{"id":6742,"date":"2022-04-07T19:32:10","date_gmt":"2022-04-07T22:32:10","guid":{"rendered":"https:\/\/expressaoms.com.br\/?p=6742"},"modified":"2022-04-07T19:32:10","modified_gmt":"2022-04-07T22:32:10","slug":"cerveja-custava-r-15-e-fuga-r-200-mil-via-pix-em-prisao-de-ponta-pora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/expressaoms.com.br\/index.php\/2022\/04\/07\/cerveja-custava-r-15-e-fuga-r-200-mil-via-pix-em-prisao-de-ponta-pora\/","title":{"rendered":"Cerveja custava R$ 15 e fuga R$ 200 mil via pix em pris\u00e3o de Ponta Por\u00e3"},"content":{"rendered":"<p>Uma latinha de cerveja era vendida aos presos por R$ 15,00 na Unidade Penal Ricardo Brand\u00e3o, em Ponta Por\u00e3, no Mato Grosso do Sul, uma das cidades mais violentas do pa\u00eds, na fronteira com o Paraguai, onde h\u00e1 forte presen\u00e7a de integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital). Uma fuga custava at\u00e9 R$ 200 mil.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a para uma cela mais confort\u00e1vel, com frigobar, ventilador e m\u00f3veis com prateleiras ficava em torno de R$ 6 mil, podendo ser paga em duas vezes. J\u00e1 a ida para um pavilh\u00e3o com regras menos r\u00edgidas n\u00e3o sa\u00eda por menos de R$ 2 mil.<\/p>\n<p>As irregularidades cometidas no pres\u00eddio vieram \u00e0 tona em 30 de junho do ano passado, quando foram apreendidos na unidade 1.930 latinhas de cerveja, 120 long necks, 13 litros de cacha\u00e7a, tr\u00eas garrafas de vinho e uma de u\u00edsque. Foram encontrados ainda um tablet, quatro telefones celulares, dois carregadores de celular, uma carteira com R$ 970,00, R$ 5.000,00; 5 mil guaranis (moeda paraguaia), uma faca, barras de ferro, perfumes e uma caixa de som. Dois dias depois das apreens\u00f5es foram registradas a fuga dos presos Celso Gon\u00e7alves Sanguina e N\u00e9dio Marques Brito Filho. Segundo investiga\u00e7\u00f5es do Dracco (Departamento de Repress\u00e3o \u00e0 Corrup\u00e7\u00e3o e ao Crime Organizado) do Mato Grosso do Sul, os prisioneiros sa\u00edram pela porta da frente.<\/p>\n<p>Cinco funcion\u00e1rios da unidade foram presos pelo Dracco em janeiro deste ano e, posteriormente, denunciados \u00e0 Justi\u00e7a pelos crimes de associa\u00e7\u00e3o \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o criminosa, concuss\u00e3o (quando um funcion\u00e1rio p\u00fablico age com a finalidade de obter vantagem indevida para si ou terceiros) e corrup\u00e7\u00e3o passiva.<\/p>\n<p>Os agentes acusados s\u00e3o um diretor do pres\u00eddio, um chefe de disciplina, um chefe de seguran\u00e7a e dois chefes de equipe. Todos foram conduzidos para o Centro de Triagem de Campo Grande. Eles tiveram a pris\u00e3o preventiva decretada. A Justi\u00e7a aceitou a den\u00fancia e marcou para o pr\u00f3ximo dia 5 a oitiva de 26 testemunhas de acusa\u00e7\u00e3o dos r\u00e9us.<\/p>\n<p>Presos foram ouvidos em inqu\u00e9rito policial e confirmaram que cada latinha de cerveja custava R$ 15,00. Segundo os relatos, alguns dos agentes preferiam receber o pagamento em dinheiro e outros concordavam com a transfer\u00eancia via Pix.<\/p>\n<p>Em depoimento, um prisioneiro revelou que pagou R$ 7 mil para ser transferido para um pavilh\u00e3o conhecido como &#8220;Mangueir\u00e3o&#8221;. Nesse setor, os detentos ficam fora da cela durante o hor\u00e1rio de almo\u00e7o e at\u00e9 as 20h, mesmo com o expediente administrativo sendo encerrado \u00e0s 16h30 na unidade.<\/p>\n<p>De acordo com apura\u00e7\u00f5es do Dracco, nos demais pavilh\u00f5es, os presidi\u00e1rios s\u00e3o trancados durante o hor\u00e1rio do almo\u00e7o, ou seja, das 11h \u00e0s 13h, e depois s\u00e3o recolhidos \u00e0s celas \u00e0s 17h. Por isso muitos pagaram pela transfer\u00eancia para o &#8220;Mangueir\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Outro prisioneiro contou em depoimento que pagou R$ 4 mil para ser removido para o &#8220;Mangueir\u00e3o&#8221;, sendo R$ 3 mil em dinheiro e mais R$ 1 mil trinta dias depois. O Dracco apurou que n\u00e3o havia um pre\u00e7o fixo e que o valor era cobrado circunstancialmente, dependendo do agente penal.<\/p>\n<p>Para ser removido do pavilh\u00e3o chamado de &#8220;Castelinho&#8221;, onde as instala\u00e7\u00f5es &#8211; como celas e banheiro &#8211; s\u00e3o prec\u00e1rias, um preso teve de desembolsar R$ 10 mil. Segundo ele, um agente exigiu mais R$ 10 mil depois e como n\u00e3o tinha dinheiro, os amigos pagaram o restante.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com os relatos dos presos, a fuga de Celso e de N\u00e9dio custou \u00e0 \u00e9poca US$ 30 mil ou R$ 200 mil. A rep\u00f3rter Aline dos Santos, do portal de not\u00edcias Campo Grande News, do Mato Grosso do Sul, publicou um trecho do depoimento de um detento, citando o valor, na edi\u00e7\u00e3o de 31 de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>Ponta Por\u00e3 \u00e9 uma cidade g\u00eamea de Pedro Juan Caballero, bem na fronteira com o Paraguai. A regi\u00e3o \u00e9 considerada importante rota do tr\u00e1fico de drogas. O lugar tamb\u00e9m \u00e9 palco de chacinas, homic\u00eddios e conflitos sangrentos entre fac\u00e7\u00f5es criminosas em disputa pelo controle do territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<pre>Fonte: Josmar Jozino, colunista do UOL.<\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma latinha de cerveja era vendida aos presos por R$ 15,00 na Unidade Penal Ricardo Brand\u00e3o, em Ponta Por\u00e3, no Mato Grosso do Sul, uma das cidades mais violentas do pa\u00eds, na fronteira com o Paraguai, onde h\u00e1 forte presen\u00e7a de integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital). 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