normas

  • Revisão total dos sistemas de drenagem, eliminando pontos de alagamento

  • Correção de todos os aterros para eliminar riscos de deslizamento

  • Implantação de manutenção permanente (roçada, correções no pavimento)

“As primeiras obras serão as adequações de sinalização, pavimento, construção de serviços de atendimento ao usuário, entre outras melhorias”, afirmou o governador Eduardo Riedel.

Uma vez cumpridas essas metas, o pedágio será implantado no modelo free flow – um sistema eletrônico sem cancelas ou paradas obrigatórias. A cobrança será feita automaticamente por 12 pórticos que lerão tags ou placas dos veículos (OCR). A tarifa variará de R$ 5,15 a R$ 16,55, dependendo do tipo de veículo e do trecho percorrido.

As obras de duplicação terão início no segundo ano da concessão, quando o pedágio já estará em operação. O cronograma estabelece:

  • BR-262: duplicação de 86 km entre Campo Grande e Ribas do Rio Pardo, e de 3,2 km próximo a Três Lagoas – conclusão até o sexto ano da concessão.

  • BR-267: duplicação de 13,5 km entre Bataguassu e o Rio Paraná – início no sétimo ano e conclusão no oitavo ano.

O consórcio Caminhos da Celulose é formado pelas empresas XP Infra V Fundo de Investimento em Participações (FIV), CLD Construtora, Ética Construtora, Distribuidora Brasileira de Asfalto, Conter Construções e Comércio e Conster Construções e Terraplanagem.

A concessão representa um marco na infraestrutura logística de Mato Grosso do Sul, com o objetivo de melhorar a segurança, a fluidez do tráfego e a competitividade do corredor de exportação que escoa a produção de celulose e grãos do estado.

Compartilhe nas Redes Sociais

Banca Digital

Edição 271