Um homem de 27 anos foi socorrido em estado gravíssimo na tarde desta quinta-feira (22) após ser atingido por um disparo de arma de fogo na cabeça, dentro de um apartamento no Residencial Rubens Cunha, no Conjunto Habitacional Orestinho, em Três Lagoas. As circunstâncias do ocorrido são nebulosas e, enquanto a polícia ouve testemunhas, uma das linhas investigadas é a possibilidade de tentativa de autoextermínio.
A vítima foi identificada como Caíque de Oliveira da Silva. De acordo com relatos colhidos pela Polícia Militar no local, ele estava no apartamento acompanhado de um amigo. Por volta das 15h, o amigo teria saído para comprar bebidas. Ao se afastar alguns metros do prédio, ouviu um único estampido. Preocupado, retornou imediatamente e encontrou Caíque caído e desacordado no chão da cozinha, com um ferimento de bala na cabeça.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado rapidamente. Ao chegar, as equipes médicas constataram que a vítima estava em parada cardiorrespiratória. Após intensas manobras de reanimação, que duraram vários minutos, Caíque respondeu aos estímulos e recuperou os sinais vitais. Ele foi estabilizado no local e, em seguida, transportado em estado crítico para o Hospital Auxiliadora, onde permanece internado.
Durante os primeiros socorros e o contato com populares, amigos de Caíque relataram aos policiais que ele era natural de Ribas do Rio Pardo, havia se separado recentemente e estava em Três Lagoas para participar de uma audiência no Fórum da comarca. Segundo eles, a vítima não demonstrava sinais aparentes de sofrimento emocional.
No entanto, uma linha de apuração surgiu a partir de comentários de conhecidos no local. Eles levantaram a possibilidade de Caíque ter gravado e publicado um vídeo em uma rede social momentos antes do ocorrido, sugerindo uma tentativa de autoextermínio. Até o momento, essa gravação não foi localizada ou apresentada às autoridades. Também não foi encontrada nenhuma arma de fogo dentro do apartamento.
O amigo que estava com a vítima, uma mulher que também se encontrava no imóvel e uma terceira pessoa que teria auxiliado no primeiro momento foram conduzidos à 3ª Delegacia de Polícia Civil para prestar esclarecimentos.
Um fator que pode dificultar significativamente o trabalho das autoridades, caso seja necessário, é a falta de preservação do local do crime. A perícia técnica não foi acionada e a área não foi isolada, pois o foco inicial das equipes foi exclusivamente o salvamento da vítima. Qualquer evidência material pode ter sido comprometida, o que inviabiliza uma análise técnica conclusiva sobre a dinâmica do disparo.
O caso, por ora, é tratado como um “ocorrência de lesão corporal” até que novos elementos – como o possível vídeo, o depoimento formal das testemunhas ou o surgimento de outras provas – possam definir com clareza se o disparo foi acidental, uma tentativa contra a própria vida ou resultante de intervenção de terceiros. O estado de saúde de Caíque é determinante para que ele próprio possa relatar o que aconteceu.











