{"id":40851,"date":"2025-11-19T08:53:43","date_gmt":"2025-11-19T12:53:43","guid":{"rendered":"https:\/\/expressaoms.com.br\/?p=40851"},"modified":"2025-11-19T08:53:43","modified_gmt":"2025-11-19T12:53:43","slug":"camara-celebra-consciencia-negra-com-entrega-de-diplomas-zumbi-dos-palmares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/expressaoms.com.br\/index.php\/2025\/11\/19\/camara-celebra-consciencia-negra-com-entrega-de-diplomas-zumbi-dos-palmares\/","title":{"rendered":"C\u00e2mara celebra Consci\u00eancia Negra com entrega de diplomas \u201cZumbi dos Palmares\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em>Solenidade proposta pelo vereador Professor Pedrinho Junior exaltou a atua\u00e7\u00e3o de pessoas negras em prol do munic\u00edpio <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pelo segundo ano, o dia 20 de novembro celebra, nacionalmente, o Dia de Zumbi e Dia da Consci\u00eancia Negra. Em 1971, a data ficou conhecida como marco de resist\u00eancia e luta pela liberdade da cultura afro-brasileira. Por\u00e9m, o feriado nacional foi decretado apenas a partir de 2023, ap\u00f3s a san\u00e7\u00e3o da Lei n\u00ba14.759\/23. E foi nesse prop\u00f3sito que o vereador Professor Pedrinho Junior prop\u00f4s uma solenidade, na noite desta ter\u00e7a-feira (18), para entrega de Diplomas \u201cZumbi dos Palmares\u201d, honraria concedida a personalidades e institui\u00e7\u00f5es que se destacam na luta pela igualdade racial e na valoriza\u00e7\u00e3o da cultura afro-brasileira em Tr\u00eas Lagoas.<\/p>\n<p>Estavam presentes os vereadores: Tonh\u00e3o, presidente da C\u00e2mara; Professor Pedrinho Junior, propositor; Sargento Rodrigues, l\u00edder do poder executivo; Daniel da Farm\u00e1cia; Evalda Reis; M\u00e1rio Grespan; Mi do Santa Luzia; Professora Maria Diogo; Robson do Alinhamento; e Sirlene. Membros do Conselho Municipal dos Direitos do Negro (CMDN) tamb\u00e9m se fizeram presentes: Jos\u00e9 Bento de Arruda, presidente; Cl\u00e1udio C\u00e9sar de Alc\u00e2ntara, vice-presidente; e o advogado Dr. Cleitinho, membro. Outras autoridades tamb\u00e9m vieram prestigiar a solenidade: professora Cidolina Silva; o ex-vereador Idevaldo Claudino, criador da honraria \u201cZumbi dos Palmares\u201d; e o ex-vereador Professor Nego Breno.<\/p>\n<p>Receberam o diploma: Adriano Estev\u00e3o Barbosa Rodrigues, Andr\u00e9ia da Silva Santos, Cl\u00e1udia Bazan, Jaqueline Freitas Azevedo, Jo\u00e3o Soares da Silva, Marcos Nunes da Silva, Maria Aparecida Cordeiro, Nair Rodrigues de Souza Oliveira, Patrick Carlos Corr\u00eaa e Pedro Machado Gon\u00e7alves Junior (\u201cPedrinho Junior\u201d).<\/p>\n<p>Jaqueline Azevedo usou a tribuna em nome dos homenageados fazendo um discurso lindo, po\u00e9tico e extremamente necess\u00e1rio. Uma verdadeira aula para os presentes, a qual compartilhamos na \u00edntegra:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Por Jaqueline Azevedo<\/strong><\/p>\n<p><em>Hoje, nesta sess\u00e3o solene, eu n\u00e3o estou s\u00f3. Aqui comigo est\u00e3o Zumbi dos Palmares, s\u00edmbolo maior de liberdade. Est\u00e1 Dandara, a guerreira que enfrentou ex\u00e9rcitos pela vida do seu povo. Est\u00e1 Carolina Maria de Jesus, mulher negra, forte, que abriu caminhos com resist\u00eancia silenciosa. Est\u00e1 Mestre Bimba, que transformou dor em arte, persegui\u00e7\u00e3o em movimento, e elevou a capoeira ao mundo. Est\u00e1 MarieIle Franco, que ecoa em cada luta nossa, lembrando que n\u00e3o v\u00e3o nos calar. E comigo tamb\u00e9m est\u00e3o meus ancestrais \u2014 aqueles que vieram antes, carregaram o peso, enfrentaram a viol\u00eancia, sobreviveram para que eu pudesse estar de p\u00e9 aqui hoje.<\/em><\/p>\n<p><em>Receber o Diploma Zumbi dos Palmares n\u00e3o \u00e9 pr\u00eamio: \u00a0\u00c9 responsabilidade. \u00c9 continuidade. \u00c9 compromisso com a luta que come\u00e7ou muito antes de mim. \u00c9 honrar cada passo que foi dado com os p\u00e9s descal\u00e7os sobre a terra dura deste pa\u00eds.