{"id":44372,"date":"2026-03-11T13:07:04","date_gmt":"2026-03-11T17:07:04","guid":{"rendered":"https:\/\/expressaoms.com.br\/?p=44372"},"modified":"2026-03-11T09:08:50","modified_gmt":"2026-03-11T13:08:50","slug":"comunidade-tia-eva-se-torna-primeiro-quilombo-tombado-pelo-iphan-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/expressaoms.com.br\/index.php\/2026\/03\/11\/comunidade-tia-eva-se-torna-primeiro-quilombo-tombado-pelo-iphan-no-brasil\/","title":{"rendered":"Comunidade Tia Eva se torna primeiro quilombo tombado pelo Iphan no Brasil"},"content":{"rendered":"<div class=\"ds-message _63c77b1\">\n<div class=\"ds-markdown\">\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">A Comunidade Tia Eva, em Campo Grande (MS), acaba de entrar para a hist\u00f3ria como o primeiro quilombo do Brasil reconhecido pelo Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan) por meio da portaria que criou um livro de tombo espec\u00edfico para territ\u00f3rios quilombolas.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">O reconhecimento foi oficializado nesta ter\u00e7a-feira (10), durante reuni\u00e3o do conselho do Iphan no Rio de Janeiro. Com o tombamento, o instituto tamb\u00e9m publicou no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o um mapa que delimita a \u00e1rea que passa a ser protegida pelo governo federal. O t\u00edtulo refor\u00e7a a import\u00e2ncia hist\u00f3rica do local e ajuda a preservar a mem\u00f3ria e a cultura afro-brasileira na capital sul-mato-grossense.<\/p>\n<h2>Quilombo hist\u00f3rico re\u00fane cerca de 250 fam\u00edlias<\/h2>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">A decis\u00e3o foi comemorada pelos moradores da comunidade, localizada na Rua Eva Maria de Jesus, que homenageia a fundadora do territ\u00f3rio quilombola. Hoje, cerca de 250 fam\u00edlias vivem na \u00e1rea, todas descendentes de Tia Eva.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">Segundo o presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Descendentes de Tia Eva, Ronaldo Jefferson da Silva, o reconhecimento simboliza a continuidade de uma hist\u00f3ria marcada pela resist\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">&#8220;\u00c9 uma luta de resist\u00eancia de Tia Eva. Ela veio de Mineiros, em Goi\u00e1s, buscando exatamente isso: um espa\u00e7o seu, para dar continuidade \u00e0 sua linhagem e \u00e0 sua hist\u00f3ria. Com o tombamento agora, damos continuidade a esse legado e temos um territ\u00f3rio protegido pelo Iphan&#8221;, afirma.<\/p>\n<h2>Processo come\u00e7ou com pedido da pr\u00f3pria comunidade<\/h2>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">O pedido de tombamento foi feito pela pr\u00f3pria comunidade em 2024. A partir da\u00ed, o Iphan iniciou um trabalho de levantamento das refer\u00eancias culturais do local. Durante cerca de dois anos, t\u00e9cnicos do \u00f3rg\u00e3o trabalharam com os moradores para identificar e catalogar tradi\u00e7\u00f5es, hist\u00f3rias e espa\u00e7os importantes da comunidade. Com base nesse levantamento, o conselho do instituto decidiu reconhecer oficialmente o territ\u00f3rio quilombola.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">O superintendente do Iphan em Mato Grosso do Sul, Jo\u00e3o Henrique dos Santos, afirma que o tombamento tamb\u00e9m aproxima o Estado da comunidade:<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">&#8220;A principal mudan\u00e7a \u00e9 a presen\u00e7a do Estado brasileiro mais pr\u00f3ximo da comunidade. O processo identifica as refer\u00eancias culturais e define a\u00e7\u00f5es de salvaguarda para que essas tradi\u00e7\u00f5es continuem existindo dentro da comunidade e para as futuras gera\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<h2>Igreja hist\u00f3rica passa por restaura\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">Entre os principais s\u00edmbolos culturais da comunidade est\u00e1 a Igreja de S\u00e3o Benedito, constru\u00edda em 1919. O templo j\u00e1 \u00e9 tombado como patrim\u00f4nio hist\u00f3rico do munic\u00edpio e do estado.