el nino chega oa fim
O cenário climático para o segundo semestre de 2026 acendeu o alerta em todo o Brasil. Embora Mato Grosso do Sul não esteja entre os estados com previsão de impactos severos generalizados do fenômeno El Niño, especialistas apontam que o principal risco para o Estado continua sendo a ocorrência de incêndios florestais, especialmente no Pantanal.
As informações fazem parte do monitoramento técnico nacional sobre a evolução do El Niño, elaborado por um grupo formado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa/UFRJ), além de representantes do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Casa Civil, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Ibama, ICMBio e Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo (Comif).
As projeções para o trimestre de agosto, setembro e outubro indicam temperaturas acima da média em grande parte do país. Também há previsão de chuvas abaixo da média na Região Norte e em parte do Pantanal, cenário que pode se intensificar caso o El Niño atinja uma intensidade muito forte. Em contrapartida, a Região Sul deve registrar precipitações acima da média.
O período entre agosto e outubro é considerado o mais crítico para a ocorrência de incêndios florestais. Apesar disso, os estados com maior probabilidade de registro de grandes queimadas são Amazonas, Pará, Tocantins, Maranhão e Mato Grosso, concentrando os maiores riscos na Amazônia e em parte do Brasil Central.
Em Mato Grosso do Sul, os alertas específicos estão voltados para o Parque Nacional do Pantanal Matogrossense, localizado na divisa entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, e para o Parque Nacional da Serra da Bodoquena, que abrange os municípios de Bonito, Bodoquena e Jardim. O monitoramento não inclui todo o território pantaneiro, deixando fora da área prioritária municípios como Corumbá, Miranda, Aquidauana, Rio Verde de Mato Grosso, Sonora e Coxim.
Estado já adotou medidas preventivas
Antecipando o período de estiagem, o Governo de Mato Grosso do Sul decretou, em 3 de junho, estado de emergência ambiental por 180 dias em todo o território estadual.
Entre as ações implementadas estão a abertura de aceiros às margens de rodovias, fiscalização de queimadas ilegais, realização de queimas prescritas em áreas com grande acúmulo de material combustível, contratações emergenciais e a execução do Plano Estadual de Manejo Integrado do Fogo (Pemif).
O Estado também mantém em operação a "Operação Pantanal", voltada à prevenção e ao combate aos incêndios florestais, com investimento de R$ 24 milhões.
O monitoramento climático também chama atenção para a possibilidade de formação de um "Super El Niño". Modelos climáticos indicam que as anomalias na temperatura da superfície do Oceano Pacífico podem ultrapassar os 4°C, patamar semelhante aos grandes eventos registrados entre 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016.
Caso esse cenário se confirme, há potencial para intensificação dos eventos extremos em diversas regiões do país, exigindo maior articulação entre governos e órgãos de proteção ambiental.
Desde janeiro, o Governo Federal acompanha a evolução das condições climáticas para direcionar políticas públicas e fortalecer a atuação conjunta entre União, estados e municípios.
A Agência Nacional de Águas (ANA) passou a divulgar relatórios periódicos sobre os impactos do El Niño, enquanto a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) vem adotando medidas antecipatórias para ampliar a capacidade de resposta dos entes federativos.
Além disso, a Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP) encaminhou ao Ministério do Meio Ambiente propostas para facilitar o acesso dos municípios ao Fundo Clima, administrado pelo BNDES, que dispõe de aproximadamente R$ 27 bilhões para financiamento de ações relacionadas às mudanças climáticas.
Situação no Pantanal segue sob monitoramento
Apesar das preocupações para os próximos meses, a situação atual no Pantanal permanece controlada. Dados do Sistema Pantanal em Alerta apontaram que, no último domingo, foram registrados apenas seis focos de calor, todos localizados no município de Corumbá, na região de fronteira com a Bolívia, nas proximidades do Forte Coimbra.
Especialistas destacam, no entanto, que os meses de agosto, setembro e outubro serão decisivos para o bioma. A combinação entre altas temperaturas, baixa umidade e redução das chuvas poderá elevar o risco de incêndios, tornando fundamentais as ações preventivas já colocadas em prática pelos governos e órgãos ambientais.