<\/em><\/p>\n<p><em>Sou assistente social h\u00e1 16 anos e atuando h\u00e1 14 anos; professora da educa\u00e7\u00e3o infantil h\u00e1 15 anos e atuando h\u00e1 5 anos; e mulher negra num Brasil que ainda insiste em nos chamar de parda para suavizar a cor que carregamos com orgulho. Eu sei o peso e a beleza dessa pele. Eu sei o que significa entrar numa sala, numa reparti\u00e7\u00e3o, numa loja, numa entrevista de emprego&#8230; e ser lida, julgada e medida antes mesmo de abrir a boca.<\/em><\/p>\n<p><em>E ainda assim, sigo. E ainda assim, luto. Nas duas \u00e1reas em que atuo \u2014 assist\u00eancia social e educa\u00e7\u00e3o \u2014 eu sempre busco combater o racismo de frente. E na educa\u00e7\u00e3o, onde existe uma lei que garante o ensino da hist\u00f3ria e cultura afro-brasileira, fa\u00e7o essa lei viver. Porque lei no papel n\u00e3o transforma. O que transforma \u00e9 coragem. O que transforma \u00e9 voz. O que transforma \u00e9 presen\u00e7a, firmeza e consci\u00eancia.<\/em><\/p>\n<p><em>Com as crian\u00e7as, eu n\u00e3o apenas ensino conte\u00fados. Eu ensino identidade. Eu ensino pertencimento. Eu ensino que a \u00c1frica pulsa no Brasil todos os dias:<\/em><\/p>\n<ul>\n<li><em>Pulsa nas palavras que brotam da nossa boca: moleque, banana, canjica, cuscuz.<\/em><\/li>\n<li><em>Pulsa nos ritmos, nos tambores, nos movimentos da capoeira.<\/em><\/li>\n<li><em>Pulsa nos turbantes, nos colares, nas tran\u00e7as \u2014 que j\u00e1 foram mapas de fuga para quilombos.<\/em><\/li>\n<li><em>Pulsa nas abayomis, nos afetos tecidos \u00e0 m\u00e3o.<\/em><\/li>\n<li><em>Pulsa nos sabores da nossa mesa: acaraj\u00e9, tapioca, angu, cuscuz.<\/em><\/li>\n<li><em>Pulsa nas brincadeiras que atravessaram o oceano: amarelinha africana, terra-mar, tantas outras.<\/em><\/li>\n<\/ul>\n<p><em>\u00c1frica est\u00e1 em n\u00f3s. \u00c1frica nos construiu. \u00c1frica nos sustenta. Mas, mesmo estando em tudo, ficamos por anos sem nenhum privil\u00e9gio, apagados, silenciados, empurrados para a margem. E, por isso, aprendemos que precisamos nos esfor\u00e7ar tr\u00eas vezes mais para sermos vistos, aceitos, respeitados. E, por isso tamb\u00e9m, ensino \u00e0s crian\u00e7as que certas palavras, ainda t\u00e3o comuns \u2014 mulata, inveja branca, aquele pretinho \u2014 n\u00e3o s\u00e3o brincadeiras: s\u00e3o feridas. Feridas que precisamos parar de abrir.<\/em><\/p>\n<p><em>Eu acredito na educa\u00e7\u00e3o como ponte. Eu acredito no afeto como ferramenta. Eu acredito na resist\u00eancia como destino. Este momento aqui, hoje, significa muito. Porque esta bandeira que eu levanto \u2014 a da educa\u00e7\u00e3o antirracista, da dignidade do povo negro, do orgulho ancestral \u2014 n\u00e3o ser\u00e1 abaixada.<\/em><\/p>\n<p><em>Ela seguir\u00e1 erguida enquanto houver injusti\u00e7a, desigualdade, silenciamento. Ela seguir\u00e1 erguida por mim e por todos que vieram antes. Que os nossos ancestrais sintam que estamos dando continuidade ao que eles come\u00e7aram. Que saibam que a luta n\u00e3o vai cessar. Porque n\u00f3s somos a gera\u00e7\u00e3o que n\u00e3o se cala mais. Porque n\u00f3s somos a gera\u00e7\u00e3o que planta e colhe. Porque n\u00f3s somos a gera\u00e7\u00e3o que vibra e transforma.<\/em><\/p>\n<p><em>E termino afirmando aquilo que me guia, que me sustenta e que me convoca: \u201cUBUNTU. Eu sou porque n\u00f3s somos\u201d. E nas palavras eternas de Nelson Mandela, que iluminam nossos passos: \u201cA educa\u00e7\u00e3o \u00e9 a arma mais poderosa que voc\u00ea pode usar para mudar o mundo\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>Muito obrigada.