{"id":14875,"date":"2022-12-12T11:24:37","date_gmt":"2022-12-12T14:24:37","guid":{"rendered":"https:\/\/expressaoms.com.br\/?p=14875"},"modified":"2022-12-12T11:24:37","modified_gmt":"2022-12-12T14:24:37","slug":"especialistas-apontam-meios-de-prevencao-ao-suicidio-em-audiencia-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/expressaoms.com.br\/index.php\/2022\/12\/12\/especialistas-apontam-meios-de-prevencao-ao-suicidio-em-audiencia-publica\/","title":{"rendered":"Especialistas apontam meios de preven\u00e7\u00e3o ao suic\u00eddio em audi\u00eancia p\u00fablica"},"content":{"rendered":"<p>Fortalecimento de v\u00ednculos familiares, escuta ativa, rede de apoio, menor exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 Internet, religiosidade, autoconhecimento, lazer, viv\u00eancia comunit\u00e1ria, rede de atendimento p\u00fablico em sa\u00fade mental efetivo e ampliado foram algumas das alternativas levantadas como formas de preven\u00e7\u00e3o ao suic\u00eddio, durante a audi\u00eancia p\u00fablica realizada, na noite desta quinta-feira (8), na C\u00e2mara Municipal de Tr\u00eas Lagoas.<\/p>\n<p>A audi\u00eancia foi proposta pelo vereador Issam Fares e contou com a presen\u00e7a da ex-vereadora Cristina Ferreira, propositora de projeto de lei que estabelece audi\u00eancias p\u00fablicas sobre o assunto. Ela relatou perdas de pessoas queridas, recentemente, e reafirmou a necessidade de trazer o tema \u00e0 discuss\u00e3o com const\u00e2ncia, para tentar reduzir os danos.<\/p>\n<p>Sidney Ferreira Ribeiro J\u00fanior, psic\u00f3logo do Minist\u00e9rio P\u00fablico da Vara da Inf\u00e2ncia, afirmou que o p\u00f3s-pandemia deu o alerta para pensar mais na vida e no risco do suic\u00eddio. Contou que, em 2022, a sociedade tr\u00eas-lagoense come\u00e7ou a discutir, por meio da Associa\u00e7\u00e3o de Psic\u00f3logos de Tr\u00eas Lagoas, com especialista em manejo da crise do suicida. Segundo ele, existe uma proposta de formar comit\u00ea para tratar o tema.<\/p>\n<p>Ferreira informou que existem pessoas que fazem a tentativa, por\u00e9m n\u00e3o querem morrer, mas sim chamar a aten\u00e7\u00e3o para seu sofrimento, e que s\u00e3o mais f\u00e1cil de salvar. Outras, afirmou, s\u00e3o suicidas realmente, sendo mais dif\u00edcil de salvar, porque faz calado. Assim, na vis\u00e3o do psic\u00f3logo, quanto mais se falar do tema, mais as pessoas saber\u00e3o pedir ajuda no momento de crise e de desafios para sua vida, porque a tend\u00eancia \u00e9 se isolar. Ele se colocou \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para articular a cria\u00e7\u00e3o de um grupo que ajude na preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O vereador Negu Breno tamb\u00e9m lembrou que a pandemia acirrou problemas familiares, afetando quest\u00f5es psicol\u00f3gicas. Ele disse que, nas escolas, tem sido poss\u00edvel ouvir as queixas e avaliar riscos com jovens e crian\u00e7as, que conseguem se abrir mais no ambiente escolar do que no familiar.<\/p>\n<p>J\u00e1 a vereadora Evalda Reis tamb\u00e9m contou que, como coordenadora de programas sociais, presenciou muitos casos de dores nas almas de crian\u00e7as, que se mutilavam. Ela avaliou que \u00e9 triste ter que debater o assunto, por\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>O propositor da audi\u00eancia, vereador Issam Fares J\u00fanior, tamb\u00e9m disse que abordar o assunto \u00e9 de extrema relev\u00e2ncia, porque a consequ\u00eancia social de um suic\u00eddio \u00e9 muito danosa, principalmente aos familiares e amigos que ficam. Por isso, disse que \u00e9 preciso entender o que fazer para evitar o ato.<\/p>\n<p>Segundo Issam Fares, o assunto \u00e9 extenso e a cada debate \u00e9 poss\u00edvel avan\u00e7ar no entendimento e na busca de solu\u00e7\u00f5es para a auto agress\u00e3o a si mesmo. O m\u00e9dico afirmou que quando iniciou seu trabalho, no \u00e2mbito de sa\u00fade do trabalho, prescrevia muitos medicamentos para doen\u00e7as ergon\u00f4micos e, atualmente, tem prescrito mais medicamentos para dormir e controlar ansiedade, o que demonstra o agravamento da situa\u00e7\u00e3o em n\u00edvel geral.