Escassez de gás boliviano não ameaça reativação da UFN3, afirma Petrobras

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A possível redução da oferta de gás natural das jazidas bolivianas nos próximos anos não representa risco para a reativação da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN3), em Três Lagoas (MS). A informação é da Petrobras, que pretende retomar as obras da fábrica até junho deste ano.

De acordo com o gerente-executivo de Projetos de Desenvolvimento da Produção e Descomissionamento da estatal, Dimitrios Chalela Magalhães, há garantia de fornecimento da matéria-prima, essencial para a fabricação de fertilizantes nitrogenados como ureia e amônia, além de gás carbônico.

“Temos conexão com o Gasbol [gasoduto Bolívia-Brasil]. Mas se, eventualmente terminar o gás vindo da Bolívia, nós usamos o novo gás que vai estar na malha brasileira”, explicou Magalhães. “A gente reverte o fluxo, e coloca o gás para dentro da UFN3”, acrescentou.

Quando concluída, a UFN3 exigirá 2,2 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. Atualmente, a Petrobras compra da Bolívia entre 10 milhões e 15 milhões de metros cúbicos diários.

Há ainda tratativas entre Brasil, Argentina e Bolívia para trazer gás da jazida de Vaca Muerta, na Argentina, por meio do Gasbol. Testes já foram realizados com êxito, revertendo o fluxo de parte do gasoduto que liga a Bolívia à Argentina.

Além disso, Magalhães destacou que o plano de investimentos da Petrobras prevê a adição de 18 milhões de metros cúbicos de gás a partir da costa de Sergipe, o que também poderá abastecer a unidade trê-lagoense.

A retomada das obras da UFN3 está prevista entre junho e julho deste ano, dependendo da assinatura dos contratos, que deve ocorrer em maio. A expectativa é que a unidade entre em operação no primeiro semestre de 2029.

Paralisado há mais de uma década, o empreendimento é considerado estratégico para reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados. O investimento estimado é de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5 bilhões).

Durante o pico das obras, a previsão é gerar de 7 mil a 8 mil empregos diretos, além de vagas indiretas na região.

Quando estiver em operação, a UFN3 terá capacidade para produzir 3.600 toneladas diárias de ureia e 2.200 toneladas de amônia, podendo suprir cerca de 15% da demanda nacional por fertilizantes nitrogenados.

O projeto mantém as características originais de 2011 e é considerado competitivo no consumo de gás natural. Parte da estrutura já existente será reaproveitada.

O tema ganhou ainda mais relevância após a instabilidade global provocada pela Guerra da Ucrânia, que afetou o fornecimento internacional desses insumos.

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Edição 277