{"id":44975,"date":"2026-03-30T08:51:26","date_gmt":"2026-03-30T12:51:26","guid":{"rendered":"https:\/\/expressaoms.com.br\/?p=44975"},"modified":"2026-03-30T08:51:26","modified_gmt":"2026-03-30T12:51:26","slug":"bracell-estuda-hidrovia-para-escoar-producao-de-celulose-em-bataguassu-e-reduzir-impacto-rodoviario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/expressaoms.com.br\/index.php\/2026\/03\/30\/bracell-estuda-hidrovia-para-escoar-producao-de-celulose-em-bataguassu-e-reduzir-impacto-rodoviario\/","title":{"rendered":"Bracell estuda hidrovia para escoar produ\u00e7\u00e3o de celulose em Bataguassu e reduzir impacto rodovi\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<div class=\"ds-message _63c77b1\">\n<div class=\"ds-markdown\">\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">Em contagem regressiva para obter a licen\u00e7a de instala\u00e7\u00e3o de sua nova f\u00e1brica em Bataguassu, na regi\u00e3o leste de Mato Grosso do Sul, a\u00a0Bracell\u00a0\u2014 do grupo indon\u00e9sio Royal Golden Eagle (RGE) \u2014 avalia a viabilidade de utilizar a\u00a0hidrovia do Rio Paran\u00e1\u00a0para escoar parte de sua produ\u00e7\u00e3o. A nova unidade ter\u00e1 capacidade anual de at\u00e9\u00a02,9 milh\u00f5es de toneladas de celulose, sendo a quinta f\u00e1brica do setor instalada no estado.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">Atualmente, a empresa j\u00e1 cultiva \u00e1reas de eucalipto h\u00e1 cerca de seis anos em Mato Grosso do Sul, quando anunciou o plantio de\u00a050 mil hectares. Al\u00e9m disso, adquiriu planta\u00e7\u00f5es de terceiros e transporta a madeira por caminh\u00f5es. De Bataguassu at\u00e9 a f\u00e1brica da Bracell em Len\u00e7\u00f3is Paulista (SP) s\u00e3o aproximadamente\u00a0450 quil\u00f4metros de estrada\u00a0\u2014 percurso que a empresa pretende substituir por barca\u00e7as.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">De acordo com declara\u00e7\u00f5es do secret\u00e1rio de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel,\u00a0Jaime Verruck, ao jornal\u00a0<em>Valor Econ\u00f4mico<\/em>, a Bracell inicialmente pretende utilizar a hidrovia para levar eucalipto de Mato Grosso do Sul at\u00e9 sua f\u00e1brica paulista. \u201cSe funcionar bem para o eucalipto, eles estudam usar com a celulose tamb\u00e9m\u201d, afirmou o secret\u00e1rio, que no in\u00edcio de abril deve deixar o cargo para disputar uma vaga na C\u00e2mara dos Deputados.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">O trajeto planejado prev\u00ea que as barca\u00e7as saiam das imedia\u00e7\u00f5es de Bataguassu, subam o Rio Paran\u00e1 at\u00e9 a\u00a0hidrel\u00e9trica de Jupi\u00e1, onde existe uma\u00a0eclusa\u00a0\u2014 estrutura inaugurada em 1998 que permite a transposi\u00e7\u00e3o do desn\u00edvel de cerca de 26 metros. A c\u00e2mara da eclusa tem aproximadamente 210 metros de comprimento, 17 metros de largura e cinco metros de profundidade, comportando grandes embarca\u00e7\u00f5es e comboios.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">Ap\u00f3s transpor a barragem, as embarca\u00e7\u00f5es seguiriam at\u00e9 a foz do Rio Tiet\u00ea e continuariam em territ\u00f3rio paulista at\u00e9 um\u00a0terminal intermodal\u00a0(que integra ferrovia, hidrovia e rodovia) no munic\u00edpio de\u00a0Pederneiras, a 35 quil\u00f4metros da f\u00e1brica da Bracell em Len\u00e7\u00f3is Paulista. No caso da madeira, ela seria industrializada nessa unidade.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">Se o transporte hidrovi\u00e1rio se mostrar vi\u00e1vel para a celulose, o produto seria levado at\u00e9 a regi\u00e3o de Pederneiras e, de l\u00e1,\u00a0despachado por ferrovia at\u00e9 o Porto de Santos, percorrendo mais 550 quil\u00f4metros por trilhos. A Bracell de S\u00e3o Paulo j\u00e1 utiliza esse terminal para escoar sua pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">A viabilidade do projeto depende da an\u00e1lise dos\u00a0impactos e custos dos m\u00faltiplos transbordos de carga. No entanto, a hidrovia apresenta vantagens significativas: \u00e9 mais competitiva que o transporte rodovi\u00e1rio e reduz em\u00a080% as emiss\u00f5es de CO\u2082.