{"id":42090,"date":"2025-12-26T10:07:44","date_gmt":"2025-12-26T14:07:44","guid":{"rendered":"https:\/\/expressaoms.com.br\/?p=42090"},"modified":"2025-12-26T09:10:25","modified_gmt":"2025-12-26T13:10:25","slug":"veneno-no-ceu-veneno-na-agua-o-ciclo-de-contaminacao-do-agrotoxico-que-marcou-2025-em-ms","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/expressaoms.com.br\/index.php\/2025\/12\/26\/veneno-no-ceu-veneno-na-agua-o-ciclo-de-contaminacao-do-agrotoxico-que-marcou-2025-em-ms\/","title":{"rendered":"Veneno no c\u00e9u, veneno na \u00e1gua: o ciclo de contamina\u00e7\u00e3o do agrot\u00f3xico que marcou 2025 em MS"},"content":{"rendered":"<p class=\"ds-markdown-paragraph\">O agrot\u00f3xico deixou marcas profundas e diversas em Mato Grosso do Sul ao longo de 2025. Seja no \u201cbanho\u201d de veneno que atinge aldeias ind\u00edgenas, na a\u00e7\u00e3o judicial de R$ 300 milh\u00f5es por contamina\u00e7\u00e3o h\u00eddrica ou na revela\u00e7\u00e3o de que o mercado paralelo movimenta R$ 20,8 bilh\u00f5es anuais no pa\u00eds \u2013 e chama a aten\u00e7\u00e3o at\u00e9 de fac\u00e7\u00f5es criminosas \u2013, o tema dominou o notici\u00e1rio e exp\u00f4s uma crise multifacetada no estado.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">A face mais humana e dolorosa da quest\u00e3o \u00e9 encontrada na aldeia Guyrarok\u00e1, do povo Guarani Kaiow\u00e1, em Caarap\u00f3. Quando aeronaves pulverizam as lavouras de soja que cercam o territ\u00f3rio, a comunidade de 120 pessoas sofre imediatamente com dores de cabe\u00e7a e est\u00f4mago, v\u00f4mitos, diarreia e intensa coceira, principalmente nos olhos. Os efeitos s\u00e3o mais severos entre os mais vulner\u00e1veis: dos 120 habitantes, havia, em setembro, 12 beb\u00eas, 37 crian\u00e7as e quatro gestantes.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">A mudan\u00e7a no uso do solo na regi\u00e3o, que migrou da pecu\u00e1ria para a soja e o milho a partir de 2019, trouxe as sucessivas pulveriza\u00e7\u00f5es e inviabilizou a subsist\u00eancia. \u201cN\u00e3o h\u00e1 mais plantio de milho, amendoim, ab\u00f3bora, melancia, mandioca e arroz\u201d, relata a reportagem. A comunidade, cujo processo de demarca\u00e7\u00e3o est\u00e1 parado desde 2009, est\u00e1 encurralada.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">A extens\u00e3o da contamina\u00e7\u00e3o foi comprovada pela pesquisa \u201cAgrot\u00f3xicos e viola\u00e7\u00f5es nos direitos \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 soberania alimentar em comunidades Guarani Kaiow\u00e1\u201d (2021-2024). O estudo encontrou um \u201ccoquetel\u201d de diferentes agrot\u00f3xicos em todas as fontes de \u00e1gua da Guyrarok\u00e1: torneira (de po\u00e7o artesiano), nascentes e chuva.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">\u201cFicamos muito assustados com a quantidade de agrot\u00f3xico\u201d, afirma a bi\u00f3loga Alexandra Penedo de Pinho, professora da UFMS e uma das respons\u00e1veis pelo estudo. Entre os componentes identificados est\u00e1 o\u00a02,4-D, o mesmo presente no\u00a0\u201cAgente Laranja\u201d, desfolhante qu\u00edmico de alta toxicidade usado na Guerra do Vietn\u00e3 e associado a m\u00e1-forma\u00e7\u00e3o fetal. Junto com a\u00a0atrazina, esse componente tem alta capacidade de infiltrar e contaminar len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">Em novembro, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF)\u00a0ajuizou uma a\u00e7\u00e3o de\u00a0R$ 300 milh\u00f5es\u00a0contra 20 empresas e o Ibama por danos ambientais no\u00a0Rio Dourados. O processo cita estudo da Embrapa que identificou a presen\u00e7a de atrazina em\u00a0todas as 117 amostras\u00a0coletadas em 2021 na bacia do rio. O MPF contesta frontalmente a tese do \u201cuso seguro\u201d do produto, amplamente difundida pelas fabricantes.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">O problema transcende o uso legal. Uma investiga\u00e7\u00e3o sobre agiotagem em Franca (SP) revelou que a fac\u00e7\u00e3o PCC (Primeiro Comando da Capital)\u00a0havia recebido\u00a0R$ 40 mil \u201cpelo veneno\u201d, evidenciando a penetra\u00e7\u00e3o do crime organizado no lucrativo mercado paralelo de defensivos agr\u00edcolas, estimado em\u00a0R$ 20,8 bilh\u00f5es\/ano\u00a0no Brasil.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">Mato Grosso do Sul lidera as apreens\u00f5es\u00a0desse com\u00e9rcio il\u00edcito, concentrando 35% a 40% das opera\u00e7\u00f5es da Pol\u00edcia Federal, sobretudo na fronteira com o Paraguai, principal origem do contrabando.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">Dados oficiais da Iagro mostram a escala do uso: de janeiro a junho de 2025, propriedades rurais de MS utilizaram 43 milh\u00f5es de litros e 17 mil toneladas\u00a0de agrot\u00f3xicos. Desse total,\u00a05,9 milh\u00f5es de litros\u00a0eram classificados como\u00a0altamente e extremamente t\u00f3xicos\u00a0\u2013 um aumento preocupante em rela\u00e7\u00e3o aos 4,9 milh\u00f5es de litros do mesmo grau de toxicidade registrados no ano anterior.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">O ano de 2025 escancarou, assim, um ciclo perverso em Mato Grosso do Sul: o modelo de produ\u00e7\u00e3o que sustenta a economia estadual gera, simultaneamente, um rastro de intoxica\u00e7\u00e3o em comunidades tradicionais, contamina\u00e7\u00e3o ambiental em larga escala e fortalece redes de ilegalidade que se entrela\u00e7am com o crime organizado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>(*) com informa\u00e7\u00f5es de Campo Grande News<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O agrot\u00f3xico deixou marcas profundas e diversas em Mato Grosso do Sul ao longo de 2025. 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