O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) deflagrou nesta semana a Operação Cyber Trap, que resultou na prisão de uma mulher suspeita de extorquir um procurador de Justiça da própria instituição. O mandado de prisão foi cumprido no município de Paulista, em Pernambuco.

De acordo com as investigações conduzidas pela 13ª Promotoria de Justiça de Campo Grande em conjunto com a Unidade de Investigação de Crimes Cibernéticos (UICC), a suspeita criou um perfil falso em uma rede social com o objetivo de se aproximar da vítima. Após estabelecer contato e ganhar a confiança do procurador, ela conseguiu que ele enviasse imagens íntimas.
Segundo apurado pelo MPMS, assim que recebeu o material, a mulher passou a exigir vantagem indevida da vítima – incluindo pagamento em dinheiro – sob a ameaça de divulgar as fotografias. As investigações indicam que, mesmo diante da extorsão, as imagens teriam sido publicadas sem autorização em algum momento.
A ação criminosa se enquadra no chamado “sextorsão”, prática criminosa que envolve a extorsão de vítimas por meio da ameaça de exposição de imagens íntimas obtidas, muitas vezes, mediante engenharia social e criação de perfis falsos.
A Justiça expediu mandado de prisão preventiva contra a investigada, além de autorização para busca e apreensão em seu endereço. Durante o cumprimento das ordens judiciais em Pernambuco, as forças policiais apreenderam diversos celulares e um computador na residência da suspeita.
Os equipamentos eletrônicos serão submetidos a perícia para extração de dados que possam auxiliar no aprofundamento das investigações. O material apreendido poderá revelar não apenas a extensão do contato com a vítima, mas também eventuais outras vítimas da mesma criminosa.
A operação contou com o apoio fundamental do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Pernambuco, que auxiliou na localização da suspeita e no cumprimento das medidas judiciais no estado nordestino.
O Ministério Público sul-mato-grossense informou que foram utilizados recursos tecnológicos avançados e técnicas de inteligência para identificar a autora do perfil falso e reunir o conjunto probatório que embasou o pedido de prisão.
A Operação Cyber Trap evidencia a crescente preocupação das instituições com os crimes cometidos no ambiente digital, especialmente aqueles que envolvem a criação de perfis falsos para obtenção de material íntimo e posterior extorsão de vítimas.
O MPMS destacou que as investigações continuam em andamento, com análise do material apreendido e aprofundamento das apurações para identificar se a suspeita agia sozinha ou integrava uma organização criminosa especializada nesse tipo de delito.
A identidade da presa não foi revelada pelo Ministério Público, que mantém sigilo sobre detalhes que possam comprometer o andamento do inquérito ou expor ainda mais a vítima, que tem sua intimidade resguardada pela legislação brasileira.











