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A nova tarifa adicional de 12,5% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos importados do Brasil passa a valer nesta sexta-feira (24). A medida, anunciada pelo presidente Donald Trump, é a segunda sobretaxa imposta pelo governo norte-americano contra mercadorias brasileiras. Na semana passada, já havia sido anunciada uma tarifa de 25%.
Apesar do novo aumento, os principais produtos exportados por Mato Grosso do Sul continuam fora da lista de itens atingidos. A relação de exceções, divulgada na quinta-feira (23), contempla 471 produtos distribuídos em 20 categorias, incluindo segmentos estratégicos para a economia do Estado, como celulose, carne bovina, suco de laranja e minério de ferro.
Levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) aponta que Mato Grosso do Sul exportou US$ 371,02 milhões para os Estados Unidos entre janeiro e junho deste ano, um crescimento de 14% em relação aos US$ 325,37 milhões registrados no mesmo período de 2025.
O volume embarcado também apresentou avanço significativo. No primeiro semestre de 2026, o Estado enviou 437,49 mil toneladas de produtos ao mercado norte-americano, alta de 33,6% na comparação com as 327,39 mil toneladas exportadas no ano anterior.
A carne bovina desossada congelada foi o principal produto sul-mato-grossense destinado aos Estados Unidos, somando US$ 190,36 milhões em vendas no primeiro semestre. O montante representa mais da metade de todas as exportações do Estado para o país.
Na sequência aparece a celulose (pastas químicas de madeira), que movimentou US$ 59,37 milhões. Também figuram entre os principais produtos exportados as carnes bovinas frescas ou refrigeradas, com US$ 20,08 milhões em comercialização.
Ao longo de 2025, os Estados Unidos importaram de Mato Grosso do Sul US$ 224,84 milhões em carnes bovinas congeladas, o equivalente a 44,6 mil toneladas.
Já o setor brasileiro de celulose e papel encerrou 2025 com receita de US$ 6,9 bilhões, tendo como principal produto a pasta química de madeira. Entre os maiores compradores estiveram China, Itália, Holanda, Estados Unidos e Turquia.
Além das diferentes categorias de carne bovina — fresca, refrigerada, congelada, com ou sem osso, miudezas e produtos industrializados, como o corned beef —, a lista de isenção contempla outros itens relevantes para o agronegócio e a indústria brasileira.
Entre eles estão:
- Produtos vegetais, como café, chá, erva-mate, especiarias, cereais (trigo, milho e sorgo para semeadura), além de frutas como abacaxi, abacate, manga e laranja;
- Minérios e matérias-primas, incluindo minério de ferro, manganês, cobre, estanho, nióbio, titânio, carvão mineral e petróleo bruto;
- Produtos químicos e fertilizantes, como ureia, fosfatos, cloreto de potássio, insumos para defensivos agrícolas e compostos de terras raras;
- Itens de tecnologia, entre eles semicondutores, circuitos integrados, equipamentos para fabricação de wafers e componentes eletrônicos.
Segundo o governo norte-americano, a manutenção dessas isenções leva em consideração a dificuldade de substituir determinados produtos, o risco de impactos na cadeia de abastecimento e o baixo efeito que a tributação teria sobre os objetivos comerciais dos Estados Unidos.
Com a entrada em vigor das novas tarifas, o Brasil passa a ser o país que registrou o maior aumento nas alíquotas impostas pelos Estados Unidos desde o retorno de Donald Trump à Presidência. A tarifa média efetiva sobre produtos brasileiros, que era de 1,19% em janeiro de 2025, passará para 14,42%.
Mesmo assim, apenas cerca de um quarto dos produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos será atingido pela alíquota máxima. Dos US$ 39,6 bilhões exportados pelo Brasil ao mercado norte-americano em 2024, aproximadamente US$ 8,5 bilhões estarão sujeitos à tarifa mais elevada.
O governo brasileiro criticou a decisão e informou que pretende recorrer à Lei de Reciprocidade, além de levar a disputa comercial para análise da Organização Mundial do Comércio (OMC).