Arauco, Foto Divulgação
A construção da maior fábrica de celulose do mundo, em Inocência, no leste de Mato Grosso do Sul, alcançou números que demonstram a dimensão do empreendimento. Em quase dois anos de obras, o Projeto Sucuriú, da Arauco, já credenciou 33.580 trabalhadores para atuar no canteiro, número que equivale a quase quatro vezes a população do município, que possui 8.404 habitantes, segundo o Censo 2022 do IBGE.
Os dados são da Meta.X, empresa responsável pelo credenciamento e mobilização de colaboradores, controle de obrigações acessórias e gestão de acesso da obra. Além da força de trabalho, o projeto já integrou 1.087 empresas à rede de fornecedores da Arauco, realizou mais de 155 mil análises documentais e registrou 6.401.327 acessos ao canteiro de obras.
A movimentação diária impressiona. Em média, são 52.903 acessos por dia, com um recorde de 69.719 registros em apenas um dia. A operação é controlada por 65 catracas e oito portarias monitoradas 24 horas por dia, distribuídas entre a planta industrial e os alojamentos.
O pico de credenciamentos ocorreu em fevereiro de 2026, quando 3.182 colaboradores foram habilitados em um único mês. Atualmente, o ritmo permanece entre 2 mil e 3 mil novos credenciamentos mensais.
Do total de tentativas de entrada no empreendimento, 188.762 foram bloqueadas preventivamente, representando 2,95% dos acessos. Entre os principais motivos estão a reprovação no teste do bafômetro, responsável por 59.258 bloqueios, e o descumprimento do intervalo mínimo entre jornadas de trabalho, que gerou outras 6.975 restrições.
A estrutura também já controlou a entrada de 7.245 visitantes e 6.168 veículos credenciados.
Outro destaque é o sistema de Controle de Obrigações Acessórias (COA), que verifica o cumprimento das exigências trabalhistas, fiscais e contratuais das empresas prestadoras de serviço.
Até agora, foram auditadas 490 empresas, 740 contratos e 89.220 colaboradores. O índice de aprovação documental chega a 97%, enquanto 91% dos contratos atendem integralmente aos requisitos estabelecidos pela Arauco.
Além da grandiosidade da obra, a empresa destaca iniciativas voltadas à sustentabilidade. Uma delas é o uso de drones na implantação da linha de transmissão que ligará a fábrica ao Sistema Interligado Nacional (SIN), em Selvíria.
A tecnologia substituiu métodos convencionais em determinados trechos, permitindo o lançamento das cordas-guia para instalação dos cabos de alta tensão sem a necessidade de abertura de novas faixas de vegetação.
Segundo a empresa, a medida preservou 33,29 hectares de vegetação nativa e manteve armazenadas aproximadamente 4.566 toneladas de CO₂ equivalente, evitando a supressão de áreas dos biomas Cerrado e Mata Atlântica.
A linha de transmissão terá 91 quilômetros de extensão e utilizará 1.045 quilômetros de cabos de alta tensão. Quando entrar em operação, a fábrica será capaz de gerar 400 megawatts (MW) de energia, sendo metade destinada ao consumo próprio e os outros 200 MW disponibilizados ao Sistema Interligado Nacional, volume suficiente para abastecer uma cidade do porte de Campo Grande.
Com investimento de US$ 4,6 bilhões, o Projeto Sucuriú representa o maior aporte já realizado pela Arauco e marca a implantação da primeira fábrica da companhia no Brasil.
A unidade terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano e tem início das operações previsto para o fim de 2027.
Durante o pico da construção, a expectativa é reunir mais de 14 mil trabalhadores simultaneamente no canteiro de obras. Após a entrada em operação, o empreendimento deverá gerar cerca de 6 mil empregos diretos e indiretos nas áreas industrial, florestal e logística, consolidando Mato Grosso do Sul como um dos principais polos da indústria de celulose no mundo.