{"id":34814,"date":"2025-05-13T08:54:19","date_gmt":"2025-05-13T12:54:19","guid":{"rendered":"https:\/\/expressaoms.com.br\/?p=34814"},"modified":"2025-05-30T15:13:13","modified_gmt":"2025-05-30T19:13:13","slug":"trabalhar-e-preciso-mas-viver-e-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/expressaoms.com.br\/index.php\/2025\/05\/13\/trabalhar-e-preciso-mas-viver-e-mais\/","title":{"rendered":"Trabalhar \u00e9 preciso, mas viver \u00e9 mais"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>*<\/em><\/strong>\u00a0<strong><em>Marcos Henrique Prud\u00eancio da Silva\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>O nobre poeta Fernando Pessoa (1888-1935), disse: \u201c<em>Navegar \u00e9 preciso. Viver n\u00e3o \u00e9 preciso<\/em>.\u201d para nos mostrar a incerteza da vida e &#8211; \u00e9 claro &#8211; utilizar os dois sentidos do termo \u201c<em>preciso<\/em>\u201d. Mas, aqui o parafraseio para exprimir um pensamento: <strong><em>\u201cTrabalhar \u00e9 preciso, mas viver \u00e9 mais\u201d.<\/em><\/strong> No mundo capitalista atual a tecnologia alcan\u00e7ou n\u00edveis antes sonhados apenas na fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, e parece que a vida imitou a arte. Falamos e uma intelig\u00eancia artificial nos responde e executa a\u00e7\u00f5es; fazemos um download de um aplicativo e temos comida na porta de casa ou um transporte para qualquer lugar (obviamente se pudermos pagar por isso). E no \u00e1pice do momento temos as <em>\u201cind\u00fastrias escuras\u201d<\/em> (<em>dark factories<\/em>), f\u00e1bricas que funcionam sem luz, sem funcion\u00e1rios, apenas o trabalho morto das m\u00e1quinas habita este ecossistema frio e sombrio.<\/p>\n<p>E \u00e9 nesta \u00faltima realidade que este texto pretende filosofar e despertar indaga\u00e7\u00f5es nos leitores. Se as unidades fabris est\u00e3o cheias de algoritmos personificados em a\u00e7o e fia\u00e7\u00f5es mec\u00e2nicas, onde est\u00e3o aqueles que fazem o trabalho vivo? Qual o local foi reservado aos que mant\u00eam a riqueza, a produ\u00e7\u00e3o real sendo gerada? <em>\u201cOnde est\u00e1 o teu irm\u00e3o, \u00f3, intelig\u00eancia artificial?\u201d<\/em> Como vivem os filhos de Ad\u00e3o que deveriam comer do suor do seu rosto?<\/p>\n<p>Um dos pais do capitalismo moderno, Adam Smith no livro A Riqueza das Na\u00e7\u00f5es (1776) menciona que <em>\u201co trabalho foi o primeiro pre\u00e7o, a moeda original com que todas as coisas foram pagas.\u201d<\/em> Seguindo essa afirma\u00e7\u00e3o do economista liberal, fica a inquieta\u00e7\u00e3o: Sem o trabalho com o que as coisas ser\u00e3o pagas? Os trabalhadores s\u00e3o a grande massa consumidora do mundo, e o mesmo Smith afirma que <em>\u201co consumo \u00e9 \u00fanica finalidade e o \u00fanico prop\u00f3sito de toda produ\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>, logo, quem consumir\u00e1 a mercadoria da escurid\u00e3o do capitalismo atual? A minoria dos super ricos? Os trabalhadores sem sal\u00e1rios? Ou os trabalhadores extenuados de tanto labutar?<\/p>\n<p>Reside a\u00ed mais uma contradi\u00e7\u00e3o que o pr\u00f3prio sistema gera em tempo de tecnologias avan\u00e7ad\u00edssimas: Por que ainda trabalhamos tanto e pelo mesmo sal\u00e1rio se j\u00e1 temos imenso desenvolvimento tecnol\u00f3gico? Como aceitar uma jornada laboral de 44 horas semanais num mundo de nanorrob\u00f4s e testes de coloniza\u00e7\u00e3o espacial? O Brasil, come\u00e7a a debater mais seriamente o fim da escala 6&#215;1 (seis dias trabalhados por um dia de descanso), e isto urge para sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os avan\u00e7os cient\u00edficos n\u00e3o est\u00e3o dispostos igualmente sobre o planeta, isto \u00e9 fato. Por\u00e9m, mesmo n\u00e3o sendo a na\u00e7\u00e3o mais rica do planeta, o Brasil, enquanto Estado, possui ferramentas (pol\u00edticas e econ\u00f4micas) de exercer seu real intento, defender o povo, servir ao povo, e dar uma vida melhor aos milhares de cidad\u00e3os deste territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>A onda de substitui\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra humana por m\u00e1quinas j\u00e1 chegou ao