UFMS e Copa Energia inauguram laboratório inédito no mundo para misturar GLP com hidrogênio verde

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A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e a Copa Energia inauguraram, nesta terça-feira (5), um laboratório dedicado à pesquisa sobre a mistura de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) com hidrogênio. A parceria avança no desenvolvimento de uma solução para tornar o uso de combustíveis mais limpo na indústria, combinando inovação tecnológica e energia renovável para viabilizar uma mistura menos poluente.

O Laboratório Modular Copa H2, como é chamado, é um centro de estudos para essa mistura. Segundo o professor Cauê Martins, coordenador da pesquisa na UFMS, foram 20 meses de estudos para conseguir unir o hidrogênio ao GLP. O objetivo é reduzir os poluentes nas emissões de gases em indústrias.

A mistura será usada em um equipamento chamado MixOby, também desenvolvido na UFMS. “Oby significa verde em tupi-guarani, então seria uma mistura ‘verde’. Esse equipamento produz hidrogênio renovável a partir da água e é usado com energia solar. Depois, esse hidrogênio é diretamente injetado, em tempo real, na linha de GLP do cliente”, explica o professor.

O resultado é a redução na emissão de poluentes como o gás carbônico, principal responsável pelo efeito estufa, e os óxidos de nitrogênio (NOx), considerados prejudiciais à saúde humana.

Conforme o professor Cauê Martins, o MixOby é um equipamento inédito no mundo e Mato Grosso do Sul é pioneiro nesse avanço tecnológico. “Esse equipamento produz o hidrogênio sem armazenamento, ou seja, ele já é consumido no momento em que é gerado sem interferir em nenhuma etapa do processo industrial”, destaca.

Para chegar a uma mistura considerada ideal, também chamada de “blend”, foram mais de 20 pesquisadores e profissionais envolvidos. A previsão é que o primeiro equipamento seja instalado em um cliente da Copa Energia até o fim de 2026.

“O projeto faz parte de um caminho maior de se buscar a transição energética justa e acessível para todos. O GLP é um combustível que chega em todas as regiões do Brasil, para quase todos os consumidores e também na indústria. Quando você coloca o hidrogênio verde nessa cadeia, você diminui a pegada poluente, mantendo a capacidade de entrega de energia”, afirma Luiz Felipe Pellegrini, diretor de Biometano e Inovação da Copa Energia.

Pellegrini destaca que a iniciativa também pode ampliar a segurança energética ao combinar diferentes fontes de energia. A proposta é oferecer aos clientes os benefícios dos dois combustíveis com menor impacto ambiental.

O professor Cauê Martins destacou a importância da parceria entre indústrias e universidades, essencial para atender e compreender as demandas industriais. Para a reitora da UFMS, Camila Ítavo, o principal ganho para a universidade é poder entregar pesquisas e metodologias com mais eficiência para o consumidor.

“Isso poderia ser feito dentro das próprias indústrias, mas trabalhar com a universidade também traz vantagem competitiva e tem efeito positivo na formação de novos profissionais”, destaca a reitora.

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Edição 277