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A ponte sobre o Rio Paraguai, na BR-262, em Corumbá, passará por um período de intervenções estruturais que irá impactar diretamente o tráfego entre Corumbá, Ladário e o restante de Mato Grosso do Sul. Segundo a Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul), responsável pela execução das obras, estão previstas entre nove e dez interdições totais da via, além de diversas paralisações parciais, até fevereiro de 2027, prazo final do contrato de recuperação da estrutura.
Nos dias em que houver bloqueio total, Corumbá e Ladário ficarão temporariamente isoladas por via terrestre, já que a ponte é a única ligação asfaltada entre os dois municípios e o restante do Estado.
As obras começaram na última sexta-feira com o trânsito funcionando em meia pista, no sistema pare e siga. De acordo com a Agesul, as interdições completas devem ocorrer, em média, a cada três semanas, preferencialmente durante os fins de semana e no período noturno, para reduzir os impactos aos motoristas.
Os bloqueios serão necessários apenas durante as etapas de concretagem, consideradas fundamentais para garantir a resistência e a segurança da estrutura.
Em nota, a Agesul informou que o cronograma foi elaborado para manter o fluxo de veículos sempre que possível.
"Durante todo o período de intervenção, o tráfego operará majoritariamente sem interrupção, em meia pista, no sistema pare e siga, com o auxílio de duas plataformas metálicas que permitem a circulação de veículos enquanto os serviços avançam", informou o órgão.
A previsão inicial aponta para 19 pontos de reparo na estrutura, sendo que entre nove e dez exigirão interdição total. No entanto, esse número poderá ser alterado conforme o avanço dos trabalhos e as condições técnicas encontradas durante a execução da obra.
A população será informada previamente sobre cada fechamento. Para isso, serão instalados painéis de LED e faixas informativas em pontos estratégicos, como a entrada de Miranda, o acesso ao Lampião Aceso, o Anel Viário de Corumbá, a antiga praça de pedágio e a entrada de Porto Esperança.
O secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Guilherme Alcântara de Carvalho, afirmou que a recuperação busca garantir maior durabilidade à estrutura.
"Estamos avançando para uma recuperação completa da estrutura, com soluções definitivas e tecnologia adequada. Essa ponte é estratégica para Corumbá e para todo o Pantanal, e nosso compromisso é garantir segurança e durabilidade para quem depende dela diariamente. Neste momento, o tráfego seguirá em meia pista, e qualquer interdição futura será comunicada previamente para que moradores, empresas e transportadores possam se organizar."
Investimento ultrapassa R$ 11,7 milhões
A recuperação da ponte receberá investimento superior a R$ 11,7 milhões, por meio de um termo de cooperação técnica entre a Agesul e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
O valor representa praticamente o dobro da estimativa inicial apresentada em junho de 2023 pelo então secretário de Obras, Hélio Peluffo, que previa gastos de aproximadamente R$ 6 milhões.
A situação da ponte também chama atenção pelo histórico de concessão. Entre dezembro de 2008 e setembro de 2022, a estrutura foi administrada pela Concessionária Porto Morrinho Ltda., período em que houve cobrança de pedágio sob a justificativa de custear a manutenção.
Durante os 14 anos de concessão, a empresa arrecadou cerca de R$ 430 milhões. Apenas em 2022, quando a tarifa para carros de passeio era de R$ 14,10, a arrecadação mensal chegou a R$ 2,6 milhões, totalizando aproximadamente R$ 21 milhões nos oito primeiros meses do ano.
Grande parte da receita vinha do intenso fluxo de caminhões transportando minério, especialmente veículos de nove eixos, que pagavam R$ 126,90 por travessia.
Em março de 2017, a concessionária conseguiu reduzir de 35% para 13,7% o percentual do faturamento bruto repassado ao Estado, diminuindo significativamente a participação do poder público na receita obtida com o pedágio.
Mesmo após o encerramento da concessão, o DNIT recusou-se a assumir a ponte devido às más condições estruturais, mantendo a responsabilidade pela manutenção com o Governo de Mato Grosso do Sul.
Desde março de 2023, o tráfego já vinha sendo realizado em meia pista em razão do comprometimento da estrutura, situação que perdurou por mais de um ano até a execução de reparos emergenciais.
Segundo a Agesul, o principal problema está nos amortecedores instalados entre as pilastras e a pista de rolamento, componentes que sofreram desgaste por falta de manutenção adequada ao longo dos anos.
Desde o fim do pedágio, o Estado já investiu aproximadamente R$ 10 milhões em reparos emergenciais, elaboração do projeto executivo e contratação de empresas responsáveis pelo controle do tráfego.
A preocupação com a segurança da estrutura também aumentou após a interrupção do transporte ferroviário, em dezembro do ano passado.
Atualmente, cerca de 350 bi-trens carregados com aproximadamente 50 toneladas de minério cruzam diariamente a ponte em direção ao porto Gregório Curvo, em Porto Esperança, intensificando o desgaste da estrutura.
Diante desse cenário, a Agesul orienta que motoristas e transportadores programem suas viagens com antecedência e acompanhem os comunicados oficiais sobre as datas das interdições.
A Ponte Poeta Manoel de Barros, como é oficialmente denominada, completa 25 anos em 2026 e passa por uma das maiores intervenções de sua história, com o objetivo de garantir segurança, durabilidade e condições adequadas de tráfego para os próximos anos.