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Bento, refor\u00e7ou que ali n\u00e3o estavam quaisquer homenageados, mas sim, pessoas que lutam diariamente para sobreviver, uma luta longa e \u00e1rdua. O presidente do CMDN tamb\u00e9m deu uma aula de hist\u00f3ria, contando sobre a Zumbi dos Palmares, sobre as lutas que o povo negro, afro-brasileiro sofreu e sofre at\u00e9 hoje. Por exemplo, ele lembrou que a hist\u00f3ria das favelas no Brasil est\u00e1 ligada n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 urbaniza\u00e7\u00e3o desordenada: \u201ca primeira favela, o Morro da Provid\u00eancia, surgiu no Rio de Janeiro em 1897, ap\u00f3s o fim da Guerra de Canudos, com soldados que n\u00e3o receberam as terras prometidas e se instalaram em um morro.\u00a0O nome \u2018favela\u2019 foi adotado devido a um morro no interior da Bahia que se parecia com o local onde os soldados haviam se abrigado e que tinha o nome de Morro da Favela\u201d.<\/p>\n<p>Por fim, o vereador proponente encerrou o evento citando alguns dados lament\u00e1veis: \u201cvivemos no pa\u00eds que mais praticou a escravid\u00e3o, trazendo, na \u00e9poca, cerca de cinco milh\u00f5es de africanos, 44% de todos os africanos trazidos para as am\u00e9ricas. E, por 388 anos, condenou o povo negro, causando toda essa tristeza que nosso povo, nossos ancestrais sofreram\u201d. Professor Pedrinho Junior ressaltou: \u201cnossa luta n\u00e3o \u00e9 contra nossos irm\u00e3os brancos, a nossa luta \u00e9 por direitos raciais, direitos que nos foram tolhidos por anos e que as pessoas, muitas vezes, nos oferecem como um \u2018favor\u2019, mas n\u00e3o s\u00e3o favores e sim nossos direitos\u201d.<\/p>\n<p>Emocionado, Pedrinho demonstrou sua felicidade por ver tanta gente de cor ali no plen\u00e1rio: \u201csinto falta da minha gente quando estou aqui nas sess\u00f5es ordin\u00e1rias. Por isso, espero que o dia 20 de novembro, seja um dia para chamar de \u2018nosso\u2019, mesmo que um dia seja pouco diante de toda nossa hist\u00f3ria. Continuaremos lutando! Essa noite de hoje \u00e9 mais um dia da nossa luta\u201d, encerrou<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>HIST\u00d3RIA<\/strong><\/p>\n<p>Celebrar a Consci\u00eancia Negra \u00e9 reconhecer o passado, compreender o presente e agir para transformar o futuro. Que estas narrativas fortale\u00e7am nosso compromisso coletivo com um ambiente p\u00fablico mais inclusivo, respeitoso e representativo. A data, apesar de ser concebida em 1971, foi formalizado nacionalmente em 2003, com a Lei n\u00ba10.639\/03, que torna obrigat\u00f3rio o ensino da hist\u00f3ria afro-brasileira nas escolas. Depois, em 2011, a ex-presidente Dilma Rousseff, oficializou a data como Dia Nacional de Zumbi dos Palmares e da Consci\u00eancia Negra. Apenas em 2023 \u00e9 que foi decretado feriado nacional.<\/p>\n<p>A data (20 de novembro) \u00e9 uma contraposi\u00e7\u00e3o ao 13 de maio, data de assinatura da Lei \u00c1urea pela Princesa Isabel, e faz refer\u00eancia ao dia atribu\u00eddo \u00e0 morte de\u00a0Zumbi dos Palmares, em 1695, com o prop\u00f3sito de ressaltar o protagonismo das pessoas negras.<\/p>\n<p>Zumbi foi um dos maiores l\u00edderes negros do Brasil que lutou pela liberta\u00e7\u00e3o do povo contra o\u00a0sistema escravista. Sendo assim, a data, dentre outros temas, suscita quest\u00f5es sobre\u00a0racismo,\u00a0discrimina\u00e7\u00e3o,\u00a0igualdade social, inclus\u00e3o de negros na sociedade e a\u00a0cultura afro-brasileira, assim como a promo\u00e7\u00e3o de f\u00f3runs, debates e outras atividades que valorizam a\u00a0cultura africana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Solenidade proposta pelo vereador Professor Pedrinho Junior exaltou a atua\u00e7\u00e3o de pessoas negras em prol do munic\u00edpio &nbsp; Pelo segundo ano, o dia 20 de novembro celebra, nacionalmente, o Dia de Zumbi e Dia da Consci\u00eancia Negra. Em 1971, a data ficou conhecida como marco de resist\u00eancia e luta pela liberdade da cultura afro-brasileira. 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