pa\u00eds, n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de \u201cse\u201d, mas de \u201cquando\u201d teremos a maior parte de trabalhos substitu\u00eddos pela robotiza\u00e7\u00e3o. E o que faremos com a mir\u00edade de desempregados? Se a tecnologia foi modernizada \u00e9 preciso modernizar a escala de trabalho, pois esta \u00e9 uma tripla solu\u00e7\u00e3o: emprego, consumo e viv\u00eancia. Com mais rotatividade de servi\u00e7o devido a escala reduzida, mais emprego, logo, mais sal\u00e1rio. E uma viv\u00eancia maior enseja um consumo maior. Afinal, quem n\u00e3o consome mais quando est\u00e1 de folga ou f\u00e9rias?<\/p>\n<p>A Fran\u00e7a aprovou em 2000 a jornada de 35 horas semanais. Na Holanda, 29 horas semanais&gt; A Alemanha possui entre 34 horas e 35 horas semanais. Reino Unido, Jap\u00e3o, B\u00e9lgica, Nova Zel\u00e2ndia, e Su\u00e9cia possuem testes de redu\u00e7\u00e3o parcial da carga ou quatro dias de expediente. Algumas (poucas) empresas brasileiras iniciaram em 2024 o teste com redu\u00e7\u00e3o de tempo laboral. N\u00e3o poderia, o Estado brasileiro (Minist\u00e9rio do Trabalho, C\u00e2mara dos Deputados, e Senado), exercer seu poder de gerenciador do territ\u00f3rio e convocar os representantes patronais e sindicais para pensar em uma solu\u00e7\u00e3o ao povo padecente de S\u00edndrome do esgotamento profissional (Burnout)? \u2013 segundo a Ag\u00eancia Brasil, o n\u00famero de afastamento por este motivo quadruplicou entre 2020 e 2023!<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, j\u00e1 haviam problemas ligados ao tempo gasto nas f\u00e1bricas pelos oper\u00e1rios, e foi o Papa Le\u00e3o XIII na enc\u00edclica <em>Rerum Novarum<\/em> (1891) que iniciou a discuss\u00e3o sobre a justi\u00e7a nas rela\u00e7\u00f5es entre patr\u00f5es e oper\u00e1rios, criticando tanto o socialismo quando o capitalismo radical. Cito um trecho importante de tal documento que influenciou e muito v\u00e1rios pa\u00edses: &#8220;<strong><em><u>N\u00e3o se deve impor ao oper\u00e1rio um trabalho maior que as suas for\u00e7as permitam, nem por uma dura\u00e7\u00e3o inadequada ao seu tempo. A medida do trabalho n\u00e3o pode ser determinada apenas pela vontade dos patr\u00f5es, mas deve respeitar a dignidade humana e as necessidades f\u00edsicas e morais do trabalhador<\/u><\/em><\/strong>.&#8221; Desta feita, o Estado Papal \u00e9 mais pr\u00e1tico e cir\u00fargico em rela\u00e7\u00e3o a causa trabalhista do que os ditos Estados Modernos.<\/p>\n<p>Por tudo isto, h\u00e1 verdade nas duas ora\u00e7\u00f5es, <strong><em>\u201cTrabalhar \u00e9 preciso, mas viver \u00e9 mais!\u201d<\/em><\/strong>. Trabalhamos muito para comprar produtos feitos por m\u00e1quinas, assim damos sentido a exist\u00eancia das m\u00e1quinas enquanto a nossa exist\u00eancia vai escorrendo entre os dedos na liquidez da p\u00f3s-modernidade. Ora, a nossa l\u00f3gica est\u00e1 invertida! N\u00e3o somos n\u00f3s que precisamos viver para que as m\u00e1quinas existam, s\u00e3o elas que precisam existir para n\u00f3s vivamos! A vida n\u00e3o pode imitar a arte (pelo menos neste exemplo) e ser drenada pelas m\u00e1quinas bem como em The Matrix (1999), \u00e9 preciso viver e viver em abund\u00e2ncia.<\/p>\n<p><strong><em>*<\/em><\/strong>\u00a0<strong><em>Marcos Henrique Prud\u00eancio da Silva\u00a0<\/em><\/strong><em>\u00e9 ge\u00f3grafo, mestre pela\u00a0UFMS, graduando em\u00a0Filosofia pela Uninter\u00a0e experiente educador com atua\u00e7\u00e3o em\u00a0Tr\u00eas Lagoas e Andradina. Prud\u00eancio trar\u00e1 para nossas p\u00e1ginas an\u00e1lises profundas sobre\u00a0geopol\u00edtica, geoeconomia, desenvolvimento regional e filosofia.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*\u00a0Marcos Henrique Prud\u00eancio da Silva\u00a0 O nobre poeta Fernando Pessoa (1888-1935), disse: \u201cNavegar \u00e9 preciso. Viver n\u00e3o \u00e9 preciso.\u201d para nos mostrar a incerteza da vida e &#8211; \u00e9 claro &#8211; utilizar os dois sentidos do termo \u201cpreciso\u201d. Mas, aqui o parafraseio para exprimir um pensamento: \u201cTrabalhar \u00e9 preciso, mas viver \u00e9 mais\u201d. 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