<\/p>\n<p>A segunda vice-presidente da C\u00e2mara, vereadora Marisa Rocha, agradeceu a todos os presentes e disse que ela, Issam e Evalda est\u00e3o empenhados em achar medidas que possam ajudar as pessoas. Disse que \u00e9 dif\u00edcil lutar contra o que n\u00e3o se conhece e relatou que tamb\u00e9m quer aprender para auxiliar, sabendo que o suic\u00eddio \u00e9 o resultado tr\u00e1gico de uma doen\u00e7a mental. Tamb\u00e9m defendeu que o poder p\u00fablico tem que prestar assist\u00eancia psicol\u00f3gica para a totalidade dos doentes, ainda no in\u00edcio, visando ter melhores resultados.<\/p>\n<p>A primeira palestra foi proferida pela psiquiatra e especialista pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Psiquiatria e m\u00e9dica atuante no CAPS 2, Priscila Raquel Salom\u00e3o de Oliveira Neves. Atendendo na rede de aten\u00e7\u00e3o psicossocial, h\u00e1 11 anos, ela disse que a cidade vive a melhor fase de oferta de trabalho e acolhimento na \u00e1rea de sa\u00fade mental, no setor p\u00fablico.<\/p>\n<p>Segundo ela, a rede p\u00fablica \u00e9 formada desde a aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, nos postos de sa\u00fade, com psic\u00f3logos para acolhimento e direcionamento para outros profissionais. No CAPS-2, se atende pacientes com surtos psic\u00f3ticos, que tentaram suic\u00eddio ou casos mais graves de depress\u00e3o. Ainda existe um ambulat\u00f3rio de especialidades para atendimento, a Cl\u00ednica da Crian\u00e7a para a \u00e1rea infantil, um programa para adolescentes com ideias suicida e ainda tem a UPA para a entrada de pessoas com emerg\u00eancias psiqui\u00e1tricas e tentativas de suic\u00eddio. O SAMU e Corpo de Bombeiros tamb\u00e9m auxiliam na conten\u00e7\u00e3o de surtos. Ainda tem o CAPS-AD que atende pessoas em uso abusivo de \u00e1lcool e drogas.<\/p>\n<p>Ainda assim, os dados epidemiol\u00f3gicos do munic\u00edpio apontam que houve 14 suic\u00eddios, em 2020; sete, em 2021; e 12, em 2022.<\/p>\n<p>\u201cO suic\u00eddio \u00e9 um ato com intuito de tirar a vida, \u00e9 como meio de gritar por ajuda. A trag\u00e9dia da morte \u00e9 o desespero de quem n\u00e3o encontra esperan\u00e7a\u201d, afirmou. A m\u00e9dica disse que 96% das pessoas que tentam esta pr\u00e1tica t\u00eam transtornos mentais, tais como desvios de personalidade, transtorno bipolar, depress\u00e3o e uso de \u00e1lcool e drogas.<\/p>\n<p>\u201cQuando nos debru\u00e7amos para achar as causas e tra\u00e7ar estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o e planos para agir, n\u00f3s nos deparamos com situa\u00e7\u00f5es que v\u00e3o al\u00e9m da sa\u00fade, n\u00f3s nos deparamos com as consequ\u00eancias da modernidade l\u00edquida dos dias atuais\u201d, disse. Neste contexto social, segundo a profissional , falta refer\u00eancia, n\u00e3o h\u00e1 formato, tudo \u00e9 relativo, tudo \u00e9 incerto.<\/p>\n<p>\u201cO caos da vida contempor\u00e2nea tem aberto as portas do suic\u00eddio. Mudan\u00e7as nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho e de consumo, os relacionamentos podem ser encerrados a qualquer momento, tudo gira em torno do prazer. Com isso, a conta tem chegado para todos, independente de qualquer perfil\u201d, avaliou. Para ela, quanto mais lugares o que chamou de sociedade l\u00edquida ocupa, mais os profissionais da sa\u00fade t\u00eam se desdobrado para tentar curar aqueles que a sociedade contribuiu para arruinar.<\/p>\n<p>A conselheira dos direitos da crian\u00e7a e do adolescente (CMDCA) e conselheira municipal da secretaria de assist\u00eancia social (CMAS), formada em Servi\u00e7o Social e Pedagogia, Elizethe Aparecida da Silva, tamb\u00e9m palestrou sobre o tema.