O idoso de 83 anos encontrado em situação degradante, com larvas pelo corpo e em estado grave dentro de sua própria residência em Selvíria (MS), continua internado em um hospital de Três Lagoas. O caso, que chocou a região, segue sendo investigado pela Polícia Civil sob a suspeita de maus-tratos praticados pela filha da vítima, de 60 anos, que se apresentou como responsável pelos cuidados do idoso. De acordo com o delegado responsável pelo inquérito, o paciente permanece hospitalizado e, até o momento, não há novas atualizações oficiais sobre a evolução de seu estado de saúde. A gravidade do quadro exigiu a transferência da vítima de um hospital de Selvíria para uma unidade de maior complexidade em Três Lagoas, onde segue recebendo atendimento médico.
A situação foi revelada após uma denúncia anônima que mobilizou uma equipe do Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) e da Polícia Militar. Os agentes se dirigiram até a residência informada e se depararam com um cenário de abandono e sofrimento. O idoso foi encontrado deitado em uma cama, sem roupas, gritando de dor. Ele apresentava larvas pelo corpo, além de sinais de desidratação, desnutrição e diversas lesões. Após o resgate, a vítima recebeu os primeiros atendimentos em um hospital de Selvíria, mas, diante da gravidade do quadro clínico, foi imediatamente transferida para Três Lagoas, onde permanece internada até esta data.
A filha do idoso, de 60 anos, apresentou-se às autoridades como sendo a responsável pelos cuidados do pai. Ela agora é investigada e poderá responder criminalmente por maus-tratos, caso a suspeita seja confirmada ao longo das apurações. O crime de maus-tratos contra idosos está previsto no Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/2003) e pode resultar em penas que variam de 2 meses a 1 ano de detenção, além de multa, podendo ser aumentadas conforme a gravidade da conduta e as consequências para a vítima. O artigo 99 do Estatuto do Idoso estabelece como crime expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa idosa, submetendo-a a condições desumanas ou degradantes, ou privando-a de alimentos ou cuidados indispensáveis, quando obrigado a fazê-lo.
A Polícia Civil de Selvíria continua à frente das investigações, colhendo depoimentos e documentos que possam esclarecer há quanto tempo o idoso vivia naquelas condições e se houve negligência continuada por parte da familiar responsável. O Creas também acompanha o caso, prestando apoio psicossocial à família e avaliando a necessidade de medidas protetivas, caso haja outros idosos ou pessoas vulneráveis sob os mesmos cuidados. Casos de suspeita de maus-tratos contra idosos podem ser denunciados anonimamente pelo Disque 100, pelo Disque 190, pelo Conselho Municipal do Idoso de cada cidade ou pelo Ministério Público. Esta matéria será atualizada assim que houver novas informações sobre o estado de saúde do idoso e o andamento das investigações.











