{"id":32400,"date":"2025-02-12T16:30:48","date_gmt":"2025-02-12T20:30:48","guid":{"rendered":"https:\/\/expressaoms.com.br\/?p=32400"},"modified":"2025-02-12T16:30:48","modified_gmt":"2025-02-12T20:30:48","slug":"dois-brasileiros-conseguem-fugir-de-trabalho-escravo-em-mianmar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/expressaoms.com.br\/index.php\/2025\/02\/12\/dois-brasileiros-conseguem-fugir-de-trabalho-escravo-em-mianmar\/","title":{"rendered":"Dois brasileiros conseguem fugir de trabalho escravo em Mianmar"},"content":{"rendered":"<p>Dois brasileiros que estavam trabalhando como escravizados em Mianmar, na \u00c1sia, conseguiram fugir no \u00faltimo s\u00e1bado (8) do cativeiro. Luckas Viana dos Santos, de 31 anos, e Phelipe de Moura Ferreira, de 26 anos, foram seduzidos por promessas de emprego na Tail\u00e2ndia, mas acabaram sequestrados e levados a Myawaddy, cidade de Mianmar, pa\u00eds que vive em guerra civil.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1630125&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1630125&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>O Itamaraty informou que a Embaixada de Bangkok, na Tail\u00e2ndia, est\u00e1 prestando assist\u00eancia aos brasileiros j\u00e1 resgatados e que providencia a repatria\u00e7\u00e3o deles de volta ao Brasil.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil\u00a0<\/strong>conversou com os familiares dos dois jovens v\u00edtimas de tr\u00e1fico humano, que relataram o drama vivido nos \u00faltimos meses. Ambos buscavam uma vida melhor no exterior, mas acabaram tendo que trabalhar mais de 15 horas por dia aplicando golpes na internet. Quando n\u00e3o atingiam as metas, eram torturados e espancados.<\/p>\n<p>A m\u00e3e de Luckas, Cleide Viana, de 62 anos, que trabalha em um ber\u00e7\u00e1rio em S\u00e3o Paulo (SP), contou que o filho est\u00e1 h\u00e1 mais de um ano fora do Brasil. Ele trabalhou nas Filipinas, em uma empresa de games, e depois em um hostel, na Tail\u00e2ndia. At\u00e9 que encontrou uma proposta de emprego de R$ 8 mil por m\u00eas e decidiu aceitar, em outubro do ano passado.<\/p>\n<p>\u201cPegaram ele l\u00e1 na Tail\u00e2ndia, no hostel, e levaram de carro. Ele pensou que era no norte da Tail\u00e2ndia, mas n\u00e3o chegava nunca. A\u00ed foi que o levaram para Mianmar. Eu comecei a perguntar meio em c\u00f3digos e ele falou que n\u00e3o estava bem\u201d, relatou.<\/p>\n<p>Segundo Cleide, os criminosos monitoravam as conversas para saber se estavam sendo denunciados. Desde dezembro ela n\u00e3o conseguia mais falar com o filho. \u201cN\u00e3o s\u00f3 o Brasil, mas o mundo tem que estar alerta com isso que acontece l\u00e1. Isso \u00e9 uma coisa que eu nem sabia que existia\u201d, completou a m\u00e3e de Luckas.<\/p>\n<h2>Plano de fuga<\/h2>\n<p>Outro brasileiro que conseguiu fugir, Phelipe de Moura Ferreira tinha trabalhado em Laos e nas Filipinas, na \u00c1sia, em Dubai, nos Emirados \u00c1rabes Unidos, e no Uruguai, at\u00e9 que encontrou essa suposta vaga de emprego na Tail\u00e2ndia, para onde foi em novembro de 2024.<\/p>\n<p>O pai de Phelipe, Ant\u00f3nio Carlos Ferreira, de 56 anos, funcion\u00e1rio p\u00fablico municipal de S\u00e3o Paulo (SP), disse que o filho mandava mensagem para ele por um perfil falso enquanto trabalhava na internet. Ele ent\u00e3o soube que o filho planejava a fuga com cerca de 80 pessoas tamb\u00e9m escravizadas.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s est\u00e1vamos monitorando a fuga. Eles iam fugir de s\u00e1bado para domingo. Eles iam correr dois quil\u00f4metros at\u00e9 chegar ao rio, que faz fronteira com a Tail\u00e2ndia, s\u00f3 que eles n\u00e3o apareceram\u201d, disse, acrescentando que come\u00e7ou a ficar angustiado. \u201cSer\u00e1 que pegaram eles?