<\/p>\n<p>Em sua opini\u00e3o, todos ainda precisam aprender mais sobre o suic\u00eddio para atuarem na quest\u00e3o. Segundo ela, normalmente quem mais precisa de socorro s\u00e3o os que necessitam de atendimento p\u00fablico. Assim, disse que os professores s\u00e3o capacitados para entender os sinais por meio da forma\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-emocional. \u201cO problema \u00e9 muito familiar. Entre quatro paredes, fechando as portas, tudo pode acontecer. A gente v\u00ea a crian\u00e7a com olhar perdido porque ela n\u00e3o entende o sofrimento que est\u00e1 passado, a carga emocional que est\u00e1 vivendo\u201d.<\/p>\n<p>Para ela, \u00e9 preciso que os profissionais da sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o tenham sensibilidade para reconhecer os sintomas, por isso precisam conhecer as causas dos problemas l\u00e1 atr\u00e1s, muitas vezes vindos deste a inf\u00e2ncia, sem tratamento adequado. \u201cEsse assunto tem que ser tratado o ano todo, n\u00e3o somente em setembro, porque ele acontece todos os dias\u201d. \u201cA educa\u00e7\u00e3o tem que, mais do que ensinar, acolher as crian\u00e7as. Por isso, a rede de aten\u00e7\u00e3o tem que ser fortalecida\u201d.<\/p>\n<p>Evelyn Yule, p\u00f3s-graduada em sa\u00fade mental e desenvolvimento humano, mentora e coaching de gest\u00e3o das emo\u00e7\u00f5es e auto-lideran\u00e7a aplicada aos neg\u00f3cios, foi a terceira palestrante. Ela iniciou sua fala contando que tentou suic\u00eddio cinco vezes e, felizmente, sobreviveu. Assim relata que a dor emocional \u00e9 t\u00e3o grande que a pessoa s\u00f3 quer ir embora, normalmente trazendo estes sentimentos de dores da inf\u00e2ncia, abusos e agress\u00f5es ou interpreta\u00e7\u00f5es que tiveram, sentimentalmente, diante dos fatos vividos.<\/p>\n<p>Ela ainda falou sobre impactos das compara\u00e7\u00f5es geradas pelas redes sociais, sentimentos de abandono e falta de amor, al\u00e9m de baixa autoestima. Outros sintomas s\u00e3o quando a pessoa sente-se mal, apesar de n\u00e3o haver problema evidente, ou busca isolamento e n\u00e3o sente prazer em nada.<\/p>\n<p>Evelyn, como sobrevivente, disse que procurar ajudar m\u00e9dica e tomar os medicamentos corretamente s\u00e3o a\u00e7\u00f5es imprescind\u00edveis. Lembrou que ainda existem op\u00e7\u00f5es de medicina integrativa, que une corpo, esp\u00edrito e emo\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m falou que autoconhecimento \u00e9 imprescind\u00edvel para se amar e fortalecer qualidades e potenciais pr\u00f3prios.<\/p>\n<p>A terapeuta proporcionou um momento de viv\u00eancia aos presentes, de forma a praticarem o autoconhecimento e o sentimento de presen\u00e7a.<\/p>\n<p>Mecanismos como f\u00e9, viver em comunidade, praticar atividade f\u00edsica, lazer, descanso, hobbies, buscar suporte e rede de apoio familiar (incluindo ensinando os pais a lidarem com seus filhos), aux\u00edlio profissional, psicoterapia foram apontados como meios de preven\u00e7\u00e3o ao suic\u00eddio. Ainda foi relatado que podem existir fatores gen\u00e9ticos em casos de doen\u00e7as mentais, por\u00e9m esse n\u00e3o \u00e9 a principal causa.<\/p>\n<p>Rosinei Nantes, volunt\u00e1ria do Centro de Valoriza\u00e7\u00e3o da Vida (CVV), informou que est\u00e1 sendo montado um n\u00facleo em Tr\u00eas Lagoas, por\u00e9m destacou que o telefone 188 est\u00e1 \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de todos que necessitarem de ajuda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fortalecimento de v\u00ednculos familiares, escuta ativa, rede de apoio, menor exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 Internet, religiosidade, autoconhecimento, lazer, viv\u00eancia comunit\u00e1ria, rede de atendimento p\u00fablico em sa\u00fade mental efetivo e ampliado foram algumas das alternativas levantadas como formas de preven\u00e7\u00e3o ao suic\u00eddio, durante a audi\u00eancia p\u00fablica realizada, na noite desta quinta-feira (8), na C\u00e2mara Municipal de Tr\u00eas Lagoas. 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