Escritora de Três Lagoas leva obras autorais à Bienal do Livro de São Paulo

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Após décadas dedicadas ao jornalismo impresso, televisivo e institucional em Mato Grosso do Sul e também na capital paulista, a jornalista e escritora Ana Maria Rodrigues Barbosa amplia agora sua trajetória no universo literário. A estreia para o grande público ocorrerá durante a 28ª edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, um dos maiores eventos literários do mundo, onde participará de quatro projetos coletivos.

Pela Editora Lura, Ana integra a antologia Mundo dos Sonhos 2 com o conto infantil “Os segredos do escuro”. A narrativa acompanha Joca, um menino de oito anos que teme o momento em que as luzes se apagam. Em meio a descobertas e estratégias lúdicas, o personagem tenta enfrentar e superar o medo do escuro.

Já pela Editora Articule, a autora participa das antologias Vivências e Vozes Narrativas. Esta última aposta em um diferencial tecnológico e inclusivo: os textos contam com QR-Code que direciona o leitor para versões em áudio das obras.

Em Vozes Narrativas, Ana Maria publica os poemas “Fala Comigo, Manoel” e “Fala Comigo, João”, em que utiliza a prosa poética para dialogar com o legado literário de Manoel de Barros e João Guimarães Rosa. Os textos abordam o impacto sensível deixado pelas obras dos dois autores na formação de seu olhar literário.

Na coletânea Vivências, a escritora apresenta o poema “Ortodontia”, também em prosa poética, que transforma um episódio inusitado em reflexões bem-humoradas sobre o envelhecimento feminino. Na mesma obra, lança a crônica “Mensagem Póstuma”, texto marcado pela memória afetiva e pela relação tardia com a avó materna, mostrando que os afetos podem surgir de maneiras inesperadas.

Outro lançamento será o livro Entre elas: escritas de mulheres, publicado pela A Arte da Palavra. A obra terá lançamento independente organizado pelas próprias autoras durante a Bienal. Nela, Ana Maria apresenta o poema “Imoladas”, que traz uma crítica contundente à condição feminina — temática recorrente em sua produção literária.

Premiações e reconhecimento

O trabalho literário da jornalista já vem acumulando reconhecimento nacional. Em 2025, ela conquistou o primeiro lugar no Prêmio Outono em Vários Tons, promovido pela Editora Typus, com a crônica “À saúde das coragens tardias”, texto que aborda o envelhecimento feminino com humor e leveza.

Também foi premiada no concurso Primavera Eterna, da mesma editora, ao alcançar a terceira colocação com o ensaio literário “O que vem antes da palavra – o fenômeno do amor”.

A Editora Typus também publicou sua crônica “Mensagem Póstuma” e o conto “Lugar de Fala” na antologia Ser Mulher, disponível em plataformas digitais. Ana Maria ainda participou da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, integrando a antologia Le mins kisses, homenagem ao poeta Paulo Leminski publicada artesanalmente pela Editora Arpillera.

Além da prosa e da poesia, a autora também se dedica aos microcontos, tendo sido finalista em concursos que resultaram na publicação de e-books.

Escrita entre a infância, a crítica social e o humor

Segundo Ana Maria, a fase atual representa um período de experimentação literária.

“Estou estreando e experimentando quase todos os gêneros para ver onde vou ancorar, se é que vou. Enquanto vou escrevendo minhas obras solos, estou publicando pequenas doses em projetos coletivos”, afirma.

A autora explica que ainda não se aventura em romances ou contos longos, concentrando sua ficção principalmente no público infantil e infantojuvenil.

“Talvez seja meu lugar de maior alegria, onde posso brincar com as crianças por meio da palavra, da fantasia, da natureza e da possibilidade de crescer saudável”, relata.

Já nas produções voltadas ao público adulto, Ana Maria aposta em crônicas, ensaios e poesias em prosa poética, transitando pela não-ficção e por temas ligados à condição feminina, envelhecimento e preconceitos sociais.

“Aqui, meu universo de escrita é, ao mesmo tempo, crítico em relação às condições da existência feminina, idosa e periférica, mas distendido pela ironia e pelo humor como antídotos ao machismo, etarismo e preconceitos diversos”, conclui.

A Bienal Internacional do Livro de São Paulo será realizada entre os dias 4 e 13 de setembro de 2026, no Distrito Anhembi, em São Paulo. A edição deste ano terá foco em temas como tecnologia, inclusão, literatura indígena, afro-brasileira e produção feminina.

Ana Maria Rodrigues Barbosa participará de sessões de autógrafos no estande da Editora Articule no dia 7 de setembro, das 17h às 18h, e no dia 8 de setembro, das 15h às 16h. Ainda no dia 8, às 13h, estará no estande da Editora Lura.

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Edição 277