Laudo aponta choque anafilático como causa da morte de Grazielle Machado
O laudo médico divulgado nesta segunda-feira (29) apontou que a morte da ex-vereadora de Campo Grande e ex-deputada estadual Grazielle Machado foi causada por um choque anafilático – uma reação alérgica grave, rápida e potencialmente fatal. A informação, que reforça a versão apresentada pelo marido da ex-parlamentar, derruba a suspeita inicial de infecção por salmonela, que havia sido cogitada nos primeiros momentos após o falecimento.
Grazielle, de 45 anos, morreu no Hospital da Cassems, em Campo Grande, após passar mal na véspera do último jogo da Seleção Brasileira. Segundo relatos, ela comeu camarão, começou a apresentar vermelhidão e coceira pelo corpo, seguiu para a unidade hospitalar e faleceu em menos de 24 horas. A princípio, a hipótese levantada era de uma infecção generalizada, mas o laudo confirmou a reação alérgica como causa oficial do óbito.
O que é o choque anafilático?
De acordo com a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), o choque anafilático é uma reação alérgica severa que pode ser desencadeada por diversos agentes, sendo os mais comuns:
-
Alimentos (como camarão, amendoim, leite e ovos);
-
Medicamentos;
-
Picadas de insetos;
-
Outras substâncias alergênicas.
Os sintomas costumam surgir em poucos minutos após o contato com o agente causador e podem envolver diferentes partes do corpo, incluindo:
-
Coceira, vermelhidão e inchaço na pele;
-
Falta de ar, chiado no peito, tosse ou sensação de garganta fechando;
-
Tontura, desmaio e fraqueza súbita;
-
Náuseas, vômitos ou dor abdominal.
Em casos graves, o choque anafilático pode levar à parada cardiorrespiratória se não houver atendimento médico imediato.
O velório de Grazielle Machado lotou a capela do Cemitério Parque das Primaveras, em Campo Grande, com a presença de familiares, amigos, autoridades políticas e admiradores de sua trajetória. Durante a cerimônia, a filha adolescente da ex-parlamentar, Giovanna, fez um discurso emocionante.
"Ela amava o Lulu Santos e a música 'Tempos Modernos' fala sobre o tempo, que escoa pelas mãos. Basicamente, é sobre viver a vida de forma intensa, e a mamãe viveu como uma pessoa de 90 anos", disse a jovem, visivelmente abalada.
O pai de Grazielle, o deputado estadual Londres Machado (PP), líder do governo na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, também discursou no velório, com a voz embargada pelo choro. "Grazielle nos deixou, mas pela fé eu tenho certeza que um dia vamos nos reencontrar", afirmou.
Três dias após a morte da filha, a mãe da ex-parlamentar, Ilda Salgado Machado – ex-prefeita de Fátima do Sul – usou as redes sociais para agradecer o apoio recebido. "Nossa eterna gratidão a todos que nos acolheram com carinho, mensagens, orações e palavras de conforto neste momento de despedida de nossa amada Grazielle Machado. Que Deus abençoe cada um de vocês", publicou.
Trajetória política e profissional
Grazielle Machado construiu uma carreira sólida na política e na comunicação de Mato Grosso do Sul. Foi vereadora em Campo Grande por três mandatos consecutivos, entre 2005 e 2014. Em seguida, elegeu-se deputada estadual com mais de 39 mil votos, tornando-se, na época, a primeira mulher mais votada da história do estado – feito que ela própria costumava divulgar com orgulho em suas redes sociais.
Formada em Comunicação, atuou por uma década como diretora da Revista Ímpar e coordenou as campanhas políticas do pai, o deputado Londres Machado. Atualmente, Grazielle ocupava um cargo comissionado na Casa Civil do governo de Mato Grosso do Sul.