\u201d, pensou.<\/p>\n<p>De acordo com o pai do Phelipe, eles foram encontrados por uma das mil\u00edcias que atuam no Mianmar, tendo sido espancados por guardas armados. Ant\u00f3nio argumenta que negocia\u00e7\u00f5es entre o governo da Tail\u00e2ndia e uma dessas mil\u00edcias rebeldes, o Ex\u00e9rcito Democr\u00e1tico Karen Budista (DKBA), permitiu que os brasileiros cruzassem a fronteira de volta \u00e0 Tail\u00e2ndia.<\/p>\n<p>Quando recebeu a not\u00edcia da fuga, ficou aliviado. \u201cFoi aquela emo\u00e7\u00e3o. Foi a coisa mais emocionante da minha vida. Eu j\u00e1 estava perdendo a esperan\u00e7a\u201d, revelou.<\/p>\n<h2>Falta de apoio<\/h2>\n<p>Os familiares dos jovens reclamam da atua\u00e7\u00e3o das autoridades brasileiras que, segundo eles, n\u00e3o deram respostas satisfat\u00f3rias em rela\u00e7\u00e3o ao caso. \u201cA Embaixada do Brasil em Mianmar n\u00e3o fez nada. A \u00fanica mensagem que eles mandavam era de que estavam em permanente contato com as autoridades do pa\u00eds. Contato n\u00e3o adianta, tinha que pressionar. N\u00e3o ia sair nada se deixasse nas m\u00e3os das autoridades de Mianmar\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio e Cleide atribuem o sucesso da fuga \u00e0 ajuda da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental The Exodus Road, que combate o tr\u00e1fico humano em todo o mundo. De acordo com Ant\u00f3nio, a orienta\u00e7\u00e3o deles e a press\u00e3o que exerceram sobre os governos asi\u00e1ticos enfraqueceu a posi\u00e7\u00e3o dos criminosos.<\/p>\n<p>\u201cEles come\u00e7aram a pressionar o governo da Tail\u00e2ndia, o governo da China, come\u00e7ava a fazer mat\u00e9ria, mandou a gente gravar v\u00eddeo pedindo ajuda. A\u00ed o governo da Tail\u00e2ndia, pressionado, o que fez? Come\u00e7ou a cortar a energia l\u00e1 de onde ficava a m\u00e1fia\u201d, completou.<\/p>\n<h2>Itamaraty<\/h2>\n<p>Por meio de nota, o Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores informou que, por meio das Embaixadas em Yangon, no Myanmar, e em Bangkok, na Tail\u00e2ndia, vinha solicitando os esfor\u00e7os das autoridades competentes, desde outubro do ano passado, para a libera\u00e7\u00e3o dos brasileiros.<\/p>\n<p>\u201cO tema foi tamb\u00e9m tratado pela Embaixadora Maria Laura da Rocha, na ocasi\u00e3o na qualidade de Ministra substituta, durante a IV Sess\u00e3o de Consultas Pol\u00edticas Brasil-Myanmar, realizada em Bras\u00edlia, no dia 28 de janeiro. Em suas gest\u00f5es, a Embaixadora Maria Laura da Rocha refor\u00e7ou a necessidade de esfor\u00e7os cont\u00ednuos para localiz\u00e1-los e resgat\u00e1-los\u201d, informou a pasta.<\/p>\n<p>O Itamaraty acrescentou que busca conscientizar os brasileiros que buscam emprego no exterior sobre os riscos do tr\u00e1fico e contrabando de pessoas,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mre\/pt-br\/assuntos\/portal-consular\/cartilhas\/trafico-de-pessoas\">com guias online<\/a>\u00a0e informes sobre os\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mre\/pt-br\/assuntos\/portal-consular\/alertas%20e%20noticias\/alertas\/myanmar-aliciamento-de-brasileiros-contratos-de-trabalho\/folheto_orientacao-repatriacao-e-retornados.pdf\">perigos das ofertas de empregos no Sudeste Asi\u00e1tico<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dois brasileiros que estavam trabalhando como escravizados em Mianmar, na \u00c1sia, conseguiram fugir no \u00faltimo s\u00e1bado (8) do cativeiro. 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