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">Por outro lado, h\u00e1 riscos relacionados a\u00a0per\u00edodos de estiagem, como o registrado no in\u00edcio de 2026, que causou um recuo moment\u00e2neo na movimenta\u00e7\u00e3o de cargas pela hidrovia.<\/p>\n<h2>Alternativa rodovi\u00e1ria: 300 carretas por dia<\/h2>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">Caso a op\u00e7\u00e3o hidrovi\u00e1ria se mostre invi\u00e1vel, a produ\u00e7\u00e3o dever\u00e1 ser escoada por\u00a0cerca de 300 carretas diariamente. Esse volume, conforme os estudos de impacto ambiental da Bracell, seria necess\u00e1rio apenas para escoar a produ\u00e7\u00e3o. Outras\u00a0500 carretas\u00a0passariam a circular na regi\u00e3o para abastecer a f\u00e1brica com madeira e demais insumos.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">A estimativa \u00e9 de que sejam consumidos anualmente\u00a012 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de madeira, o equivalente \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de cerca de\u00a050 mil hectares de eucaliptos.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">No percurso rodovi\u00e1rio, os caminh\u00f5es teriam de percorrer cerca de\u00a0270 quil\u00f4metros at\u00e9 a Ferronorte, em Aparecida do Taboado, de onde a celulose seguiria por ferrovia at\u00e9 o Porto de Santos. Al\u00e9m de passar pela \u00e1rea urbana de Bataguassu \u2014 que deve receber um contorno rodovi\u00e1rio \u2014, as carretas atravessariam cidades como\u00a0Brasil\u00e2ndia, Tr\u00eas Lagoas e Selv\u00edria. Outra alternativa seria transportar a produ\u00e7\u00e3o diretamente at\u00e9 o terminal da Bracell em Len\u00e7\u00f3is Paulista, um percurso de\u00a0460 km.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">Inicialmente, havia a previs\u00e3o de que a\u00a0licen\u00e7a de instala\u00e7\u00e3o\u00a0da f\u00e1brica \u2014 or\u00e7ada em\u00a0R$ 16 bilh\u00f5es\u00a0\u2014 fosse concedida at\u00e9 o fim de mar\u00e7o. No entanto, a empresa ainda n\u00e3o fez o pedido formal, o que est\u00e1 previsto para ocorrer at\u00e9 o final da pr\u00f3xima semana. Embora n\u00e3o haja confirma\u00e7\u00e3o oficial,\u00a0impasses sobre o local exato de instala\u00e7\u00e3o\u00a0teriam atrasado os planos iniciais.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">Ap\u00f3s a formaliza\u00e7\u00e3o do pedido, o Governo do Estado deve levar cerca de\u00a060 dias\u00a0para realizar as an\u00e1lises finais e liberar as obras. Se n\u00e3o houver novos atrasos, as obras devem ter in\u00edcio ainda no\u00a0segundo semestre de 2026, com previs\u00e3o de dura\u00e7\u00e3o de\u00a038 meses. Ou seja, se come\u00e7arem em meados de 2026, se estender\u00e3o at\u00e9 o\u00a0final de 2029.<\/p>\n<h2>Localiza\u00e7\u00e3o e infraestrutura<\/h2>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">A f\u00e1brica ficar\u00e1 \u00e0s margens da\u00a0BR-267, a nove quil\u00f4metros da \u00e1rea urbana de Bataguassu, entre a cidade e o lago da\u00a0hidrel\u00e9trica de Porto Primavera, a quase quatro quil\u00f4metros do lago \u2014 que tamb\u00e9m poder\u00e1 ser utilizado para escoamento da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">\u00c9 desse lago, formado pelo represamento do Rio Paran\u00e1, que a ind\u00fastria captar\u00e1 os\u00a011 milh\u00f5es de litros de \u00e1gua por hora\u00a0necess\u00e1rios para seu funcionamento. Cerca de 9 milh\u00f5es de litros ser\u00e3o devolvidos ao lago ap\u00f3s o tratamento adequado. Segundo a Bracell, os efluentes ser\u00e3o tratados e trar\u00e3o\u00a0impacto m\u00ednimo na qualidade da \u00e1gua.