Prefeito de Inocência pede a senadores e ministros verba para construir 600 casas e conter êxodo

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O prefeito de Inocência, Antônio Ângelo Garcia dos Santos, o Toninho da Cofapi, transformou um evento oficial de grandes proporções em um palanque para um apelo urgente: a liberação de recursos públicos para a construção de moradias em seu município. O cenário foi o canteiro de obras da multinacional Arauco, que investe US$ 4,6 bilhões em uma fábrica de celulose, e a plateia era de peso: o governador Eduardo Riedel, os ministros Renan Calheiros Filho (Transportes) e Simone Tebet (Planejamento), os senadores Nelsinho Trad e Tereza Cristina, além de outras autoridades.

O momento solene, de lançamento da pedra fundamental de um ramal ferroviário de 47 km, ganhou um tom de “SOS” municipal. Depois de elogiar os investimentos privados que estão revolucionando a economia da região, o prefeito direcionou seu discurso ao problema social gerado pelo crescimento acelerado: a crise habitacional.

“Estamos passando por um momento muito difícil no setor de habitação da nossa cidade. Gostaria que vocês olhassem para a gente para que possamos atender aquelas famílias que estão mudando para Cassilândia, Paranaíba, Três Lagoas e Água Clara porque não encontram residência em Inocência”, declarou Toninho da Cofapi.

O mapa traçado pelo prefeito ilustra a dimensão do problema. Trabalhadores e prestadores de serviços que atuam na obra estão se deslocando para cidades a 90 quilômetros (Cassilândia e Paranaíba) ou até 140 quilômetros (Três Lagoas e Água Clara) de distância, devido à falta de opções em Inocência.

O município, que tinha aproximadamente 8,5 mil habitantes antes do início das obras, viu sua população flutuante explodir. Atualmente, 9,2 mil pessoas trabalham no canteiro, com previsão de chegar a 14 mil no pico das atividades, no segundo semestre deste ano. Embora muitos estejam em alojamentos temporários erguidos próximo à fábrica (às margens do Rio Sucuriú, a 50 km da área urbana), a demanda por moradias fixas para quem vai permanecer na região é crescente.

Recursos em falta, projetos parados: O prefeito afirmou que o município tem áreas disponíveis para construir cerca de 600 casas, mas carece de verbas para tirar os projetos do papel. Ele fez um apelo direto aos senadores presentes, que têm capacidade de destinar emendas parlamentares para o setor.

A própria Arauco tem um projeto para construir aproximadamente 700 casas em Inocência, mas essas unidades estão destinadas exclusivamente aos futuros funcionários da empresa, após a ativação da fábrica, prevista para o final de 2027 – uma solução que não resolve a pressão atual.

O evento serviu como um raro momento de convergência política, com representantes do governo estadual e federal presentes. O apelo do prefeito foi direcionado justamente a figuras-chave com influência sobre o orçamento federal, como os ministros e os senadores. A resposta prática a esse pedido, feito diante de tantas testemunhas, será agora acompanhada de perto pela população de Inocência, que vive a contradição de um boom econômico que expulsa moradores por falta de teto.

O desenvolvimento trazido pela Arauco é inegável, mas o discurso do prefeito trouxe à tona o desafio de garantir que o progresso não crie um colapso social nas comunidades que o hospedam. A bola, agora, está com os parlamentares e gestores públicos que ocupavam o palanque.

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Edição 271