Bilhetes do PCC apreendidos há sete anos em presídio de SP deram origem à prisão de Deolane Bezerra

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A prisão da influenciadora Deolane Bezerra, realizada nesta quinta-feira (21) na Operação Vérnix, teve origem em um conjunto de bilhetes e manuscritos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) apreendidos há sete anos em um presídio em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo.

A operação, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pela Polícia Civil, investiga um esquema que usava uma transportadora de cargas fictícia para lavagem de dinheiro. Os recursos eram repassados para outras contas com o objetivo de dificultar o rastreio. Duas dessas contas estão em nome de Deolane, que possui mais de 21 milhões de seguidores nas redes sociais.

Além da influenciadora, também foi expedido mandado de prisão contra Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder do PCC, que já se encontra preso.

Segundo a investigação, o material apreendido em 2019 levou à abertura de três inquéritos sucessivos que revelaram a estrutura financeira do PCC e permitiram a identificação de operadores do esquema.

Os manuscritos estavam com dois presos e continham ordens internas da facção, contatos com integrantes do alto escalão do PCC e referências a ações violentas contra servidores públicos. Os dois investigados foram condenados e transferidos para o sistema penitenciário federal.

Agentes penitenciários localizaram os manuscritos e documentos escondidos na cela de Gilmar Pinheiro Feitoza, apontado como liderança do PCC dentro da Penitenciária II de Presidente Venceslau, e de Sharlon Praxedes da Silva, conhecido como “Maradona”, além de materiais encontrados na caixa de esgoto durante revista realizada em julho de 2019.

Os bilhetes traziam planos para matar funcionários do sistema prisional e também informações sobre o esquema de tráfico de drogas comandado por Gilmar.

Durante a análise do material, os investigadores encontraram menções a uma “mulher da transportadora”, apontada nos bilhetes como responsável por levantar endereços de agentes públicos para viabilizar ataques planejados pela organização criminosa.

A referência levou à abertura de um segundo inquérito, voltado a identificar a mulher citada e entender a ligação entre uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau e a facção. As investigações concluíram que a empresa funcionava como companhia de fachada usada para lavagem de dinheiro do PCC.

Celular apreendido revelou ligação com Deolane

Em 2021, a Operação Lado a Lado aprofundou as investigações e apontou movimentações financeiras incompatíveis, crescimento patrimonial sem lastro econômico e o uso da transportadora como braço financeiro da facção criminosa.

Durante a operação, a polícia apreendeu o celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como operador central do esquema. Segundo a investigação, o aparelho revelou detalhes sobre a lavagem de dinheiro realizada pela empresa Lado a Lado Transportes, também chamada Lopes Lemos Transportes.

Os investigadores afirmam que Ciro comprava caminhões, realizava pagamentos, movimentava recursos da cúpula do PCC, executava ordens de Marcola e de seu irmão, Alejandro Camacho, além de administrar patrimônio em nome dos dois.

A partir da análise do celular, surgiu uma nova frente investigativa relacionada a conexões financeiras com Deolane Bezerra.

Depósitos para contas da influenciadora

Segundo a polícia, imagens encontradas no aparelho mostram depósitos para contas de Deolane e de Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como operador financeiro da organização criminosa.

A investigação sustenta que valores da transportadora eram destinados a Marcola, Alejandro e familiares por meio de contas ligadas a Everton e à influenciadora.

Entre os familiares investigados estão Alejandro Camacho; Paloma Sanches Herbas Camacho; e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho. Paloma estava na Espanha, onde foi presa, atuando como intermediária dos negócios da família, enquanto Leonardo estaria na Bolívia e seria destinatário do dinheiro lavado.

Marcola e Alejandro, que já estão presos na Penitenciária Federal de Brasília, também foram alvo de novas ordens de prisão preventiva na Operação Vérnix.

Os investigadores afirmam que Deolane mantinha vínculos pessoais e de negócios com um dos gestores fantasmas da transportadora investigada. O cruzamento de provas apreendidas com relatórios financeiros levou a polícia a apontar a influenciadora como recebedora de dinheiro proveniente do PCC.

A operação desta quinta-feira representa mais um desdobramento das investigações iniciadas há sete anos, que vêm desarticulando a estrutura financeira da maior facção criminosa do país.

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Edição 277