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">O pr\u00e9dio passa por obras de restaura\u00e7\u00e3o e ser\u00e1 o centro de um novo complexo comunit\u00e1rio. O projeto prev\u00ea a constru\u00e7\u00e3o de uma pra\u00e7a, um centro de atendimento \u00e0 comunidade e a reforma do sal\u00e3o de eventos.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">A obra tem investimento de mais de R$ 2,2 milh\u00f5es. Apesar das chuvas recentes, o cronograma segue sem atraso. A previs\u00e3o \u00e9 que todo o complexo seja entregue at\u00e9 junho do pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">Segundo o gerente de projetos e or\u00e7amentos da Ag\u00eancia Estadual de Gest\u00e3o de Empreendimentos (Agesul), Adanilton Faustino de Souza J\u00fanior, a prioridade inicial foi restaurar a igreja:<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">&#8220;A gente deu prioridade para a igreja por conta da situa\u00e7\u00e3o estrutural. Al\u00e9m disso, em novembro temos o centen\u00e1rio de Tia Eva, e a ideia \u00e9 entregar o templo restaurado para as festividades.&#8221;<\/p>\n<h2>Reconhecimento emociona moradores<\/h2>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">Para a arquiteta Ra\u00edssa Almeida Silva, moradora da comunidade que ajudou no levantamento hist\u00f3rico do territ\u00f3rio junto ao Iphan, o tombamento representa uma conquista hist\u00f3rica:<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">&#8220;\u00c9 um reconhecimento que a gente recebe com muita gratid\u00e3o. A comunidade est\u00e1 muito emocionada. Muitas pessoas de Campo Grande ainda n\u00e3o conhecem a hist\u00f3ria de Tia Eva, e agora essa hist\u00f3ria ganha visibilidade.&#8221;<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">Com o tombamento, a Comunidade Tia Eva passa a integrar oficialmente o patrim\u00f4nio cultural brasileiro, fortalecendo a preserva\u00e7\u00e3o de sua hist\u00f3ria e das tradi\u00e7\u00f5es que atravessam gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h2>Quem foi Tia Eva<\/h2>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">Eva Maria de Jesus, conhecida como Tia Eva, foi uma mulher negra que marcou a hist\u00f3ria de Campo Grande. Nascida em Mineiros (GO), ela foi escravizada e conseguiu a alforria no fim do s\u00e9culo XIX. Anos depois, em 1905, mudou-se para a regi\u00e3o que hoje \u00e9 a capital sul-mato-grossense acompanhada das tr\u00eas filhas.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">Na nova terra, Eva Maria de Jesus comprou um terreno e fundou uma comunidade que se tornaria um dos mais antigos territ\u00f3rios quilombolas urbanos do pa\u00eds. Conhecida pela f\u00e9 e pelo trabalho com os moradores, ela atuava como parteira, benzedeira, curandeira e professora, ajudando pessoas da regi\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">Devota de S\u00e3o Benedito, Tia Eva tamb\u00e9m construiu a primeira igreja da comunidade, origem da atual Igreja de S\u00e3o Benedito, que se tornou um dos principais s\u00edmbolos culturais do local e mant\u00e9m at\u00e9 hoje uma tradicional festa religiosa organizada pelos descendentes.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">Tia Eva morreu em 1926, mas o territ\u00f3rio fundado por ela permanece vivo: hoje, centenas de fam\u00edlias descendentes continuam morando na comunidade que leva seu nome e preserva sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ds-theme\"><\/div>\n<div class=\"ds-flex _0a3d93b\">\n<div class=\"ds-flex _965abe9 _54866f7\">\n<div class=\"db183363 ds-icon-button ds-icon-button--m ds-icon-button--sizing-container\" tabindex=\"0\" role=\"button\" aria-disabled=\"false\">\n<div class=\"ds-focus-ring\"><em>(*) com informa\u00e7\u00f5es de G1 MS<\/em><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Comunidade Tia Eva, em Campo Grande (MS), acaba de entrar para a hist\u00f3ria como o primeiro quilombo do Brasil reconhecido pelo Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan) por meio da portaria que criou um livro de tombo espec\u00edfico para territ\u00f3rios quilombolas. 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