Força-tarefa em MS apreende mais de R$ 1 milhão em canetas emagrecedoras ilegais vindas do Paraguai

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Uma operação conjunta de órgãos estaduais e federais em Mato Grosso do Sul resultou na apreensão, nesta semana, de milhares de canetas emagrecedoras e outros medicamentos irregulares, com valor estimado em mais de R$ 1 milhão. A ação visa combater um robusto mercado clandestino que utiliza o estado como principal rota de distribuição para todo o país.

Coordenada pela Vigilância Sanitária da Secretaria de Estado de Saúde (SES), a força-tarefa confiscou 2.071 unidades de produtos sem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Além das canetas emagrecedoras injetáveis, foram apreendidos esteroides anabolizantes, ampolas e comprimidos à base de lisdexanfetamina (conhecidos como “Venvance”), todos originários do Paraguai.

O objetivo declarado das autoridades é reduzir em pelo menos 80% o fluxo desses produtos ilegais. É importante ressaltar que medicamentos como Ozempic e Mounjaro, devidamente regulamentados pela Anvisa, não são alvo da operação e podem ser comercializados normalmente no Brasil.

De acordo com o fiscal da Vigilância Sanitária da SES, Matheus Moreira Pirolo, a operação foca em marcas não reconhecidas pela Anvisa, como T.G., Lipoless, Synedica e Tirzazep. Um dos produtos apreendidos, a Retatrutide, chamou a atenção por embalagens sofisticadas que simulavam origem europeia.

“É tudo uma jogada para ludibriar o consumidor e fazê-lo acreditar que está comprando um produto seguro, de qualidade, quando na verdade a gente não sabe o que ele está comprando”, alertou Pirolo.

Os contrabandistas aproveitam a faixa de fronteira, em cidades como Ponta Porã e Coronel Sapucaia, para trazer a mercadoria. Adquiridas por valores entre R$ 380 e R$ 500 no Paraguai, as canetas são revendidas no Brasil por até R$ 2,4 mil. A carga apreendida entre os dias 2 e 4 de fevereiro foi encontrada escondida em meio a objetos comuns como bolsas, copos térmicos, sacos de feijão e material escolar, sendo identificada por meio de raio-X no fluxo postal.

O fiscal destacou que os criminosos escolhem Mato Grosso do Sul por acreditarem ser um local com menos barreiras que estados como o Paraná, que também faz fronteira com o Paraguai.

“[Queremos] acabar com essa ideia de que Mato Grosso do Sul é um corredor seguro para o crime… que aqui seria terra sem lei”, afirmou Pirolo.

Essa percepção, segundo ele, influencia diretamente no alto consumo local. “O consumo desses emagrecedores em Mato Grosso do Sul acaba sendo proporcionalmente maior do que em outras partes do País, porque a oferta é grande, é fácil”, explicou, comparando com a antiga acessibilidade dos cigarros eletrônicos.

A operação contou com a parceria do Conselho Regional de Farmácia de MS (CRF-MS) e da Coordenação de Vigilância Sanitária de Portos, Aeroportos e Fronteiras (CVPAF-MS). Os produtos apreendidos foram encaminhados para o Centro de Triagem e Distribuição dos Correios, em Campo Grande.

Esta não é a primeira grande apreensão do gênero no estado. Recentemente, no final de janeiro, a Polícia Militar prendeu em flagrante um homem na MS-164, em Ponta Porã, transportando 209 unidades de medicamentos ilegais em um veículo. Em dezembro do ano passado, o Departamento de Operações de Fronteira (DOF) apreendeu 491 canetas, e a Polícia Militar Rodoviária interceptou uma carga com mais 1.024 unidades.

A Anvisa mantém a proibição da fabricação, importação, comercialização e propaganda de diversas marcas de agonistas de GLP-1 (canetas emagrecedoras) não regulamentadas, incluindo as apreendidas nesta operação. A medida busca conter o aumento da comercialização irregular, especialmente na internet, prática vedada pela legislação brasileira para medicamentos.

 

(*) com informações de Correio do Estado

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Edição 271