A partir da próxima quarta-feira (22), entram em vigor as novas regras do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), promovendo a maior ampliação do programa habitacional nos últimos anos. A principal mudança é a inclusão de famílias com renda mensal de até R$ 13 mil, além do aumento no valor máximo dos imóveis financiados, que pode chegar a R$ 600 mil nas faixas mais altas.
Com a medida, o programa passa a atender também a classe média, contemplando um público que antes dependia de outras linhas de crédito imobiliário, muitas vezes com juros menos competitivos.
Além da elevação da renda máxima permitida, o governo federal reajustou os limites dos imóveis nas faixas superiores. Na faixa 3, o teto subiu de R$ 350 mil para R$ 400 mil. Já na nova faixa voltada à classe média, o valor máximo financiável passou de R$ 500 mil para R$ 600 mil.
Outra alteração importante está no enquadramento das famílias, que pode modificar as condições de financiamento — como taxas de juros e acesso a subsídios — conforme a renda declarada.
Em Mato Grosso do Sul, o setor da construção civil avalia que a mudança pode impactar positivamente a demanda por imóveis. O presidente do Sinduscon-MS (Sindicato Intermunicipal da Indústria da Construção do Estado de Mato Grosso do Sul), Alonso Resende do Nascimento, afirma que a ampliação tende a estimular o mercado.
“O Sindicato vê com otimismo as recentes alterações no programa e acredita que possam gerar maior crescimento ao setor imobiliário no Estado”, declarou.
Dados da prévia do Censo Imobiliário de Campo Grande indicam que mais de 900 unidades foram comercializadas no primeiro trimestre de 2026 dentro do programa, o que demonstra a capilaridade do MCMV na capital sul-mato-grossense.
O Sindimóveis/MS (Sindicato dos Corretores de Imóveis de Mato Grosso do Sul) informa que o Estado tem registrado aumento na demanda por imóveis nos últimos anos, impulsionado pela chegada de novos moradores e por investimentos econômicos na região.
No entanto, a entidade alerta que o cenário depende do comportamento dos juros. Atualmente, os financiamentos imobiliários operam, em média, entre 11% e 12,5% ao ano.
Para a presidente do Sindimóveis, Luciana de Almeida, as mudanças devem impactar diretamente o mercado local, especialmente em Campo Grande.
“A ampliação da renda atendida e o aumento dos tetos devem aquecer a demanda em Campo Grande, principalmente entre famílias que antes estavam fora do Minha Casa, Minha Vida. Dessa forma, as novas medidas vão movimentar o segmento econômico e também o segmento de padrão médio”, avaliou Luciana.
As simulações com as novas regras poderão ser feitas a partir da próxima semana, por meio dos canais da Caixa Econômica Federal, instituição responsável pela maior parte das operações do programa. A expectativa do setor é de um aumento significativo no número de contratos já no segundo semestre de 2026.