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">No pico das obras, o empreendimento deve gerar\u00a012 mil empregos. Ap\u00f3s a entrada em opera\u00e7\u00e3o, cerca de\u00a02 mil trabalhadores\u00a0ser\u00e3o mantidos.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">A f\u00e1brica ser\u00e1 a primeira de Mato Grosso do Sul a produzir\u00a0celulose sol\u00favel, utilizada na fabrica\u00e7\u00e3o de\u00a0fibras t\u00eaxteis, fraldas, len\u00e7os umedecidos, sorvetes, molhos, c\u00e1psulas farmac\u00eauticas, tintas e esmaltes. Dependendo da demanda, a unidade ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de produzir esse tipo de celulose, como j\u00e1 ocorre com a f\u00e1brica do grupo em Len\u00e7\u00f3is Paulista.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">Al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o de celulose, a f\u00e1brica gerar\u00e1\u00a0energia el\u00e9trica suficiente\u00a0para abastecer a pr\u00f3pria ind\u00fastria, com\u00a0excedente a ser injetado na rede\u00a0da regi\u00e3o. No in\u00edcio da opera\u00e7\u00e3o, a Bracell precisar\u00e1 de\u00a066 megawatts. Ap\u00f3s entrar em funcionamento, dever\u00e1 gerar\u00a0400 megawatts, sendo que metade ser\u00e1 vendida para transmiss\u00e3o e consumo em outras regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">No entanto, a infraestrutura para receber energia e escoar o excedente enfrenta um\u00a0s\u00e9rio gargalo. Ainda n\u00e3o existe uma\u00a0linha de transmiss\u00e3o\u00a0para atender \u00e0 f\u00e1brica. A companhia aguarda o leil\u00e3o de uma\u00a0subesta\u00e7\u00e3o em Ivinhema, a 155 quil\u00f4metros da unidade, que deve ocorrer ainda este ano, para obter autoriza\u00e7\u00e3o para implementa\u00e7\u00e3o do linh\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">Diferentemente do que ocorreu em Ribas do Rio Pardo e Inoc\u00eancia, onde as pr\u00f3prias empresas providenciaram os linh\u00f5es extras de energia, em Bataguassu ainda haver\u00e1 necessidade de investimentos para levar a energia a partir da subesta\u00e7\u00e3o de Ivinhema \u2014 etapa que n\u00e3o depende diretamente da Bracell.<\/p>\n<h2>A quinta f\u00e1brica de celulose de MS<\/h2>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">A nova ind\u00fastria ser\u00e1 a\u00a0quinta f\u00e1brica de celulose instalada em Mato Grosso do Sul. A primeira, da\u00a0Suzano, entrou em opera\u00e7\u00e3o em 2009, em Tr\u00eas Lagoas. Em 2012, foi ativada a unidade do grupo J&amp;F, a\u00a0Eldorado, tamb\u00e9m em Tr\u00eas Lagoas.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">Em julho de 2024, come\u00e7ou a funcionar a f\u00e1brica da\u00a0Suzano em Ribas do Rio Pardo, atualmente a\u00a0maior f\u00e1brica de celulose em linha \u00fanica do mundo, com capacidade para 2,55 milh\u00f5es de toneladas por ano.<\/p>\n<p class=\"ds-markdown-paragraph\">Esse t\u00edtulo, por\u00e9m, passar\u00e1 para a\u00a0Arauco, que no segundo semestre de 2027 promete ativar uma f\u00e1brica em\u00a0Inoc\u00eancia, onde ser\u00e3o produzidas\u00a03,5 milh\u00f5es de toneladas por ano. As obras est\u00e3o a todo vapor e atualmente abrigam cerca de\u00a0dez mil trabalhadores.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"ds-theme\"><\/div>\n<div class=\"ds-flex _0a3d93b\">\n<div class=\"ds-flex _965abe9 _54866f7\">\n<div class=\"db183363 ds-icon-button ds-icon-button--m ds-icon-button--sizing-container\" tabindex=\"0\" role=\"button\" aria-disabled=\"false\">\n<div class=\"ds-icon-button__hover-bg\"><\/div>\n<div class=\"ds-icon\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em contagem regressiva para obter a licen\u00e7a de instala\u00e7\u00e3o de sua nova f\u00e1brica em Bataguassu, na regi\u00e3o leste de Mato Grosso do Sul, a\u00a0Bracell\u00a0\u2014 do grupo indon\u00e9sio Royal Golden Eagle (RGE) \u2014 avalia a viabilidade de utilizar a\u00a0hidrovia do Rio Paran\u00e1\u00a0para escoar parte de sua produ\u00e7\u00e3o. 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