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A Justiça decretou, nesta quarta-feira (8), a prisão preventiva do ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, conhecido como Neno Razuk, no âmbito da Operação Successione. A decisão foi proferida pela 4ª Vara Criminal de Campo Grande e tramita sob sigilo.
Neno Razuk já havia sido condenado em primeira instância a 15 anos, 7 meses e 15 dias de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, roubo majorado e exploração do jogo do bicho. Até então, ele respondia ao processo em liberdade enquanto recorria da sentença.
A situação jurídica do ex-parlamentar mudou em maio deste ano, quando perdeu o mandato na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems). A mudança ocorreu após a Justiça Eleitoral determinar a retotalização dos votos das eleições de 2022, resultando na perda de uma cadeira do Partido Liberal (PL) e, consequentemente, na saída de Neno do Legislativo estadual.
Com a perda do mandato, o ex-deputado deixou de contar com as prerrogativas do cargo, entre elas o foro por prerrogativa de função. No entanto, antes mesmo dessa decisão, a Justiça já havia afastado a aplicação do foro privilegiado ao entender que os crimes investigados não tinham relação com o exercício da atividade parlamentar.
A Operação Successione foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), em 5 de dezembro de 2023. As investigações apuram a atuação de uma organização criminosa que disputava o controle do jogo do bicho em Campo Grande após o enfraquecimento de outros grupos envolvidos na exploração da atividade ilegal.
De acordo com o MPMS, a organização possuía estrutura hierárquica, divisão de funções entre os integrantes, utilizava violência para manter suas operações e contava com um esquema de administração financeira. As investigações também apontam o envolvimento de agentes públicos, que teriam sido corrompidos para favorecer a continuidade das atividades criminosas.
Na quarta fase da operação, realizada em novembro de 2025, foram presos Roberto Razuk, pai de Neno, além dos irmãos Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk. Segundo o Ministério Público, os três integravam o núcleo central da organização criminosa, enquanto o ex-deputado exercia papel de liderança no esquema.
Durante o cumprimento dos mandados, o Gaeco apreendeu mais de 700 máquinas utilizadas em apostas ilegais, armas de fogo, munições e mais de R$ 270 mil em dinheiro.
As investigações também identificaram documentos financeiros que indicariam a aquisição de bens em nome de terceiros, prática que, segundo o Ministério Público, era utilizada para ocultar a origem dos recursos obtidos de forma ilícita. Além disso, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 36 milhões, valor correspondente à estimativa de recursos supostamente lavados pela organização criminosa.
Neno Razuk também figura como réu na quarta fase da Operação Successione. Com a decretação da prisão preventiva, o caso ganha um novo desdobramento e reforça as investigações sobre a atuação de grupos criminosos ligados ao jogo ilegal e à lavagem de dinheiro em Mato Grosso do Sul.