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Após mais de uma década de espera, o projeto do Porto Seco de Três Lagoas enfim ganhou um novo capítulo. Durante o Encadear Summit, evento que reuniu lideranças empresariais e políticas, o prefeito Cassiano Maia anunciou que a administração municipal vai lançar um chamamento público para selecionar a área que abrigará o futuro empreendimento alfandegário. A medida é considerada um passo decisivo para tirar do papel uma estrutura apontada como estratégica para fortalecer a logística e impulsionar o desenvolvimento econômico da cidade. "Depois de anos de espera, hoje damos mais um passo para transformar o Porto Seco de Três Lagoas em realidade. Vamos fazer a diferença na parte logística do município, fortalecendo ainda mais o crescimento e o desenvolvimento econômico da cidade", afirmou o prefeito durante o anúncio.
O chamamento público será destinado à seleção da área mais adequada para receber a unidade alfandegária. Empresas e proprietários de terrenos interessados poderão apresentar propostas que atendam aos critérios técnicos e logísticos estabelecidos pela administração municipal. O edital será publicado no diário oficial, abrindo prazo para que os interessados formalizem suas candidaturas. A decisão de realizar o chamamento público, segundo a prefeitura, foi adotada após análise jurídica do processo. Embora já existissem áreas previamente indicadas para a implantação do Porto Seco, a administração municipal concluiu que a medida é necessária para garantir transparência, isonomia e segurança jurídica, evitando futuros questionamentos sobre a escolha do local.
Inicialmente, o empreendimento seria instalado em uma área de seis hectares na Fazenda Rodeio, localizada na saída de Três Lagoas para Campo Grande. O proprietário do terreno chegou a firmar um documento manifestando interesse em doar a área à Receita Federal, mas a efetivação da doação dependia do avanço do processo de implantação. Antes disso, outra área no Distrito Industrial, no entroncamento das rodovias BR-262 e BR-158, próxima à Usina de Jupiá, também foi cogitada. A região é considerada estrategicamente favorável por sua localização e acesso às principais vias de escoamento da produção. A escolha final levará em consideração aspectos como localização e acesso a rodovias, infraestrutura disponível no entorno e viabilidade logística para operações alfandegárias.
Dependendo da área selecionada, poderá ser necessária uma alteração no Plano Diretor do município para permitir atividades relacionadas ao Porto Seco, como estruturas de apoio logístico, centros de armazenagem e até instalações industriais. Eventuais mudanças, no entanto, serão realizadas posteriormente, seguindo todos os trâmites legais e mediante aprovação da Câmara Municipal. A prefeitura ressalta que o chamamento público trata exclusivamente da definição da área onde será instalado o Porto Seco. A futura licitação para implantação e operação da estrutura alfandegária será conduzida em etapa posterior e não será de responsabilidade do município.
O Porto Seco é apontado como um dos principais projetos de infraestrutura logística para Três Lagoas e para todo o leste de Mato Grosso do Sul. A estrutura permitirá que o próprio município realize o desembaraço aduaneiro de mercadorias destinadas à exportação e importação, reduzindo custos e prazos, especialmente para a cadeia da celulose, principal produto exportado pela cidade. Atualmente, as cargas precisam ser encaminhadas a outros centros alfandegários, o que gera custos adicionais e alonga o tempo de trânsito. Com o Porto Seco em operação, a expectativa é de maior agilidade nos processos, beneficiando diretamente indústrias do setor de papel e celulose, além de outros segmentos produtivos da região. Estudos técnicos já indicam que a região próxima à BR-262 é estratégica para o empreendimento, especialmente com a futura ligação ao contorno rodoviário que conectará a BR-262 à BR-158. Essa integração viária ampliará a conexão logística e a competitividade regional, consolidando Três Lagoas como um polo de atração de investimentos.
A expectativa pela implantação do Porto Seco em Três Lagoas arrasta-se há mais de dez anos. A demora se deveu a uma série de fatores, incluindo entraves burocráticos, indefinições sobre a área e a necessidade de articulação entre diferentes esferas de governo. O anúncio feito durante o Encadear Summit representa, segundo a prefeitura, um marco nesse longo processo. Com a definição da área por meio de chamamento público transparente, o projeto ganha novo fôlego e se aproxima de se tornar realidade, com potencial para transformar a logística e a economia do município nos próximos anos.