A morte de João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos, em Campo Grande, está sendo investigada pela Polícia Civil e pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) após a família denunciar possível negligência médica. Segundo relato dos parentes, o menino procurou atendimento sete vezes em unidades de saúde depois de bater o joelho em uma brincadeira no dia 2 de abril.
João Guilherme morreu na madrugada de terça-feira (7), após ser transferido para a Santa Casa da capital, ser intubado e sofrer uma parada cardíaca. Ele foi velado na manhã de quarta-feira (8) e enterrado no Cemitério Jardim da Paz no início da tarde.
Conforme o cunhado do menino, Michael Petrovich de Souza, João Guilherme machucou o joelho ao cair em uma pedra enquanto brincava em casa. Ele foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Tiradentes, onde fez um raio-X que não apontou fratura na perna esquerda. Recebeu prescrição de dipirona e ibuprofeno e foi liberado. A família informou que foi dito que ele teria apenas “trincado o joelho”.
“Como uma criança saudável, sem nenhuma doença, trinca o joelho e morre? Isso não entra na nossa cabeça”, desabafou a tia, Adriana Soares.
Entre os dias 2 e 7 de abril, João Guilherme passou por sete atendimentos médicos, segundo a família. Ele foi levado à UPA Tiradentes, à UPA Universitário e à Santa Casa de Campo Grande. Na maioria das vezes, recebeu medicação e foi liberado, mesmo com a piora das dores.
Além da dor no joelho, o menino passou a reclamar de dores no peito, que em um dos atendimentos foram associadas à ansiedade. Na véspera da morte, ele apresentou manchas roxas pelo corpo, palidez, falta de ar e episódios de desmaio.
Na noite de segunda-feira (6), João foi levado desacordado à UPA Universitário, onde foi reanimado e entubado. A morte foi declarada na madrugada de terça-feira (7), após sofrer uma parada cardíaca na Santa Casa.
A família afirma que exames mais detalhados não foram feitos no início e que houve demora para atender o menino quando o estado de saúde piorou. Eles também citam um laudo preliminar da Santa Casa, que aponta que uma intubação feita anteriormente em uma UPA pode ter sido realizada de forma incorreta.
O presidente da Associação de Vítimas de Erros Médicos de Mato Grosso do Sul, Valdemar Moraes, afirmou que há indícios de falhas no atendimento. “A demora no atendimento, de fazer uma tomografia, um raio-X — isso é erro médico”, disse.
O que ainda falta esclarecer?
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A causa oficial da morte, que será confirmada pelo exame necroscópico solicitado pela Polícia Civil;
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Se houve negligência nos atendimentos das UPAs ou erro médico;
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O andamento da investigação da DEPCA;
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Se a morte ocorreu por causa do machucado no joelho ou por algum outro problema de saúde não descoberto;
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O motivo da demora no atendimento.
O caso foi registrado como homicídio culposo (quando não há intenção de matar) e está sob responsabilidade da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA) , que analisa os prontuários médicos para verificar se houve falha ou omissão nos atendimentos.
O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul (CRM-MS) e o Conselho Municipal de Saúde também acompanham o caso para apurar possíveis responsabilidades dos profissionais e das unidades de saúde.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande informou que o caso está sendo apurado com base nos registros médicos das unidades. A secretaria afirmou ainda que, se forem identificadas falhas ou desvios de conduta, as medidas cabíveis serão tomadas.











