Nos primeiros meses de vida, a proteção contra vírus respiratórios pode significar a diferença entre uma recuperação tranquila e a necessidade de internação. Para ampliar essa segurança, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) inicia em 2026 a Estratégia de Imunização contra o VSR (Vírus Sincicial Respiratório), com a incorporação do medicamento Nirsevimabe ao Sistema Único de Saúde (SUS) em Mato Grosso do Sul.
O estado recebeu 440 doses enviadas pelo Ministério da Saúde para dar início à ação já no começo de fevereiro. Os municípios farão a retirada do imunizante na Rede de Frio estadual nesta quinta (29) e sexta-feira (30), com posterior entrega às maternidades selecionadas.
A estratégia é voltada para dois grupos principais:
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Bebês prematuros (com menos de 37 semanas de gestação).
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Crianças com comorbidades específicas até 24 meses de idade (até 1 ano, 11 meses e 29 dias).
Entre as condições de saúde contempladas estão cardiopatia congênita, imunocomprometimento grave, fibrose cística, doença pulmonar crônica da prematuridade (broncodisplasia), síndrome de Down e doenças neuromusculares.
Inicialmente, 17 maternidades em municípios-polo contarão com estoque do imunobiológico:
Campo Grande, Dourados, Corumbá, Três Lagoas, Amambai, Ponta Porã, Bonito, Nova Andradina, Rio Brilhante, Iguatemi, Miranda, Aquidauana, Paranaíba, Chapadão do Sul, Jardim, Cassilândia e Maracaju.
Os demais municípios poderão solicitar as doses por meio do sistema E-CRIE. A proposta é que o medicamento seja administrado ainda nas primeiras horas ou dias de vida, de forma semelhante à BCG e à vacina contra hepatite B, garantindo agilidade na proteção.
A implantação do Nirsevimabe marca uma transição na política de prevenção ao VSR no estado. Até então, era disponibilizado o Palivizumabe, por meio da Assistência Farmacêutica, para um grupo mais restrito (como prematuros extremos). Com o novo imunizante, a coordenação passa para a área de Imunização e o público elegível é significativamente ampliado.
“Antes atendíamos prematuros com menos de 30 semanas. Agora ampliamos para os nascidos com menos de 37 semanas, além das crianças com comorbidades. É uma estratégia mais abrangente, que permitirá proteger um número maior de bebês”, destacou a coordenadora de Imunização da SES, Ana Paula Goldfinger.
Durante a fase de transição, os bebês que já iniciaram o esquema com Palivizumabe deverão concluir o protocolo vigente, mantendo o fluxo pela Assistência Farmacêutica.
Para organizar a implementação, a SES concluiu o fluxo operacional, realizou webconferências com os 79 municípios e promove treinamentos para as equipes das maternidades. Nas maternidades, o foco principal será a imunização dos prematuros. Crianças com comorbidades diagnosticadas após a alta neonatal serão avaliadas criteriosamente no CRIE (Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais).
“Se conseguirmos começar nos primeiros dias de fevereiro, seremos um dos primeiros estados a colocar a estratégia em prática”, afirmou a coordenadora.
A SES reforça que o Nirsevimabe é um medicamento de alto custo, agora incorporado ao SUS, e representa um avanço importante na proteção da primeira infância. A orientação é que pais ou responsáveis de crianças que se enquadrem nos critérios procurem a unidade de saúde ou maternidade de referência para obter informações e garantir o acesso ao imunizante.











