Ter, 14 de Julho
POLÍCIA

Empresa de fachada do crime movimentou R$ 1,1 bilhão e tinha ramificações em MS

14 jul 2026 - 07h45   Thaís Dias   atualizado às 09h46
Empresa de fachada do crime movimentou R$ 1,1 bilhão e tinha ramificações em MS tela oculta

Uma empresa de fachada que servia como braço financeiro do crime organizado em Santa Catarina foi alvo de uma megaoperação da Polícia Civil na manhã de terça-feira (14). A Operação Tela Oculta, que contou com cerca de 200 policiais, cumpriu 32 mandados de prisão e 80 de busca e apreensão nas cidades de São José, Palhoça e Florianópolis, com a Grande Florianópolis como centro das investigações.

A estrutura criminosa movimentou aproximadamente R$ 1,1 bilhão, atuando como uma espécie de "órgão financeiro" do tráfico de drogas e outros ilícitos. De acordo com o delegado da Divisão de Investigação Criminal de Palhoça, Marcos Fraile, a empresa de fachada funcionava para dar aparência de legalidade ao dinheiro proveniente do crime.

Durante as diligências, foram encontrados equipamentos, armas e drogas que se tornaram peças-chave nas investigações. O bairro Estreito, em Florianópolis, foi o local com a maior apreensão de entorpecentes, conforme informações preliminares. Em uma das ações, os policiais apreenderam uma tonelada de maconha e 30 quilos de cocaína, além de um fuzil.

A operação teve caráter interestadual, com 170 policiais atuando em Santa Catarina e 30 agentes nos estados do Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Parte dos mandados também foi cumprida em Mato Grosso do Sul, embora os agentes não tenham repassado detalhes sobre as cidades exatas no estado.

Um dado relevante apontado pelo delegado Fraile é que a maior parte dos mandados de prisão foi cumprida contra mulheres. Elas cediam suas contas bancárias para a lavagem do dinheiro de origem ilícita, atuando como "laranjas" do esquema financeiro montado pela organização criminosa.

A estratégia de utilizar terceiros para movimentar recursos é comum em esquemas de lavagem de dinheiro, onde os verdadeiros beneficiários dos valores ilícitos permanecem ocultos por trás de empresas de fachada e contas de pessoas interpostas.

A Operação Tela Oculta se insere em um contexto mais amplo de combate à lavagem de dinheiro em Santa Catarina, onde a Polícia Civil tem intensificado ações para descapitalizar organizações criminosas. Em operações anteriores, como a "Bilionarco", foram bloqueados cerca de R$ 1 bilhão em bens de grupos envolvidos no tráfico de drogas, com a identificação de 22 empresas entre verdadeiras e de fachada utilizadas para dar aparência de licitude ao dinheiro obtido com a comercialização de entorpecentes .

A utilização de empresas fantasmas como mecanismo de lavagem de dinheiro também foi identificada em outros esquemas desmantelados no estado, como no caso de uma família que operava em Balneário Camboriú e movimentou cerca de R$ 6 milhões em dois anos por meio de uma empresa de fachada do ramo de pintura .

A investigação prossegue para identificar todos os envolvidos e rastrear a totalidade dos recursos movimentados pela organização criminosa desarticulada na Operação Tela Oculta.

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